Arquivo da tag: decadentismo

The Tutu, morals of the Fin de Siècle: recepção e conjecturas acerca de romance decadentista sob os signos fatais do dandismo e do espaço gótico (Luciana Moura Colucci de Camargo)

“Este ensaio analisa a obra The Tutu, Morals of the Fin de Siècle (1891), atribuída ao escritor e editor francês Léon Genonceaux (1856-1905?), a partir de seu diálogo entre a estética decadentista e a gótica. Sob o viés dos signos fatais do Decadentismo – o dandismo, a androginia e a artificialidade como simulacro – Tccf11052010_00007he Tutu narra as aventuras excêntricas do jovem dândi Maurice Noirof em busca de sensações raras que afrontam os “códigos” sociais, religiosos e sexuais vigentes em Paris ao final do século XIX. Por sua natureza decadentista, ainda apresenta um tom macabro. The Tutu suscita naturalmente o diálogo com o Gótico e, portanto, valoriza o espaço como relevante para sua estrutura narrativa. É justamente da peculiar ligação de Noirof com o espaço que surge uma atmosfera soturna e lúgubre em que o medo, a angústia, o monstruoso e a busca por experiências exóticas da personagem definem o enredo. Portanto, o conjunto dessas injunções estéticas, formais e temáticas frisa a relevância de The Tutu para a contemporaneidade, justificando assim um estudo mais aprofundado desta narrativa, considerada pela crítica uma das obras mais estranhas, misteriosas e fascinantes já escritas, a “sort of ultimate decadent novel”, nas palavras de Genonceaux.”

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Emoções e a perversidade do Barão Belfort: discurso e decursos do sujeito na modernidade (Bruno Tardin)

“Ao longo deste estudo de caso acerca do Barão André Belfort, presente no conto Emoções da coletânea de João do Rio29029a6f21961eb29e99c09f892ba3e0 intitulada Dentro da noite, nota-se o papel desta personagem enquanto sujeito perversor e porta-voz das várias déviances urbanas e depravações amorais que configuravam o modus vivendi da elite burguesa carioca do início do século XX. Aqui, vê-se como a bivalência cultural propagada pela modernidade irá ser refletida no ego urbano e moderno, que se encontra no limiar entre o luxo dos bairros centrais e a miséria das periferias, o que explica a natureza vertiginosa da modernidade, mascarada por um gosto art noveau que, por um lado, instigava o imaginário cultural dessa sociedade, e por outro garantia os espaços de liminaridade nos quais se exprimiam, com elegância e perversidade, as pulsões sufocadas deste grupo culturalmente definido pela Belle Époque carioca. Isto, portanto, é o que se busca observar na personagem do Barão Belfort: a natureza glamorosa e cruenta da personagem, na qual a elegância mascara a sordidez e desvela a própria cidade a partir do sujeito que a constitui e representa.”

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Espaços tropicais da literatura do medo: traços góticos e decadentistas em narrativas ficcionais brasileiras do início do século XX (Júlio França)

“Nas narrativas ficcionais, a construção do locus horribilis é essencial para a produ1e97210e8af65ca92df38efa0fac92f0ção do medo como efeito de recepção. As características objetivas dos espaços narrativos são tão importantes quanto a percepção subjetiva que personagens e os próprios leitores têm do ambiente. Tais percepções não são, na maioria das vezes, idiossincráticas, mas respondem a determinadas condições culturais. Buscando descrever como o tempo histórico da narração afeta as paisagens do medo, tomamos três contos de Gastão Cruls (‘Noites brancas‘, ‘No embalo da rede‘ e ‘O espelho‘), para demonstrar a influência da estética e da visão de mundo gótico-decadentistas em narrativas brasileiras do início do século XX.”

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Elementos decadentistas em “O estranho caso de Dr Jekyll e Mr Hyde” (Alexander Meireles da Silva)

“(…) a novela de Robert Louis Stevenson O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr Hyde possui elementos que permitem sua leitura como uma obra Decadentista inglesa. Escrito apenas dois anos depois de À rebours tumblr_mche8cfdfq1r2w8eqo1_500 a partir dos pesadelos de toda uma vida marcada pelo conflito entre o rígidos e hipócritas códigos sociais vitorianos e um espírito boêmio subjugado pela saúde deteriorada e pelos valores burgueses da época, a narrativa de Stevenson é, nas palavras do romancista inglês John Fowles ‘o guia por excelência da Era Vitoriana’, dada a sua capacidade de refletir a fragmentação do homo oeconomicus perante as labirínticas questões postadas pelo cenário finissecular. Por esta razão, além de se colocar como um representante da revitalização da literatura gótica em fins do século XIX ao lado de Drácula e do próprio O retrato de Dorian Gray, Dr Jekyll e Mr Hyde também demonstra como o Decadentismo encontrou suas primeiras manifestações na prosa da literatura inglesa vitoriana vindo a se tornar mais uma fonte de influência para Oscar Wilde.”

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Victor Silva, poeta decadentista (Fernando Monteiro de Barros)

“(…) É principalmente pelo viés do gótico que se dá o liame entre Romantismo e Decadentismo, liame este proficuamente analisado por Mario Praz (1988, 1996), um dos principais teóricos da estética de Wilde e Huysmans. O gótico literário de fins do século XVIII e começo do século XIX é um estilo que, aaerosdecadente290mais que nenhum outro talvez, caracteriza-se, além da atmosfera aterrorizante, pelo cenário e pela decoração (WILLIAMS, 1995, p. 14), que lhe conferem um caráter de teatralidade e simulacro. Cristalizado em clichês que chegaram até o nosso século com os vampiros e castelos mal-assombrados do cinema e da televisão, o esteticismo gótico, antes de sua popularização midiática, já era massificado nos folhetins ingleses de meados do século XIX e no teatro de variedades e vaudeville franceses da década de 1820 (LECOUTEUX, 2005, p. 21), que popularizaram a tradução francesa do conto The Vampyre (1819) de John Polidori, texto-marco da literatura do gênero. Assim, ao fazerem uso de imagens já em fins do século XIX tão marcadas pelo chavão, os escritores decadentistas não apenas obtinham o tom mórbido de que tanto gostavam como também exibiam acintosamente as marcas da pura impostação de seu texto literário, tecido sob o signo do artifício. (…)”

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Um monstro entre nós: a ascensão da literatura gótica no Brasil da Belle Époque (Alexander Meireles da Silva)

“Diferente do que pode ser observado na Literatura Norte-Americana, a Literatura Gótica no Brasil apareceu durante o Ultra-Romantismo, através de Álvares de Azevedo e o seu Noite na taverna (1855), mas 818-la-belle-epoquenão criou raízes devido a diferentes razões. No entanto, semelhante às criaturas que habitam a sua narrativa, a Literatura Gótica ressurgiu das trevas no Brasil do início do século vinte para mais uma vez assombrar a cena literária brasileira. Esse ressurgimento ocorreu durante o período histórico conhecido como a República Velha (1889-1930) e, mais especificamente, na época da Belle Époque carioca (1889-1918), quando a ciência e o progresso mudaram a face do Rio de Janeiro. Ao lançar luzes sobre esse obscuro e pouco explorado momento da Literatura Brasileira este trabalho busca contribuir para o entendimento do desenvolvimento do Fantástico e do próprio romance em nosso meio. Para realizar este propósito este artigo pretende demonstrar como os escritores Coelho Neto e João do Rio desempenharam um papel chave no desenvolvimento da Literatura Gótica brasileira pelo diálogo que suas obras apresentaram com as convenções literárias da Literatura Gótica Britânica e Norte-Americana.”

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Decadentismo e Vampirismo: o Conde Eric Stenbock (Fernando Monteiro de Barros)

“Em 1816, Lord Byron dava início a uma profícua linhagem de vampiros na literatura, ‘homens fatais’ que traziam a marca do dandismo e pareciam, várias décadas antes, prenunciar a flânerie de Charles Baudelaire. A partir de tais precursores, a década finissecular de 1890 vê surgir, na Inglaterra, o conto vampiresco “The true story of a vampire”, do conde Eric Stenbock, publicado três anos antes do célebre “Dracula”, de Bram Stoker (1897).

Contemporâneo de Oscar Wilde, Stenbock era um dos mais controvertidos e comentados dândis da Londres vitoriana, cultivando um gosto não apenas por jovens rapazes mas também por longas capas, caixões, entorpecentes, morte e decadência, fiel, pois, ao ‘código de Charlus’. No conto em questão, o autor, ao escrever sobre o vampiro, escreve sobre si próprio, rasurando assim os limites entre textualidade e sexualidade, em consonância, pois, com os pressupostos decadentistas de sobreposição entre vida e arte.”

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