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Relendo “Feliz Ano Novo”, de Rubem Fonseca (José Castello)

“Fixo-me em “Feliz ano novo”, o conto que empresta título ao já lendário livro que Rubem Fonseca, cuja obra vem sendo relançada pela editora Agir, publicou em 1975. Não só, provavelmente, é o072412guns mais cruel relato da coletânea, mas uma das narrativas mais violentas produzidas pela literatura brasileira dos anos 1970. O conto guarda uma estranha síntese dos métodos da ditadura, que se espalharam pela entranhas da sociedade brasileira na ordem de uma peste — o livro de Fonseca seria censurado no ano seguinte ao seu lançamento. Antes de tudo, a violência, arbitrária, indiferente ao sentido, cruel que, na narrativa de Fonseca, deixa os cárceres do poder para penetrar na penumbra do dia a dia e se transformar em um método de ação. Contra a violência, mais violência. Contra a miséria, mais miséria. O método nefasto da duplicação e da retaliação. (…)”

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 (*) Esse texto foi publicado originalmente no suplemento “Prosa”, de O GLOBO, no sábado 22/03/2014. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.

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A moral mínima de Rubem Fonseca (João Gabriel Lima)

“Poucos escritores na literatura brasileira abordaram o problema da violência quanto Rubem Fonseca. Críticos importantes legaram-lhe o adjetivo de ‘brutalista’ ou ‘realista feroz’, entre eles Antônio Cândido e Alfredo Bosi. É indiscutível que as histórias de Fonseca – em especial em seu livro Feliz ano novo psychoknife-294x300– apresentam a violência através das ações de seus personagens. Não obstante, antes de acusar com igual violência o autor de tais histórias, é preciso ter em conta o que alcançam esses escritos naquele que lê. Esse artigo deseja demonstrar que, longe de escrever histórias para incitar um leitor cruel, Rubem Fonseca é, na verdade, um escritor ético, cuja obra tem o propósito de interromper os impulsos destrutivos através da literatura. O valor de sua obra não está apenas na re-encenação literária da violência urbana, tal como parece apontar o consenso crítico sobre sua obra, mas em uma ambição – tão modesta quanto verdadeira – de impedir que o mal se apresente em forma de violência. Nosso percurso aqui será partir do livro Feliz ano novo de Rubem Fonseca, localizando a resposta da crítica literária à violência fonsequiana; depois, para considerar se há um propósito maior para essa violência, iremos até os escritos de Jean-Jacques Rousseau; ao fim, então, retornaremos à análise de Rubem Fonseca para considerar essa hipótese à luz das contribuições psicanalíticas.”

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Vítimas e Algozes do Medo (Luciano Cabral)

O medo é um mecanismo natural de defesa contra perigos iminentes ou experienciados. Sendo assim, ele tanto nos protege do que pode acontecer a qualquer momento quanto nos faz lembrar de uma experiência negativa que tivemos. Neste sentido, humanos e animais são biologicamente iguais.tumblr_n15ju4s7Yj1s5okito1_500

Porém, se detalharmos o medo e, além disso, o pusermos dentro de uma metrópole (como Rio de Janeiro ou São Paulo), veremos que humanos e animais são socialmente distintos; muito distintos.

O ensaio “Vítimas e Algozes do Medo no conto Feliz Ano Novo”, discute o medo na cidade – o medo do outro, do que é estranho, alheio e imprevisível – baseando-se no conto de Rubem Fonseca e nos ensaios de Zygmunt Bauman e Freud.

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Feliz Ano Novo (Rubem Fonseca)

“Vamos comer, eu disse, botando a fronha dentro da saca. Os homens e mulheres nfeliz_ano_novo2o chão estavam todos quietos e encagaçados, como carneirinhos. Para assustar ainda mais eu disse, o puto que se mexer eu estouro os miolos. Então, de repente, um deles disse, calmamente, não se irritem, levem o que quiserem não faremos nada. Fiquei olhando para ele. Usava um lenço de seda colorida em volta do pescoço. Podem também comer e beber à vontade, ele disse. Filha da puta. As bebidas, as comidas, as jóias, o dinheiro, tudo aquilo para eles era migalha. Tinham muito mais no banco. Para eles, nós não passávamos de três moscas no açucareiro.” (trecho de “Feliz Ano Novo”)

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