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Elementos decadentistas em “O estranho caso de Dr Jekyll e Mr Hyde” (Alexander Meireles da Silva)

“(…) a novela de Robert Louis Stevenson O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr Hyde possui elementos que permitem sua leitura como uma obra Decadentista inglesa. Escrito apenas dois anos depois de À rebours tumblr_mche8cfdfq1r2w8eqo1_500 a partir dos pesadelos de toda uma vida marcada pelo conflito entre o rígidos e hipócritas códigos sociais vitorianos e um espírito boêmio subjugado pela saúde deteriorada e pelos valores burgueses da época, a narrativa de Stevenson é, nas palavras do romancista inglês John Fowles ‘o guia por excelência da Era Vitoriana’, dada a sua capacidade de refletir a fragmentação do homo oeconomicus perante as labirínticas questões postadas pelo cenário finissecular. Por esta razão, além de se colocar como um representante da revitalização da literatura gótica em fins do século XIX ao lado de Drácula e do próprio O retrato de Dorian Gray, Dr Jekyll e Mr Hyde também demonstra como o Decadentismo encontrou suas primeiras manifestações na prosa da literatura inglesa vitoriana vindo a se tornar mais uma fonte de influência para Oscar Wilde.”

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Da literatura ao teatro: a eterna luta entre o Bem e o Mal nas figuras do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde (Carlos Eduardo Pinheiro)

dr-jekyll-and-mr-hyde1“Dentre as questões de ordem metafísica que acompanham a trajetória do homem ao longo da História, a luta maniqueísta entre o princípio do Bem e o princípio do Mal sempre motivou a criação artística, como uma temática de peso, envolvendo o ser humano numa luta eterna e titânica entre essas duas forças ou, em outro patamar, entre abnegação e desejo, entre medo e anseio, entre honestidade e corrupção, entre ordem e desordem. Sob este ponto de vista, a obra O médico e o monstro, de Robert Louis Stevenson, personifica esses dois princípios abstratos, Bem e Mal, em dois protagonistas que vivem um embate interior entre desejos e conseqüências: o doutor Jekyll e o senhor Hyde. Saindo das páginas da novela e ganhando os palcos do teatro, o musical Jekyll and Hyde, baseado na obra de Stevenson, dá um novo trato a essa luta mítica entre as duas forças antagônicas, revitalizando e reconstruindo a temática da novela em questão. (…)”

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O médico e o monstro (Robert Louis Stevenson)

“(…) Os poderes de Hyde pareciam ter aumentado com a enfermidade de Jekyll. E o ódio que agora os dividia era igual em ambas as partes. No caso de Jekyll, era um instinto vital. Agora, havia visto toda a deformidade daquela criatura que compartilhava consigo alguns dos fenómenos da consciência e seria co-herdeira da sua morte. Para além desses vínculos, que em si constituíam a parte mais patética da sua desgraça, considerava Hyde e toda a sua energia vital como algo não só de infernal, mas também de inorgânico. E essa era a coisa mais espantosa: que a lama da tumba pudesse emitir gritos e vozes, que o pó amorfo gesticulasse e pecasse, que o que estava morto e sem forma usurpasse as funções da vida. E, sobretudo, ter consciência de que esse horror que surgia lhe estava ligado de um modo mais íntimo que uma esposa, mais que os seus próprios olhos, encerrado na sua própria carne, onde o sentia a gemer e a lutar por renascer. E a cada momento de fraqueza, na confiança do sonho profundo, prevalecia sobre ele, despojando-o da vida. O ódio de Hyde para com Jekyll era de natureza diferente. O terror da forca levava-o continuamente a suicidar-se temporariamente e a regressar à sua condição subordinada de parte em vez de pessoa; mas detestava essa necessidade, detestava esse desânimo em que Jekyll estava agora mergulhado e ressentia-se com o desprezo com que este o olhava. Daí os gestos simiescos com que me obsequiava, escrevendo com o meu punho e letra blasfémias nas páginas dos meus livros, queimando cartas de meu pai e destruindo o seu retrato. Claro que se não tivesse sido por medo da morte, há já muito tempo que teria procurado a sua própria ruína com a única finalidade de me arrastar a mim também. Mas o seu amor pela vida é formidável: irei mais longe: eu, que fico doente e que sinto um frio terrível só de pensar nele, quando recordo o seu apego abjecto e apaixonado à vida, quando me dou conta de como ele receia o poder que eu possuo para o eliminar mediante o suicídio, sinto pena dele no-mais profundo do meu coração. (…)”

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