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“A alma encantadora das ruas” e “Dentro da noite”: João do Rio e o medo urbano na literatura brasileira (Julio França)

cropped-niebla“(…) Quando não é personificado e transformado na própria personagem monstruosa ­­ – casos, por exemplo, da mansão Crane em The Haunting of Hill House (1959), de Shirley Jackson, e do Hotel Overlook, em The Shinning (1977), de Stephen King, dois romances já clássicos do gênero –, o espaço narrativo é sempre responsável direto por conferir à personagem monstruosa grande parte de seu poder de provocar o medo e outras emoções correlatas. Mais do que um simples elemento constitutivo do texto narrativo, o espaço, na literatura do medo, pode se transformar em um topos literário, como ocorre nos inúmeros contos que tematizam locais mal-assombrados. (…)”

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O mal e a cidade: o “medo urbano” em “Dentro da Noite”, de João do Rio (Julio França e Pedro Sasse)

711e8455703238623ab0e6ab11bcfc1f_large“Através da leitura de alguns contos do livro Dentro da noite, de João do Rio,  o ensaio descreve dois aspectos da literatura do medo no Brasil: (i) o caráter não sobrenatural das fontes do medo artístico no Brasil e (ii) a ascensão do espaço urbano como o ambiente privilegiado para as manifestações do mal moderno em narrativas ficcionais brasileiras.”

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Um perigo dentro da noite: os monstros urbanos em João do Rio (Pedro Sasse)

“Hoje é fácil perceber a presença desse medo relacionado aos perigos da cidade, seja nas obraScreen Shot 2015-04-03 at 11.59.52 AMs de autores como Rubem Fonseca, seja em sucessos recentes do cinema nacional. Porém, para visualizar um panorama mais amplo dessa estética, pode valer a pena retroceder até os primórdios dessa tradição, ao velho Rio, antes de ser a Cidade Maravilhosa.   Para este trabalho escolhi dois contos da obra que revelam faces bem diferentes do que anda pela noite. De um lado, temos Rodolfo, um trabalhador, noivo, de boa família, que acaba se tornando um maníaco sádico, à busca de vítimas pela rua. Do outro, temos o requintado Barão de Belfort, um homem de poder, rico, frequentador de grandes clubes, porém dotado de um mal: só consegue ter emoções quando as vivencia através de outrem. Sendo assim, busca suas vítimas e as usa, corrompe e manipula, vampirizando suas vidas em busca de prazer. Não desejo aqui fazer uma análise profunda de ambos os textos, mas demonstrar como o agente do medo funciona nas duas obras.”

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Emoções (João do Rio)

Victorian_Men“(…) — Que tal achaste o Osvaldo? É o meu estudo agora. Havia meia hora que me roubava escandalosamente… Não lhe disse nada. Ainda é possível salva-lo…

— Quer perdê-lo? indaguei habituado ás excentricidades desse álgido ser.

— Oh! Não, quero gozá-lo. Tu sabes, o homem é um animal que gosta. O gosto é que varia. Eu gosto de ver as emoções alheias, não chego a ser o bisbilhoteiro das taras do próximo, mas sou o gozador das grandes emoções de em torno. Ver sentir, forçar as paixões, os delírios, os paroxismos sentimentais dos outros é a mais delicada das observações e a mais fina emoção.

— Oh! Ser horrível e macabro!

— Seja; horrível, macabro, mas delicado. É por isso que eu não quero perder o Osvaldo, quero apenas gozá-lo. Preciso não limitar a minha ação humana aos passeios pelo Oriente, às coleções autênticas e a alguns deboches nos restaurantes de grão tom. Mas daí a perdê-lo, c’est trop fort… (…)”

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