Arquivo da tag: cornélio penna

Aspectos da crítica sobre a obra de Cornélio Penna: do romance intimista ao mistério (Jozelma Ramos)

Imagem relacionada“O presente trabalho é uma abordagem ao livro A menina morta (1954), de Cornélio Penna. Intenta-se refletir sobre alguns aspectos da crítica sobre essa obra e, para tanto, foi estudada a fortuna crítica de Penna, que revela o fato de que alguns de seus estudiosos, a princípio, fizeram uma leitura da obra do autor como um romance intimista de cunho social, apesar de já apontarem a presença do mistério na obra corneliana. Além disso, foram indicados elementos do texto de A menina morta que remetem às narrativas de mistério, as quais ganharam importância e novos contornos com o advento do romance moderno – como o romance gótico e as narrativas policiais – sem, no entanto, classificar o texto corneliano dentro dessas ou de quaisquer outras narrativas de mistério.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Revele, v. 9 (2015). Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos. 

Anúncios

Elipses do medo em “A menina morta”, de Cornélio Penna (Luiz Eduardo da Silva Andrade)

Resultado de imagem para a menina morta cornelio penna“A visão de mundo, em cada período histórico, pode ser determinada pelas figuras geométricas que foram privilegiadas na época (…). Ao transportarmos essa ideia para a escrita de Cornélio Penna (1896-1958) em A menina morta (1954), nasce um problema que é a compreensão das metáforas, entremeadas à forma como o romance é dimensionado, tanto no aspecto espacial quanto narrativo. Este último nos interessa especialmente, uma vez que buscamos compreender como a narrativa é delineada a partir dos movimentos das personagens na ação de uma sobre a outra, impulsionando-as à reação, à busca, à descoberta. Entendemos que o medo seria um operador narrativo do deslocamento das personagens durante a história.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro De Monstros e Maldades, publicado pela Editora Appris. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Maternidade monstruosa em Cornélio Penna (Josalba Fabiana dos Santos)

gothic_bg_var01____by_the_night_bird-d3bhgi6“Através da recorrente metáfora do monstro em Fronteira, Dois romances de Nico Horta e Repouso, Cornélio Penna configura, alegoricamente, o estado de violência que o patriarcalismo engendra. Mães potencialmente destrutivas geram seres que as repetem, mas que são diferentes. Portanto, não as reconhecem e com elas não se identificam. Ícone da criação monstruosa, Frankenstein, de Mary Shelley, é produtivo para uma reflexão a respeito da tensão presente entre criador e criatura que torna impossível fixar a monstruosidade num ou noutro. Num universo em constante mutação, também os seres se tornam mutantes, inapreensíveis e irreconhecíveis. Qualquer idéia de fixidez identitária se revela falsa.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na  Revista Aletria, v. 16, n. 2. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


A alegoria e o fantasma no Gótico brasileiro: Cornélio Penna e Lúcio Cardoso (Fernando Monteiro de Barros)

Resultado de imagem para casa fantasmagorica“A literatura gótica, desde o seu início, apresenta um cenário que transcende as fronteiras endógenas das ilhas britânicas. O mundo mediterrâneo, em romances como o pioneiro O castelo de Otranto, de Horace Walpole (1764), bem como a Transilvânia de Drácula, remete a um espaço marcado por estruturas mais arcaicas face à modernização e ao “progresso” do norte europeu. Os conceitos de alegoria e de fantasma permitem endossar uma categoria do gênero Gótico exógena ao seu cenário europeu de origem: o Gótico brasileiro, que, em comum com o Gótico do sul dos Estados Unidos, o Southern Gothic, além de apresentar um cenário ambientado no novo mundo e de clima ensolarado, apresenta também uma cenografia textual marcada pelo passado latifundiário e escravocrata que, no século XX, avulta como ruína e espaço tenebroso. Neste contexto, inscrevem-se obras de alguns autores da literatura nacional, como Cornélio Penna e Lúcio Cardoso, romancistas que surgiram nos anos de 1930 e situaram-se em uma corrente antípoda ao regionalismo social da época. Em narrativas como A menina morta, de Penna, publicado em 1954, e Crônica da casa assassinada, de Lúcio, de 1959, encontramos o traço gótico do passado que assombra o presente, em cenários brasileiros da época colonial e imperial, fantasmaticamente representados enquanto ruína alegórica do Brasil patriarcal pré-republicano e pré-moderno, nos quais os personagens, alguns com traços vampirescos, também demonstram ressonâncias dos tipos frequentes dos romances góticos, como o aristocrata malévolo e a donzela perseguida. Assim, muito mais do que destacar uma literatura gótica produzida no Brasil por autores como Álvares de Azevedo e Cruz e Sousa, que não apresentam a cor local em seus textos “góticos”, tais textos literários apresentam aspectos do Gótico perpassando elementos que compõem a história e a cultura das terras brasileiras.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.


Ausência, silêncio e morte: a nação impossível na obra A menina morta, de Cornélio Penna (Maria Ângela de Araújo Resende)

Absence“[…] considerando-se a natureza do método, e mesmo alertando para o perigo dos rótulos, Costa Lima se vale do binarismo como um dos procedimentos de análise, partindo dos modos de representação do masculino e do feminino e suas trocas simbólicas nos espaços onde se desenvolve a trama. Para isto, contrapõe ao Grotão – incluindo a fazenda autárquica, os campos cultivados e a floresta que a cerca – a Corte, urbana e europeizada, traçando um desenho espacial marcado pela dicotomia entre os caminhos que partem da casa-grande. Um deles, o caminho da Corte, signo do caminho do masculino, se constitui através das personagens: o Comendador, o Barão, um dos filhos dos senhores, que, após um breve retorno, abandona o Grotão e passa a viver definitivamente na Corte. O outro, o caminho da clareira, metaforizando o caminho do feminino nas figuras de Mariana, a menina morta e Carlota. Se levarmos em conta essa relação, poderíamos nos valer de um plano histórico e de um plano mítico que irão dar sustentação, em parte, à proposição do autor, uma vez que ele estabelece um sistema de oposições entre natureza e cultura. O espaço da mata também funciona como contraponto ao espaço da fazenda e de seus moradores, também eles divididos, hierarquicamente: o Senhor e a Senhora, as parentas agregadas (D. Virgínia., D. Inacinha, Sinhá Rola e Celestina) o administrador português, a governanta alemã, os escravos de dentro e os escravos de fora, e são elementos importantes para identificarmos a passagem do real ao simbólico e dos fantasmas expressos nas formas de interdição.”

Leia o ensaio completo


No limiar da fronteira: aspectos do gótico na obra de Cornélio Penna (Ana Paula Santos)

“O presente trabalho propõe uma análise do romance Fronteira (1935), de Cornélio PennaFRONTEIRA, sob o viés da estética gótica. A obra de Penna, reconhecida por inaugurar na Literatura Brasileira uma ficção de teor psicológico, apresenta traços característicos da literatura gótica que, no século XVIII, foi consolidada por autores como Ann Radcliffe, Clara Reeve e Matthew Lewis, em sua fase de maior sucesso, e, posteriormente, por autores como Mary Shelley, Bram Stoker e Oscar Wilde – além de influenciar, até hoje, diversas literaturas e mídias. Tal estética compõe-se por um conjunto de características específicas que garantiram êxito à literatura gótica em sua capacidade de causar medo e prazer estético aos leitores do século XVIII. Dentre estas características, destacam-se a presença do sobrenatural, a exploração de crimes e tabus culturais, e a constituição de um topos literário que se define principalmente por locais abandonados, claustrofóbicos e aterrorizadores. Todos esses elementos aparecem de forma recorrente em Fronteira, motivo pelo qual o presente trabalho propõe uma leitura que leve em consideração tais aspectos no entendimento da obra. Ademais, busca-se, a partir desta análise, refletir sobre a influência exercida pela literatura gótica no âmbito literário, pois, mesmo sem se firmar como um gênero à parte, tal literatura constituiu-se como um fenômeno que transcendeu, cultural e historicamente, suas origens – fazendo-se presente até mesmo em nossa Literatura Brasileira.”

Leia o ensaio completo


O castelo (quase) vazio: algo de gótico em “Fronteira”, de Cornélio Pena (Josalba Fabiana dos Santos)

“O romance brasileiro Fronteira (1935), de Cornélio Penna, possui algumas características góticas bastante relevantes, sendo que a principal é a reconfiguração do castelo medieval no sobrado de uma típica família patriarcal mineira de fins do século XIX. Todavia, essas características surgem em meio a um conflito que se dá na literatura brasileira de um modo geral e na de Cornélio Penna em particular com a tradição europeia. É uma relação de constante admiração e repúdio. O gótico em Fronteira parece assim uma cicatriz, ele assinala o texto como o resultado desse embate, dessa luta.”

Leia o ensaio completo