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O medo e o demo: um ensaio sobre a relação do medo com as representações do diabo na literatura (Ricardo Gomes da Silva)

“O Diabo ocupa um constante e importante lugar no imaginário da cultura ocidental. Não menos constante e importante é seu lugar na literatura, sobretudo durante e após a Idade Média. São tantas as Witchcraftrepresentações do Diabo na literatura que podemos afirmar a existência de uma espécie de categoria dos personagens-diabo. ‘Categoria de personagem’ e não simplesmente personagem, pois as representações do Diabo na literatura são as mais diversas possíveis. (…)”

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O Diabo como manifestação do fantástico no conto “O jovem Goodman Brown” (Fabianna S. B. Carneiro)

“Através deste trabalho faremos um recorte no conto ‘O jovem Goodman Brown’8291981_orig(1835), do autor Nathaniel Hawthorne, que nos possibilita uma leitura não só do medo em relação à figura demoníaca, bem como outras leituras envolvendo a presença do fantástico, além de questões sociais e emocionais que abarcam o homem puritano norte-americano temente à sua religião. Não se trata de um trabalho conclusivo, mas sim analítico, portanto a metodologia se sustenta em pesquisa bibliográfica e tem como suporte teórico textos de autores como Robert Muchembled, Remo Ceserani, Edmund Leites, Jean Delumeau, Alberto Cousté, além de outros que serão devidamente citados ao longo do artigo.”

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O Jovem Goodman Brown (Nathaniel Hawthorne)

” (…) A partir daquela noite, ele se tornou um homem triste, desconfiado e estranhamente pensativo, para não dizer desesperado. No dia do sabá, quando a congregação estava cantando um salmo sagrado, uma canção pecaminosa soprava alto em sua orelha e afogava toda a melodia sagrada, impedindo-o de ouvir. Quando o pastor falava do púlpito com poder e férvida eloquência, e com a mão sobre a Bíblia aberta, explicando as verdades sagradas da nossa religião, e contando vidas santificadas e mortes triunfantes, pregando felicidades no futuro ou miséria indizível, Goodman Brown empalidecia, cheio de medo de que o telhado desabasse sobre o blasfemo grisalho e sua plateia (…)”

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O satanás de Iglawaburg (Adelpho Monjardim)

lucifer-rising“(…) Confesso, que sem ser medroso, naquela noite tive medo do diabo, ente que eu cria só para assustar crianças. Em tropel galgamos, os quatro, a escadaria de pedra que dava acesso ao último compartimento do torreão. O quarto estava aberto e fracamente iluminado por um lampião de querosene, colocado sobre uns caixotes. Reinava grande desordem naquele depósito de velharia impres­táveis. A janela estava aberta. Entramos no aposento. De Radeck nem sinal. Deparei com a tela de Satanás. Diante da realidade era bem apagada a descrição feita por Nicoláo. O Satanás que ali estava era o verdadeiro rei do Averno com toda a sua hediondez; meio corpo nu, ligeiramente encurvado, mãos crispadas e garras aduncas. E que olhar temeroso! Olhei para Nicoláo. Mortalmente páli­do, o seu corpo tremia. – Radeck! Radeck! Como louco se pôs a gritar. (…)”

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