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Nos subsolos da ópera: uma reflexão teórica acerca do fantástico na narrativa “O Fantasma da Ópera”, de Gaston Leroux (Ana Cristina dos Santos e Jhonatan Rodrigues)

Resultado de imagem para o fantasma da ópera ilustração“O presente artigo possui o escopo de realizar algumas ponderações acerca da narrativa O fantasma da ópera (1911), de Gaston Leroux. Compenetra-se em discussões estritamente teóricas ao apresentar-se a teoria do Fantástico, concernente à literatura, sob as perspectivas teóricas de dois dos mais insignes estudiosos deste eixo temático: David Roas (2014) e Tzvetan Todorov (1980), com o intuito de demonstrar as confluências e discrepâncias entre um e outro autor. Também há uma exposição sumária da obra literária O fantasma da ópera a fim de contextualizar o leitor que não tenha lido o romance. Encerra-se o ensaio em uma reflexão minuciosa sobre o estatuto fantástico/maravilhoso na obra supracitada, partindo da premissa, respaldada pelos argumentos de Roas e Todorov, de que, para ser literatura fantástica, é necessário que haja a presença de um elemento sobrenatural que porá em dúvida a percepção da realidade do leitor.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, nº 05. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


“William Wilson”: o retorno do significante (Ana Maria Agra Guimarães)

Resultado de imagem para william wilson illustration“O presente artigo busca interpretar o conto “William Wilson”, de Edgar Allan Poe, à luz da teoria do fantástico, que tem como característica principal a hesitação, transitando entre a verossimilhança e inverossimilhança e instalando no texto a ambiguidade. O texto também se apoia na psicanálise, mostrando como um significante forcluído pode retornar em forma de horror. No caso, do conto interpretado, o conceito do duplo é o elemento principal que faz surgir o desconhecimento do personagem em relação à constituição de sua própria subjetividade.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Aletria, v. 22, n. 1 (2012).Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O Horror na Literatura Gótica e Fantástica (Rhuan Felipe Scomacao da Silva)

Resultado de imagem para gótico e horror“Logo, a literatura de horror em si se ramifica em vários outros gêneros, e nessa grande gama serão encontrados todos os diferentes graus do horror: psicológico, social, alegórico, gótico, ficção científica, fantasia,  entre muitas outras divisões, os quais possuem como função primordial causar o sentimento tão comumente relatado por Lovecraft: o medo. Se colocarmos a definição de horror como sendo um intenso medo e dor, no estado físico, ou medo e desânimo, no estado psicológico, o gênero não pode ficar preso apenas nos conceitos sobrenaturais, pois o horror lidará com a humanidade, com a vida e aquilo que ela propicia ao ser humano. Tendo isso em vista, trataremos o horror como Todorov apresenta, deixemos de lado apenas a classificação por gênero, e nos foquemos naquilo de maior aderência desse tipo de escrita: a tendência em causar o medo. Uma das mais usuais dúvidas entre os leitores e estudiosos do gênero horror/terror é exatamente essa diferença, o porquê de alguns títulos serem discriminados como horror e outros como terror.”

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* Esse ensaio foi publicado originalmente em O Demoníaco na Literatura. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O Horror Cósmico e o policial em “A estranha morte do Professor Antena” (Bruno da Silva Soares)

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“O presente estudo tem como objetivo averiguar se na narrativa de Mário de Sá-Carneiro seria possível existirem pontos tangenciais ao enredo de Lovecraft. Partindo de um consenso comum da crítica acadêmica, pode-se entender que o Medo e o Horror se encontram em diálogo com a hesitação ante os fatos da realidade consensual em conflito com a irrupção de uma outra, de teor sobrenatural, considerando, assim, o Fantástico como zona limítrofe ou includente dos gêneros citados.Não obstante, a tradição do romance gótico, quando trata de teor investigativo, surge com a proposta de embate da razão versus o inaudito, marca constante dos textos de Poe e seus sucessores, como Lovecraft, e pela escolha de corpus desta análise, pode-se afirmar de Sá-Carneiro. Assim, a tradição das narrativas detetivescas de Poe é mantida por Sá-Carneiro com o professor Domingos Antena e sua busca espiritual-científica por outras dimensões. A hesitação, traço fundamental para o gênero fantástico, segundo Todorov, se prenuncia, inclusive, no título da obra escolhida para esta análise, indicando também um paralelismo entre o romance policial e o horror. Com uma diegese representando os elementos clássicos da escola de enigmas, crime, uma investigação e a resolução por método dedutivo, o mistério do enredo parece conter traços pertinentes à estética do horror cósmico, desenvolvida por Lovecraft em seu ensaio O horror sobrenatural em literatura. Essa premissa de paralelismo entre estéticas aparentemente díspares pode se tornar possível dentro do campo narrativo quando se identificam no enredo sá carneriano elementos que são comuns nos enredos lovecraftianos, como a investigação de um suposto evento sobrenatural, coexistência de entidades de fora do mundo empírico e a iminente fatalidade de toda a humanidade.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Fantástico, medo e hesitação: uma questão de leitura (Karla Menezes Lopes Niels)

Dome Head“O leitor de um texto fantástico, e principalmente de horror, precisa envolver-se na narrativa, identificar-se com a personagem e reagir ao que lê. Isso explica o porquê de as narrativas que lidam com temas sobrenaturais fazerem tanto sucesso entre os diversos públicos leitores desde os séculos XVIII e XIX, quando do surgimento dos romances góticos e fantásticos.

Seria, portanto, pertinente a hipótese da participação de um leitor real na construção da narrativa fantástica e, em especial, naquela em que o medo provocado no leitor pelos acontecimentos narrados constitui a força motriz da narrativa?”

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O profano, o maldito e o marginal: o conto fantástico na literatura brasileira (Karla Menezes Lopes Niels)

52426f167c9e969d3a63d037aa2708d2“Os contos de Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, têm sido considerados como aqueles que inauguram uma produção de cunho fantástico no Brasil que se deu à margem do cânone. A publicação dos contos, em 1855, ensejou uma série de narrativas que foram igualmente consideradas como fantásticas e que na impossibilidade de se circunscrever em determinada escola ou corrente literária foram deixadas de lado. É o caso, por exemplo, d’ A trindade maldita: contos de botequim, de Franklin Távora e dos contos ‘As ruínas da Glória‘, ‘A guarida de pedra’ e ‘As bruxas‘, de Fagundes Varela – obras que esteticamente se afastaram do projeto nacionalista iniciado pelo Romantismo e levado a cabo pelas escolas posteriores. O artigo então se propõe a esclarecer como e por que grande parte da produção fantástica do Brasil ficou esquecida até a segunda metade do século XX, quando do surgimento das primeiras antologias de contos fantásticos que resgataram essa vertente marginalizada da literatura brasileira.”

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Manifestações do medo numa literatura fantástica à brasileira (Karla Menezes Lopes Niels)

“Durante muitos anos, no Brasil, a literatura não pautada na realidade foi, de certo modo, marginalizada pela crítica. Hoje, entretanto, a literatura fantástica ganha cada vez mais espaço entre os estudos literários. Apesar de ainda pouco difundida em nossas letras, é vasta. Autores que não são reconhecidos por uma produção tumblr_mvar14NHTr1syumwko1_500de cunho fantástico, como Álvares de Azevedo e Machado de Assis, ensaiaram contos no gênero. Outros como Murilo Rubião e J.J. Veiga consagraram-se pela produção de uma literatura distanciada do real. Fantástico clássico, realismo mágico, neo-fantástico, horror. Gêneros que não só partilham uma origem comum, como também o efeito estético que produzem: o medo – sentimento potencializador dos efeitos emocionais e psicológicos que esse tipo de narrativa pode exercer sobre o seu leitor ao questionar a realidade e a veracidade daquilo que o homem conhece do mundo que o cerceia. O homem teme tudo aquilo que desconhece ou que não pode controlar. Por isso as supertições são tão afloradas em diversas culturas da humanidade. O gênero tem explorado essa característica pela via da incerteza, possibilitando que o medo se manifeste. É a partir dessas considerações que pretendemos analisar como o medo tem se manifestado em nossa literatura, em especial, na de cunho fantástico.”

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