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O Medo nas crianças de Clarice Lispector (Carolina Luiza Prospero)

criança com medo“Neste trabalho, buscaremos investigar a temática do medo em contos de Clarice Lispector que tenham crianças como personagens principais. O medo está presente em muitas das narrativas da autora, assumindo um papel de destaque no desenvolvimento de suas histórias. No caso da infância, ele surge como resposta à prematuridade das descobertas que a autora impõe às suas personagens. Comparando os textos de Lispector com alguns dos mais famosos contos da literatura de horror – como William Wilson e O gato preto, de Edgar Allan Poe – esperamos esclarecer os elementos que aproximam e que afastam a autora deste gênero literário, investigando o seu papel nesta tradição”.

Leia aqui o ensaio completo.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente Anuário de Literatura vol. 13, n. 2, 2008. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

 

 


No temor da inocência: a imagem do mal com a aparência infantil em narrativas populares no séc. XX (Soraia Cristina Balduíno)

md_a200e967e92c-creepyhalloweencostumes_pumpkin“Desde a configuração do ideal de infância no séc. XIII até sua evolução para o que se considera criança na era contemporânea, em muitas representações e iconografias aliava-se esta representação de fragilidade, ingenuidade, pureza, beleza, e sobretudo, inocência, geralmente sagrava-se a criança como alegria da alma ou ser angélico. No entanto, algumas obras literárias escritas no séc. XX trataram de focalizar outros ares para a inocência, revertendo-as ao um mal perturbador, onde o inocente e o sagrado são transmutados para o profano e aliado a imagem do que a sociedade considera como mal e monstruoso. O presente trabalho tem por objetivo analisar a imagem do mal tendo como veículo a aparência infantil em narrativas literárias – em conjunto com suas adaptações cinematográficas – do final da década de 50 até os meados dos anos 70 do século XX. Portanto, foram escolhidas quatro obras de populares para ilustrar esta proposta, nas quais temos crianças como agentes principais ou fatores associados e próximos, sendo: The Midwich Cuckoos (1957) de John Wydham; O Bebe de Rosemary (Rosemary’s Baby, 1961) de Ira Levin; O exorcista (The exorcist, 1971) de William Peter Blatty e o conto do escritor popular de histórias de horror Stephen King,  As Crianças do Milharal (Children of the Corn), do livro de contos Sombras da Noite (Night Shift, 1976). Para apontar aspectos sobre o conceito de infância, a primeira parte deste artigo fará uma breve explanação sobre o “sentimento de infância”.”

Leia aqui o ensaio completo

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do I Colóquio “Vertentes do Fantástico na Literatura”. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


A volta do parafuso (Henry James)

“(…) O dia estava bastante cinzen­to, mas ainda não havia cessado a luz da tarde, o que me permitiu, ao transpor a porta, não apenas reconhecer as minhas luvas, que estavam sobre uma cadeira, junto TheTurnOftheScrewIllustrationByLyndWard565a uma grande janela, como, também, notar a presença de uma pessoa do outro lado da janela, a olhar para dentro através da vidraça. Bastou que eu desse apenas um passo na sala: a visão foi clara e instantânea. A pessoa que olhava, fixamente, para dentro, era a pessoa que já me havia aparecido. Surgiu, assim, de novo, não digo com maior nitidez, pois isso seria impossível, mas com uma proximidade que revelava um progresso em nossas relações e que me fez, logo que a vi, perder o fôlego e ficar gelada da cabeça aos pés. Era o mesmo, era o mes­mo, e eu podia vê-lo, essa vez, como o vira antes, da cintura para cima, pois, embora a sala de jantar estivesse situada no andar térreo, a janela não descia até o terraço em que ele estava de pé. Tinha o rosto muito per­to da vidraça, mas essa segunda e mais próxima visão teve sobre mim, por estranho que pareça, o único efeito de mostrar-me quão intensa havia sido a primeira. Não permaneceu ali senão alguns segundos — mas o bas­tante para convencer-me de que também me havia visto e reconhecido. Quanto a mim, era como se eu o houvesse estado olhando durante anos e o houvesse conhecido sempre. Essa vez, no entanto, aconteceu algo que não havia acontecido antes. Seu olhar, fixo em mim através da vidraça e ao longo do aposento, era profundo e duro como da primeira vez, mas afastou-se de minha pessoa por um momento, durante o qual pude segui-lo e ver que se fixava, sucessivamente, em vários objetos. Incontinenti, tive um duplo e instantâneo choque: a certeza de que ele não viera por minha causa. Viera em busca de outra pessoa. (…)”

Leia aqui o conto completo, em inglês


Terror à brasileira: narrativas de medo para crianças e adolescentes (Rosa Gens)

“Por que dar atenção a narrativas que se centralizam no medo? Basta pensar, inicialmente, no movimento de fascinação que crianças e jovens têm apresentado, ao longo dos últimos anos, em relação a obras que se fundamentam no susto e no pavor. Nas três últimas décadas, principalmente, multiplicaram-se liv237a0ff26836e7e3175e59b1f260d8e0ros e filmes que provocam sensações de horror e, mais do que isso, fazem do medo o seu tema básico. Um arrepio, um recuo ao toque, uma sensação de náusea, repulsa e pronto: estamos face ao que não desejávamos e é impossível recuar. O horror, é certo, nos causa ameaça. Em última instância, ameaça o nosso mundo, que já anda para lá de ameaçador. Não é de espantar que o mundo se envolva em artefatos, à maneira das cidadelas medievais, para que se afaste o medo, e, é claro, os bárbaros que possam causá-lo. Assim, engenhocas são mentadas para que os civilizados se sintam mais seguros, envoltos em redes ou grades, em circuitos fechados. No entanto, por entre possibilidades de balas perdidas e um assalto a cada esquina, podemos nos dar ao luxo de ficarmos assustados com histórias de vampiros, lobisomens, monstros, fantasmas… (…)”