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Um perigo dentro da noite: os monstros urbanos em João do Rio (Pedro Sasse)

“Hoje é fácil perceber a presença desse medo relacionado aos perigos da cidade, seja nas obraScreen Shot 2015-04-03 at 11.59.52 AMs de autores como Rubem Fonseca, seja em sucessos recentes do cinema nacional. Porém, para visualizar um panorama mais amplo dessa estética, pode valer a pena retroceder até os primórdios dessa tradição, ao velho Rio, antes de ser a Cidade Maravilhosa.   Para este trabalho escolhi dois contos da obra que revelam faces bem diferentes do que anda pela noite. De um lado, temos Rodolfo, um trabalhador, noivo, de boa família, que acaba se tornando um maníaco sádico, à busca de vítimas pela rua. Do outro, temos o requintado Barão de Belfort, um homem de poder, rico, frequentador de grandes clubes, porém dotado de um mal: só consegue ter emoções quando as vivencia através de outrem. Sendo assim, busca suas vítimas e as usa, corrompe e manipula, vampirizando suas vidas em busca de prazer. Não desejo aqui fazer uma análise profunda de ambos os textos, mas demonstrar como o agente do medo funciona nas duas obras.”

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Emoções (João do Rio)

Victorian_Men“(…) — Que tal achaste o Osvaldo? É o meu estudo agora. Havia meia hora que me roubava escandalosamente… Não lhe disse nada. Ainda é possível salva-lo…

— Quer perdê-lo? indaguei habituado ás excentricidades desse álgido ser.

— Oh! Não, quero gozá-lo. Tu sabes, o homem é um animal que gosta. O gosto é que varia. Eu gosto de ver as emoções alheias, não chego a ser o bisbilhoteiro das taras do próximo, mas sou o gozador das grandes emoções de em torno. Ver sentir, forçar as paixões, os delírios, os paroxismos sentimentais dos outros é a mais delicada das observações e a mais fina emoção.

— Oh! Ser horrível e macabro!

— Seja; horrível, macabro, mas delicado. É por isso que eu não quero perder o Osvaldo, quero apenas gozá-lo. Preciso não limitar a minha ação humana aos passeios pelo Oriente, às coleções autênticas e a alguns deboches nos restaurantes de grão tom. Mas daí a perdê-lo, c’est trop fort… (…)”

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