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Funções do mito na obra de Howard Phillips Lovecraft (Caio Alexandre Bezarias)

“O objetivo desta pesquisa é investigar a função e importância do mito na obra de Hoorig_cthulhu_rising_by_somniturne1ward Phillips Lovecraft, escritor norte-americano considerado um dos mais importantes artífices da literatura fantástica moderna, notadamente por seu mais importante e influente grupo de narrativas, um grupo de doze histórias conectadas entre si, conhecido como “ciclo de Cthulhu”, justamente o centro de nossa pesquisa, que pretende demonstrar como o uso de um mito cosmogônico (aquele que narra a origem e a ordenação do cosmos), como base desse conjunto de narrativas, é um elemento fundamental do mesmo, o qual é uma crítica radical, ainda que niilista e reacionária, ao mundo administrado pela racionalidade técnica. Nossa intenção final é revelar o sentido da obra máxima de Lovecraft, seu valor como uma intensa e dialética crítica ao mundo industrial e urbano moderno.”

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“Dagon”, “O intruso” e “O inominável”: uma leitura do insólito na composição do horror cósmico de H. P. Lovecraft (Bruno da Silva Soares)

“O ensaio se propõe a analisar o insólito e sua relação com o horror na obra ficcional do escritor americano Howard Philips Lovecraft. O corpus escolhido para esta análise é composto de três contos do autor: O Inominável, O Intruso e Dagon. Cada um apresenta uma construção singular do uso da estética lovecraftiana, propiciando à análise, concepções plurais de sua estética. O Inominável uma escolha que, dentre as três obras, podemos considerar como a que mais se concentra no que poderíamos chamar de estilo lovecraftiano, serve-nos de base comparatista. Já O Intruso, inverte o foco narrativo tradicional do horror: o horror parte do sobrenatural para o real, criando uma atmosfera incomum. Por fim, Dagon sustenta-se no Cthulhu Mythos, o panteão cosmogônico criado por Lovecraft e que vem sendo ampliado por outros autores posteriores.”

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O inominável (H. P. Lovecraft)

“(…) Estávamos sentados numa sepultura dilapidada do Século XVII, no final de uma tarde de outono, no velho cemitério de Arkham, especulando sobre o inominável. Fitando o salgueunnamable_by_sbkmulletman-d3r7ppriro gigante do cemitério cujo tronco havia quase engolfado uma lápide antiga e ilegível, fiz uma observação macabra sobre os nutrientes espectrais e indizíveis que as raízes colossais deviam estar sugando daquela terra sepulcral e antiga, e meu amigo me repreendeu por semelhante asneira dizendo-me que, como ninguém fora sepultado ali havia mais de um século, não devia existir nada para nutrir a árvore que fosse diferente dos meios naturais. Ademais, acrescentou, minhas conversas constantes sobre coisas “inomináveis” e “indizíveis” eram um recurso muito pueril, muito condizente com a minha condição de escritor menor. Eu gostava de arrematar minhas histórias com sons ou suspiros que paralisavam as faculdades de meus heróis, tirando-lhes coragem, palavras ou associações de idéias para relatar o que haviam passado. Só conhecemos as coisas, dizia ele, por meio dos cinco sentidos ou de nossas intuições religiosas, razão por que era impossível referir-se a qualquer objeto ou aspecto que não pudesse ser claramente descrito pelas definições sólidas dos fatos ou pelas doutrinas apropriadas da teologia (…)”

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O intruso (H. P. Lovecraft)

“(…) Os gritos eram apavorantes e, quando fiquei sozinho e atônito no salão brilhante escutando o apagar de seus ecos, estremeci imaginando o que poderia estar invisível à espreita, ao meu lado. A primeira vista, o salão me pareceu deserto, mas, quando caminhei na direção de uma das recâmaras, pensei ter vislumbrado ali uma presença — uma sugestão de movimento além da passagem em arco dourada que conduzia para um salão parecido com o primeiro. Aproximando-me do arco, comecei a perceber melhor aquela presença e, então, com o primeiro e último som que jamais proferi — um uivo pavoroso que me causou quase tanta repugnância quanto a coisa medonha que o causara —, enxerguei, com plena e apavorante nitidez, a inconcebível, indescritível e indizível monstruosidade que, com seu mero surgimento, havia transformado um grupo alegre numa horda de fugitivos delirantes. (…)”

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Dagon (H. P. Lovecraft)

“(…) É durante a noite, especialmente quando a lua está muito curva e minguante, que eu vejo a coisa. Tentei a morfina, mas a droga deu-me apenas um alívio temporário e arrastou-me para suas garras como um escravo sem esperança. Sim, tendo escrito um relato completo para a informação ou a ddagonesdenhosa diversão de meus semelhantes, agora pretendo acabar com tudo. Muitas vezes me pergunto se tudo não teria passado de pura fantasmagoria — uma simples fantasia febril enquanto eu jazia, castigado pelo sol e delirante, naquele barco descoberto depois de minha fuga do vaso de guerra alemão. Isso eu me pergunto, mas sempre me vem uma visão terrivelmente pavorosa em resposta. Não consigo pensar no mar profundo sem estremecer com as coisas inomináveis que podem, neste exato momento, estar arrastando-se e espojando-se em seu leito lamacento, adorando seus antigos ídolos de pedra e cinzelando à sua própria e detestável semelhança em obeliscos submarinos de granito encharcado. Sonho com o dia em que elas poderão ascender acima dos vagalhões para arrastar para o fundo, com suas garras fétidas, os remanescentes de uma humanidade debilitada, exaurida pela guerra — o dia em que a terra poderia afundar e o escuro leito do oceano erguer-se em meio a um pandemônio universal. (…)”

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O horror de Dunwich (H.P.Lovecraft)

“(…) O Dr. Armitage – associando o que estava lendo com o que ouvira  sobre Dunwich e as inquietantes 4c39b0bdce2e1ba5presenças que por lá pairavam e sobre Wilbur Whateley e sua aura débil e hedionda, que se estendia desde um nascimento dúbio até indícios de um provável matricídio – sentiu uma onda de temor tão tangível quanto uma corrente vinda da fria viscosidade de um túmulo. O gigante caprino e encurvado diante dele assemelhava-se à prole de um outro planeta ou dimensão; como algo parcialmente humano e ligado a golfos negros de essência e entidade que se estendiam como fantasmas titânicos além de todas as esferas de força e matéria, espaço e tempo. (…)”

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