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A manifestação do fantástico em Frankenstein de Mary Shelley (Alessandro Yuri Alegrette)

frankenstein

“Partindo da premissa de que o romance de Mary Shelley possa estar enquadrado em mais de uma modalidade literária, proponho sua inserção dentro de outro gênero de literatura: o fantástico. Tal proposição encontra subsídio teórico na interpretação dada pela pesquisadora inglesa Nora Crook, que defende a idéia de que a obra produz uma sensação de hesitação no leitor, uma vez que oscila em ser uma ocorrência do “maravilhoso científico”, ou uma narrativa que reproduz “uma ilusão paranóica”. Segundo ela, isso tornaria o romance um exemplo do que o teórico russo Tzvetan Todorov definiu como “fantástico puro”. Além de Crook, o especialista inglês David Punter, e a pesquisadora norte-americana Maggie Kilgour em seus comentários sobre a obra, também apontam a presença de várias contradições em seu discurso. Portanto, dentro da discussão sobre o tema, pretendo elucidar quais seriam essas contradições, e de que forma elas contribuíram para que essa narrativa, também possa ser inserida dentro da literatura fantástica.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do I Colóquio “Vertentes do Fantástico na Literatura”. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Macário e Satã: viagem fantástica, diálogo crítico (Andréa Sirihal Werkema)

O Satã Conduz Macário pelo Braço, João Fahrion, 1940“O Primeiro Episódio do drama Macário, de Álvares de Azevedo, relata uma viagem feita por um jovem estudante, rumo à cidade na qual irá estudar. O estudante Macário, protótipo de ultrarromântico, cético, irônico e desencantado, flerta abertamente com o lado negativo da existência, o que culmina no encontro, em estalagem de beira da estrada, com um Desconhecido, que se revela, posteriormente, como o próprio Satã. Interessa discutir as implicações advindas de uma escolha pela trajetória fantástica em meio ao Romantismo brasileiro, tão marcado pelas demandas ‘realistas’ de um projeto de formação de identidade nacional via literatura. Analisaremos, portanto, as oscilações do fantástico no Primeiro Episódio de Macário, de forma a averiguar a filiação do drama de Azevedo a um outro Romantismo, que recusa o ‘veto ao ficcional’, em prol de uma literatura subjetivista ao extremo, que deforma a realidade com o intuito de, criticamente, sugerir outros caminhos para a formação da chamada ‘literatura nacional’.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do I Colóquio “Vertentes do Fantástico na Literatura”. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Nos subsolos da ópera: uma reflexão teórica acerca do fantástico na narrativa “O Fantasma da Ópera”, de Gaston Leroux (Ana Cristina dos Santos e Jhonatan Rodrigues)

Resultado de imagem para o fantasma da ópera ilustração“O presente artigo possui o escopo de realizar algumas ponderações acerca da narrativa O fantasma da ópera (1911), de Gaston Leroux. Compenetra-se em discussões estritamente teóricas ao apresentar-se a teoria do Fantástico, concernente à literatura, sob as perspectivas teóricas de dois dos mais insignes estudiosos deste eixo temático: David Roas (2014) e Tzvetan Todorov (1980), com o intuito de demonstrar as confluências e discrepâncias entre um e outro autor. Também há uma exposição sumária da obra literária O fantasma da ópera a fim de contextualizar o leitor que não tenha lido o romance. Encerra-se o ensaio em uma reflexão minuciosa sobre o estatuto fantástico/maravilhoso na obra supracitada, partindo da premissa, respaldada pelos argumentos de Roas e Todorov, de que, para ser literatura fantástica, é necessário que haja a presença de um elemento sobrenatural que porá em dúvida a percepção da realidade do leitor.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, nº 05. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


“William Wilson”: o retorno do significante (Ana Maria Agra Guimarães)

Resultado de imagem para william wilson illustration“O presente artigo busca interpretar o conto “William Wilson”, de Edgar Allan Poe, à luz da teoria do fantástico, que tem como característica principal a hesitação, transitando entre a verossimilhança e inverossimilhança e instalando no texto a ambiguidade. O texto também se apoia na psicanálise, mostrando como um significante forcluído pode retornar em forma de horror. No caso, do conto interpretado, o conceito do duplo é o elemento principal que faz surgir o desconhecimento do personagem em relação à constituição de sua própria subjetividade.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Aletria, v. 22, n. 1 (2012).Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O Horror na Literatura Gótica e Fantástica (Rhuan Felipe Scomacao da Silva)

Resultado de imagem para gótico e horror“Logo, a literatura de horror em si se ramifica em vários outros gêneros, e nessa grande gama serão encontrados todos os diferentes graus do horror: psicológico, social, alegórico, gótico, ficção científica, fantasia,  entre muitas outras divisões, os quais possuem como função primordial causar o sentimento tão comumente relatado por Lovecraft: o medo. Se colocarmos a definição de horror como sendo um intenso medo e dor, no estado físico, ou medo e desânimo, no estado psicológico, o gênero não pode ficar preso apenas nos conceitos sobrenaturais, pois o horror lidará com a humanidade, com a vida e aquilo que ela propicia ao ser humano. Tendo isso em vista, trataremos o horror como Todorov apresenta, deixemos de lado apenas a classificação por gênero, e nos foquemos naquilo de maior aderência desse tipo de escrita: a tendência em causar o medo. Uma das mais usuais dúvidas entre os leitores e estudiosos do gênero horror/terror é exatamente essa diferença, o porquê de alguns títulos serem discriminados como horror e outros como terror.”

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* Esse ensaio foi publicado originalmente em O Demoníaco na Literatura. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O Horror Cósmico e o policial em “A estranha morte do Professor Antena” (Bruno da Silva Soares)

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“O presente estudo tem como objetivo averiguar se na narrativa de Mário de Sá-Carneiro seria possível existirem pontos tangenciais ao enredo de Lovecraft. Partindo de um consenso comum da crítica acadêmica, pode-se entender que o Medo e o Horror se encontram em diálogo com a hesitação ante os fatos da realidade consensual em conflito com a irrupção de uma outra, de teor sobrenatural, considerando, assim, o Fantástico como zona limítrofe ou includente dos gêneros citados.Não obstante, a tradição do romance gótico, quando trata de teor investigativo, surge com a proposta de embate da razão versus o inaudito, marca constante dos textos de Poe e seus sucessores, como Lovecraft, e pela escolha de corpus desta análise, pode-se afirmar de Sá-Carneiro. Assim, a tradição das narrativas detetivescas de Poe é mantida por Sá-Carneiro com o professor Domingos Antena e sua busca espiritual-científica por outras dimensões. A hesitação, traço fundamental para o gênero fantástico, segundo Todorov, se prenuncia, inclusive, no título da obra escolhida para esta análise, indicando também um paralelismo entre o romance policial e o horror. Com uma diegese representando os elementos clássicos da escola de enigmas, crime, uma investigação e a resolução por método dedutivo, o mistério do enredo parece conter traços pertinentes à estética do horror cósmico, desenvolvida por Lovecraft em seu ensaio O horror sobrenatural em literatura. Essa premissa de paralelismo entre estéticas aparentemente díspares pode se tornar possível dentro do campo narrativo quando se identificam no enredo sá carneriano elementos que são comuns nos enredos lovecraftianos, como a investigação de um suposto evento sobrenatural, coexistência de entidades de fora do mundo empírico e a iminente fatalidade de toda a humanidade.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Fantástico, medo e hesitação: uma questão de leitura (Karla Menezes Lopes Niels)

Dome Head“O leitor de um texto fantástico, e principalmente de horror, precisa envolver-se na narrativa, identificar-se com a personagem e reagir ao que lê. Isso explica o porquê de as narrativas que lidam com temas sobrenaturais fazerem tanto sucesso entre os diversos públicos leitores desde os séculos XVIII e XIX, quando do surgimento dos romances góticos e fantásticos.

Seria, portanto, pertinente a hipótese da participação de um leitor real na construção da narrativa fantástica e, em especial, naquela em que o medo provocado no leitor pelos acontecimentos narrados constitui a força motriz da narrativa?”

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