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O corpo feminino no cinema de horror: representações de gênero e sexualidades nos filmes Carrie, Halloween e Sexta-Feira 13 (Gabriela Müller Larocca)

Resultado de imagem para carrie 1976“Nos Estados Unidos, o final da década de 1970 viu surgir uma força política reacionária à contracultura dos anos 1960 e às suas forças libertárias, que organizava e avançava seu projeto apoiada por eleitores que temiam o término da segregação racial e os novos valores sexuais e morais. Críticas ao feminismo, à homossexualidade, ao aborto, ao divórcio e à “falta de autoridade social” começaram a ser tornar mais articuladas e frequentes, sendo que tal neoconservadorismo contou com o apoio da produção cultural e encontrou no cinema um forte aliado. O horror cinematográfico possui diversos subgêneros, sendo um deles denominado como slasher (derivado da palavra da língua inglesa slash, que significa retalhar ou cortar) surgindo no final da década de 1970 e atingindo grande popularidade nos anos 1980. Seus enredos geralmente contam a história de um psicopata que persegue e mata um grande número de vítimas, masculinas e femininas, sendo estas em sua grande maioria adolescentes, transgressores sexuais, marcados para a destruição devido a seus comportamentos e envolvimentos com bebidas, drogas ilícitas e sexo. Em 1976 Brian de Palma dirigiu o filme Carrie, a Estranha, no qual a figura feminina é tratada com desconfiança e cuja sexualidade é reprimida por diversos fatores. A personagem principal adquire uma conformação monstruosa devido às conotações com a sexualidade de uma jovem que chega à adolescência. Poucos anos mais tarde, são sucessivamente lançados os filmes Halloween (1978) de John Carpenter e Sexta-Feira 13 (1980) de Sean S. Cunningham, ambos trazendo fortes elementos de violência contra o corpo feminino, com características conservadoras em relação à sexualidade, família e maternidade. A presente pesquisa, iniciada em 2014, propõe identificar e analisar a construção dessas produções cinematográficas e suas representações de gênero e sexualidade, bem como a abordagem específica em relação às mulheres, alvo preferencial da violência e da punição em tais produções. Ademais, deveremos refletir sobre a importância da maternidade e da feminilidade no gênero fílmico de horror, como parte de uma longa tradição cultural que as associam ao mal, assim como as incertezas, medos e inseguranças que despertam numa sociedade ainda marcadamente patriarcal. Pretende-se explorar como tais filmes representam um ajustamento visível nos termos de representação de gênero e da figura feminina num contexto cultural estadunidense abertamente reacionário, se mostrando em consonância com as reações políticas e culturais conservadoras da década de 1980.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente nos  Anais do XV Encontro Estadual de História. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

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Deslocamentos e identidades no Gótico australiano: o caso de “Picnic at Hanging Rock” e “Piquenique na Montanha Misteriosa” (Luciana Rassier e Cynthia Costa)

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“O romance Picnic at Hanging Rock, de Joan Lindsay (1967), e sua adaptação cinematográfica homônima dirigida por Peter Weir (1975), comercializada no Brasil como Piquenique na Montanha Misteriosa, têm intrigado leitores e espectadores há mais de quatro décadas.

Ambientadas na Austrália rural de 1900, as narrativas ilustram o gênero gótico australiano ao tratar do misterioso desaparecimento de três alunas e uma professora de um internato repressor, durante um piquenique na montanha. Partindo das relexões de Linda Hutcheon (2011) sobre adaptações, analisamos em que medida as narrativas literária e cinematográfica dialogam; já as reflexões de Susan Bassnett (2006) e Kristi Siegel (2004) sobre relatos de viagem femininos nos permitem pensar as temáticas da sexualidade feminina e do deslocamento no espaço como metáfora da transformação do indivíduo.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Ilha do Desterro. Republicamos aqui, com autorização das próprias autoras, com fins puramente acadêmicos.


Poe, entre o cinema e a literatura: uma leitura intermidiática de “The Raven” (Caio Antônio Gomes e Genilda Azerêdo)

Resultado de imagem para the raven 2012 movie“Em The Raven (2012), filme dirigido por James McTeigue, além de termos Edgar Allan Poe como protagonista e alusões a vários de seus textos, a relação entre cinema e literatura é ainda mais adensada a partir da presença de questões ligadas à própria materialidade, socialidade e economia da mídia literária. Neste trabalho, fundamentado especialmente nos pressupostos teóricos de Rajewski (2012) e Moser (2006), propomos uma leitura intermidiática de The Raven, em que examinamos o processo de referenciação intermidiática realizada pelo cinema em relação à literatura. Duas conclusões foram alcançadas: i. o filme, ao tornar opaca a mídia literária, procurou esconder sua própria midialidade audiovisual; ii. The Raven se articula com uma série de discursos sobre o escritor estadunidense na contemporaneidade, contribuindo para o fortalecimento da posição de significante cultural de Edgar Allan Poe.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Ilha do Desterro. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


“Verdades” que dão medo: um estudo dos falsos documentários no cinema de horror contemporâneo (Claudio Vescia Zanini)

bruxa-de-blair“O presente trabalho analisa a construção das narrativas de terror e do sobrenatural no cinema dentro do gênero do falso documentário (cf. Roscoe e Higth, 2011). O que se percebe, especialmente ao longo das últimas décadas, é uma forte tendência dos filmes trazerem em sua base aquilo que Aufdenheide (2007) chama de “reivindicação da veracidade”, como em A Bruxa de Blair (1999), Atividade Paranormal (2007-presente), [REC] (2007) e Diário dos Mortos (2007). Este trabalho pretende olhar  para a manipulação dos fatos e a forma como as ditas verdade são construídas e utilizadas a fim de aumentar a proximidade entre espectador e monstruosidade. A análise aqui apresentada é amparada nos estudos de Roscoe e Higth sobre o falso documentário, além de estudos sobre reality shows (Jeremyn e Holmes, 2004; Andrejevic, 2003) sobre reality shows e os conceitos de simulacro e simulação de Jean Baudrillard.”

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A onipresença do medo: sob a regência do fantástico em “Os Outros”, de Joyce Carol Oates e “The Others”, de Alejandro Amenábar (Letícia Cristina Trojan)

the-others“(…) Dos diálogos, implícitos (ou não), entre os textos, parece prevalecer primeiro um alerta para o olhar. Na tentativa de acompanharmos um caminho de sons “mornos, monótonos e murmurantes” e personagens perplexos ou de traçarmos um trajeto iluminado pela chama trêmula da vela, Oates e Amenábar possivelmente estejam querendo alertar o leitor ou espectador sobre a importância desse olhar e sobre as articulações quase imperceptíveis do mundo sobrenatural. Este mundo permanece paralelo, portanto “outro” em relação ao mundo no qual vivemos. (…)”

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Horror Cósmico em “Independence Day” (Daniel Serravalle de Sá)

3763872-7663450062-indep“A noção de ‘horror cósmico’, proposta por H.P. Lovecraft, sustenta que a pior forma de medo reside nos aspectos insondáveis da experiência humana. Segundo o autor, os acontecimentos inexplicáveis seriam mais assustadores do que os horrores provocados por entidades sobrenaturais e pela ameaça de destruição corporal. À luz do conceito de Lovecraft pretende-se discutir o filme Independence Day (1996), no qual uma invasão alienígena sugere a possibilidade de aniquilamento de espécie humana e reflete a questão do Mal na forma de um abandono ou desamparo cósmico. Tal situação de horror é combatida no filme americano por meio de um projeto que visa restaurar a ordem destituída pelos invasores ao mesmo tempo em que sugere aspectos ideológicos através da montagem e da caracterização dos personagens.”

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