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O diabo como instância moralizadora em conto de Sade (Nicole Ayres Luz)

Resultado de imagem para sade devil illustration“O presente trabalho tem por objetivo analisar o processo de figuração da personagem do diabo no conto “Aventura incompreensível atestada por toda uma província”, do Marquês de Sade. Tal processo guarda características que o distingue das demais personagens cuja figuração aponta para o protocolo realista, e tem por efeito o medo. Esse efeito é assegurado pelo modo como a personagem é construída, com a presença de diversos índices que sugerem sua existência ambígua e seu caráter maligno. A descrição provoca incerteza quanto a sua natureza e seu poder de malignidade, o que suscita o medo no leitor. O viés moralizante da obra vai de encontro à proposta estética do próprio Sade no prefácio à antologia Os Crimes do Amor, intitulado “Nota sobre romances ou a arte de escrever ao gosto do público”, em que discorre sobre as representações do vício e da virtude, de acordo com a natureza humana. Por fim, considera-se o efeito de medo artístico, conforme classificação de Júlio França, gerado por tais personagens: o barão castigado e o diabo punitivo. O leitor, por um lado, é capaz de fruir a narrativa sem correr riscos reais e, por outro, teme por suas próprias escolhas, se o insólito for tomado como referência possível para compreender o mundo racional. O próprio título já revela certa ambiguidade, pois a situação, apesar de incompreensível, foi confirmada por toda a província, evidência que o narrador enfatiza logo no começo do conto.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos anais do III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional (SEPEL 2016). Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.

 


O medo e o demo: um ensaio sobre a relação do medo com as representações do diabo na literatura (Ricardo Gomes da Silva)

“O Diabo ocupa um constante e importante lugar no imaginário da cultura ocidental. Não menos constante e importante é seu lugar na literatura, sobretudo durante e após a Idade Média. São tantas as Witchcraftrepresentações do Diabo na literatura que podemos afirmar a existência de uma espécie de categoria dos personagens-diabo. ‘Categoria de personagem’ e não simplesmente personagem, pois as representações do Diabo na literatura são as mais diversas possíveis. (…)”

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O Diabo como manifestação do fantástico no conto “O jovem Goodman Brown” (Fabianna S. B. Carneiro)

“Através deste trabalho faremos um recorte no conto ‘O jovem Goodman Brown’8291981_orig(1835), do autor Nathaniel Hawthorne, que nos possibilita uma leitura não só do medo em relação à figura demoníaca, bem como outras leituras envolvendo a presença do fantástico, além de questões sociais e emocionais que abarcam o homem puritano norte-americano temente à sua religião. Não se trata de um trabalho conclusivo, mas sim analítico, portanto a metodologia se sustenta em pesquisa bibliográfica e tem como suporte teórico textos de autores como Robert Muchembled, Remo Ceserani, Edmund Leites, Jean Delumeau, Alberto Cousté, além de outros que serão devidamente citados ao longo do artigo.”

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O Jovem Goodman Brown (Nathaniel Hawthorne)

” (…) A partir daquela noite, ele se tornou um homem triste, desconfiado e estranhamente pensativo, para não dizer desesperado. No dia do sabá, quando a congregação estava cantando um salmo sagrado, uma canção pecaminosa soprava alto em sua orelha e afogava toda a melodia sagrada, impedindo-o de ouvir. Quando o pastor falava do púlpito com poder e férvida eloquência, e com a mão sobre a Bíblia aberta, explicando as verdades sagradas da nossa religião, e contando vidas santificadas e mortes triunfantes, pregando felicidades no futuro ou miséria indizível, Goodman Brown empalidecia, cheio de medo de que o telhado desabasse sobre o blasfemo grisalho e sua plateia (…)”

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O satanás de Iglawaburg (Adelpho Monjardim)

lucifer-rising“(…) Confesso, que sem ser medroso, naquela noite tive medo do diabo, ente que eu cria só para assustar crianças. Em tropel galgamos, os quatro, a escadaria de pedra que dava acesso ao último compartimento do torreão. O quarto estava aberto e fracamente iluminado por um lampião de querosene, colocado sobre uns caixotes. Reinava grande desordem naquele depósito de velharia impres­táveis. A janela estava aberta. Entramos no aposento. De Radeck nem sinal. Deparei com a tela de Satanás. Diante da realidade era bem apagada a descrição feita por Nicoláo. O Satanás que ali estava era o verdadeiro rei do Averno com toda a sua hediondez; meio corpo nu, ligeiramente encurvado, mãos crispadas e garras aduncas. E que olhar temeroso! Olhei para Nicoláo. Mortalmente páli­do, o seu corpo tremia. – Radeck! Radeck! Como louco se pôs a gritar. (…)”

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