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A questão do duplo em duas narrativas brasileiras (Maurício Cesar Menon)

images-2“(…) o tema do duplo, no século XIX, agrega um valor maior aos textos que se classificam nas categorias do terror/horror, suspense/mistério. Ao se olhar para trás, nos primórdios da ficção gótica, o que se encontra são as dualidades trabalhadas nas figuras do herói/heroína e do vilão, os quais, na maioria das vezes, não conseguiam fugir às convenções que o gênero impunha, o que os tornava triviais e dedutíveis. Nem é possível, falar, nesse sentido em duplo; o que se tinha era mais um jogo de ações que se antagonizavam no perfil prescrito do bem, encarnado no herói ou na heroína, e no do mal, mérito exclusivo do vilão. (…)”

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Um monstro entre nós: a ascensão da literatura gótica no Brasil da Belle Époque (Alexander Meireles da Silva)

“Diferente do que pode ser observado na Literatura Norte-Americana, a Literatura Gótica no Brasil apareceu durante o Ultra-Romantismo, através de Álvares de Azevedo e o seu Noite na taverna (1855), mas 818-la-belle-epoquenão criou raízes devido a diferentes razões. No entanto, semelhante às criaturas que habitam a sua narrativa, a Literatura Gótica ressurgiu das trevas no Brasil do início do século vinte para mais uma vez assombrar a cena literária brasileira. Esse ressurgimento ocorreu durante o período histórico conhecido como a República Velha (1889-1930) e, mais especificamente, na época da Belle Époque carioca (1889-1918), quando a ciência e o progresso mudaram a face do Rio de Janeiro. Ao lançar luzes sobre esse obscuro e pouco explorado momento da Literatura Brasileira este trabalho busca contribuir para o entendimento do desenvolvimento do Fantástico e do próprio romance em nosso meio. Para realizar este propósito este artigo pretende demonstrar como os escritores Coelho Neto e João do Rio desempenharam um papel chave no desenvolvimento da Literatura Gótica brasileira pelo diálogo que suas obras apresentaram com as convenções literárias da Literatura Gótica Britânica e Norte-Americana.”

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Esfinge (Coelho Neto)

“(…) Atirei-me ao divã apertando aflitamente, com as mãos geladas, a cabeça aturdida. Sentia-a crescer, inchar túmida, bojando como um balão e, de todos os pontos da sala, em cascalhada irônica, esfuziavam risinhos de mofa: era uma zombaria geral, o chasqueio das coisas em assuada que me enervava e retransia num grandFear-and-Desire-Illustration-Boris-Pelcer-4657e, inenarrável medo.

Oh! O medo!… Ele vinha como uma inundação. Eu sentia-o chegar, subir sensível, palpável como as grossas e escuras águas revoltas de uma enchente. Um prurido de dormência formigava-me nos pés que esfriavam regelando como de pedra.

O medo chegou-me aos joelhos pesado, inteiriçante, de ferro, cingiu-me em anéis constritos, ciliciando-me o ventre, entalando-me o peito e o coração pos-se a bater sôfrego, aflitíssimo como forçando as grades da prisão para evadir-se. A garganta travou-se-me jugulada, o trismo aperrou-me as mandíbulas e a minha respiração, aos sorvos, era a de agonizante, e rascava. (…)”

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