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Mulher-feiticeira, o duplo e outros mitos em “Eu, Tituba, feiticeira… Negra de Salem”, de Maryse Condé (Lilian Cristina Corrêa))

“A imagem da mulher como feiticeira parece estar presente há muito na história da humanidade, como se tal imagem representasse seu duplo: de conhecedora de segredos da natureza a entidade demoníaca, tal figura feminina sempre sofreu conseqüências por ser “diferente”, por ameaçar as esferas do ser, do poder e do saber e, acima de tudo, por intimidar ou questionar o ponto de vista religioso. O presente trabalho propõe apresentar tais questões através da personagem Tituba, protagonista do romance Eu, Tituba, Feiticeira… Negra de Salem, de Maryse Condé, e suas relações não somente com a imagem da feiticeira, mas também com suas possíveis releituras intertextuais com figuras mitológicas.”

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Eu, Tituba, feiticeira… Negra de Salem (Maryse Condé)

“Abena, minha mãe, foi violentada por um marinheiro inglês na ponte do Christ the King, num dsouth-africa-khoikhoi-grangeria de 16**, quando o navio velejava rumo a Barbados. Foi dessa agressão que nasci. Desse ato de ódio e desprezo. (…) Minha mãe chorou por eu não ser menino Achava que a sorte das mulheres era ainda mais dolorosa que a dos homens. Para se libertarem de sua condição, não tinham elas que passar pelas vontades daqueles mesmos, que as mantinham na servidão e dormir em suas camas? Yao, ao contrário, ficou contente. (…) Foi ele quem me deu meu nome: Tituba. Ti-Tu-Ba. Não é um nome ashanti. Sem dúvida, ao inventá-lo, Yao quis provar que eu era filha de sua vontade e de sua imaginação. Filha de seu amor.”

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Sob o estigma da bruxa: o medo e o sobrenatural em “A Feiticeira”, de Inglês de Sousa (Raphael da Silva Camara)

Witches'Familiars1579“(…) A bruxa esteve no imaginário ocidental durante um longo período de tempo, como uma figura monstruosa e profana, ligada a rituais mágicos e ao demônio. Entre os séculos XIV e XVII, o Ocidente sofria com as guerras, a violência, a escassez de alimentos e principalmente com a peste negra, tornando-se angustiada, impotente e enferma. Tais atrocidades, no pensamento do homem medieval e da religião, eram provocadas pela ira divina, buscando punir a humanidade por seus pecados. Logo, era necessário apontar e penitenciar os agentes de satã, verdadeiros culpados que comprometiam a segurança da comunidade, para que a mesma não viesse a sofrer novamente.(…)”

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A feiticeira (Inglês de Sousa)

Screen Shot 2015-04-02 at 9.06.34 PM“A Mucoim, vendo o efeito daquelas palavras mágicas, soltou urros de fera e atirou-se contra o tenente, procurando arrancar-lhe os olhos com as aguçadas unhas. O moço agarrou-a pelos raros e amarelados cabelos e lançou-a contra o esteio central. Depois fugiu, sim, fugiu, espavorido, aterrado. Ao transpor o limiar, um grito o obrigou a voltar cabeça. A Maria Mucoim, deitada com os peitos no chão e a cabeça erguida, cavava a terra com as unhas, arregaçava os lábios roxos e delgados, e fitava no rapaz aquele olhar sem luz, aquele olhar que parecia querer traspassar-lhe o coração.”

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As Feiticeiras de “A Nebulosa” de Joaquim Manuel de Macedo: Magas nos Trópicos (Ramira M. S. da Silva Pires)

Three_Witches_Welles“(…) De uma época de ouro, pagã e matriarcal, revestida de plenitude, adentra-se a decadência e a degeneração que se impõe com o patriarcado. Ao longo dos tempos as feiticeiras foram perseguidas, torturadas e queimadas vivas, foram objeto de bulas pontifícias e do terrível Malleus Maleficarum, cuja sofística não deixava à acusada nenhuma possibilidade de defesa. O cristianismo aliou-as à figura do diabo, a cujo culto estariam dedicadas. Envelhecida e demonizada, a maga adentra o folclore e se oculta nos limites das florestas, colhendo plantas, versando-se nos seus efeitos secretos e cozendo misturas poderosas. (…)”

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