Arquivo da tag: Ciência

Frankenstein, de Mary Shelley, e Drácula, de Bram Stoker: gênero e ciência na literatura (Lucia de La Roque e Luiz Antonio Teixeira

Imagem relacionada

“As obras literárias têm, através dos tempos, dado voz aos medos e esperanças gerados pelas descobertas científicas e retratado as imagens e mitos em torno da própria ideia de ciência. Diversos parâmetros podem contribuir para estas representações da ciência, como a cultura e a classe social na qual estão inseridos os autores das obras em questão. Não se pode negar, também, a influência do gênero, já que, pela dominação da ciência pela esfera masculina de ação, o fato de a obra ser de autoria feminina ou masculina pode determinar uma peculiar caracterização do mundo científico. Neste artigo, através de uma análise comparativa de duas importantes obras literárias do século XIX, Frankenstein, de Mary Shelley, e Drácula, de Bram Stoker, são colocadas em relevo questões relativas à visão de ciência e sua relação com o gênero. Enquanto Shelley, como mulher, afastada do mundo científico, descortina em Frankenstein toda sua desconfiança em relação ao mesmo, Stoker, protótipo do homem vitoriano, imprime em Drácula sua sólida confiança na ciência.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos, vol. VIII, n. 1. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Horror e empatia: a figura do cientista em “Do Além” (1934), de H.P. Lovecraft (Marina Sena)

Resultado de imagem para FROM BEYOND LOVECRAFT

“O presente trabalho busca analisar, a partir do estudos sobre empatia de Simon Baron-Cohen, como se dão vínculos emocionais estabelecidos entre leitor e personagem monstruosa. Procurarei demonstrar que a descrição que Baron-Cohen faz de constructos empáticos, e do indivíduo localizado no grau zero de empatia, é uma chave para se compreender melhor o arquétipo do cientista na literatura de horror. Como estudo de caso será analisado o cientista do conto “Do além” (1934), de H. P. Lovecraft, que ultrapassa o limite do que deve e pode ser conhecido.”

Leia o ensaio completo aqui.


A temática da ciência em “Palestra a horas mortas” (1900), de Medeiros e Albuquerque (Marina Sena)

Imagem relacionada“O presente artigo tem como objetivo demonstrar de que forma o conhecimento e o pseudoconhecimento relacionado ao campo da medicina são utilizados para narrar atos transgressivos, descrever cenários de horror e caracterizar como “transtornadas” personagens que possuam o desejo de conhecimento excessivo ou que ultrapassem os limites impostos pela sociedade. Para tal, será analisado o conto “Palestra a horas mortas” (1900), de Medeiros e Albuquerque”.

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

 


Do inominável ao cientificamente explícito: monstros lovecraftianos (Aparecido Donizete Rossi e Nathalia Scotuzzi)

Resultado de imagem para cthulhu“Um dos pontos temáticos da obra de H. P. Lovecraft mais reconhecidos e comentados são seus monstros peculiares e inéditos. Cthulhu, por exemplo, é um dos monstros mais conhecidos da cultura pop dos séculos XX e XXI. Apesar disso, a crítica comumente considera apenas um grupo de seus monstros como paradigma para toda a sua obra: seres gelatinosos e tentaculares, impossíveis de serem descritos com precisão. A intenção desse artigo é demonstrar que Lovecraft apresentou, no percurso de sua carreira, diferentes tipos de monstruosidades, por vezes amorfos e inomináveis, mas por outras descritos cientificamente. Pretendemos, assim, elencar cada uma dessas categorias de monstruosidades e analisar suas implicações dentro de cada obra, a partir das reflexões de Luiz Nazário e Noël Carroll.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, nº 04. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


A relação homem-ciência no Brasil da Belle Époque: uma análise de Esfinge, de Coelho Neto (Dayane Andréa Rocha Brito & Naiara Sales Araújo Santos)

Imagem1“[A] presente pesquisa visa fazer um estudo do período que antecedeu os movimentos da FC brasileira, estabelecendo a relação entre homem e ciência no contexto brasileiro durante o início do século XX, por meio da introspecção do personagem central de Esfinge, o misterioso andrógino James Marian. Para isso, serão pontuados os elementos característicos da visão científica brasileira no início do século XX, presentes na obra, a fim de caracterizar a Ficção Científica no contexto brasileiro durante período a qual se insere, além de analisar o comportamento do personagem central da trama como reflexo do temor da sociedade por criações científicas para que se entenda a relação entre sua reclusão e a visão de ciência que vigorava na época em que a obra foi escrita.”

Leia o ensaio completo

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente em Ficção científica brasileira: cultura, identidade e política, EDUFMA, 2015. Republicamos aqui, com autorização das próprias autoras, com fins puramente acadêmicos.


Conto Alexandrino (Machado de Assis)

“(…) Ao lado dele, Pítias aparava o sangue e ajudava a obra, já contendo os movimentos convulsivos do paciente, já espiando-lhe nos olhos o progresso da agonia. As observações que ambos faziam eram notadas em folhas de papiro; e assim ganhava a ciência de duas maneiras. Às vezes, por divergência de apreciaçãoa_rat_by_gigowolf-d55uv08, eram obrigados a escalpelar maior número de ratos do que o necessário; mas não perdiam com isso, porque o sangue dos excedentes era conservado e ingerido depois. Um só desses casos mostrará a consciência com que eles procediam. Pítias observara que a retina do rato agonizante mudava de cor até chegar ao azul claro, ao passo que a observação de Stroibus dava a cor de canela como o tom final da morte. (…)”

Leia aqui o conto completo


Morfina (Humberto de Campos)

“(…) – A esposa, agora entregue a si mesma, continuava a tomar morfina, absorvendo doses espantosas. Uma tarde, achando-se em casa, encheu a seringa, e meteu a agulha na parte anterior dapicture of lady on bed with tb_fixed_thumb[2] coxa. Apertou o sifão. O líquido desapareceu da agulha. No mesmo instante, porém, a pobre rapariga soltou um grito. Uma nódoa vermelha surgira-lhe diante dos olhos. E essa nódoa se transformou em chamas, em labaredas enormes, que a envolviam como se a tivessem precipitado numa fogueira. Um calor intenso, infernal, subia-lhe pelo corpo todo, e tudo era vermelho, tudo era fogo ante os seus olhos horrivelmente abertos. As mãos na cabeça, o pavor estampado na face, a infeliz gritou para a criada, que lhe fazia companhia: “Chamem meu marido, que eu estou morrendo!”. (…)”

Leia o conto completo