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Mulheres monstruosas: o ctônico e o selvagem em Carmilla, de Le Fanu (Marina Pereira Penteado)

1200px-Carmilla“O presente trabalho propõe uma discussão a respeito da representação demoníaca das mulheres, através de aspectos que são normalmente ligados ao próprio feminino, na novela Carmilla: a vampira de Karnstein, de Sheridan Le Fanu. Com base em estudos que analisam a perda da autonomia da mulher sobre seu próprio corpo, o primitivo e animalesco e suas representações na literatura, além de estudos que debatem a monstruosidade percebida na figura da mulher e em quase tudo que é ligado ao feminino, busca-se fazer uma reflexão sobre como a incorporação do selvagem, do ctônico e do dionisíaco tomam forma em Carmilla, e até que medida esses aspectos são utilizados para justificar a morte da vampira.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n. 9, 2019.2. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Carmilla, de Le Fanu, o conceito de subversão, abjeto e estranhamento no romance vampiresco (Adolfo José de Souza Frota)

Carmilla, Joseph Sheridan Le Fanu, é considerada uma das primeiras narrativas de línfriston_carmilla_laura_in_bedgua inglesa sobre o tema do vampirismo. Escrito em 1872, portanto 25 anos antes de Drácula, de Bram Stocker, o romance revela o perturbador relacionamento lésbico entre a protagonista Laura e a vampira Carmilla. Como uma predadora que somente ataca mulheres, a vampira de Karnstein esconde alguns segredos que são revelados durante o desenvolvimento do enredo. Esses segredos, importantes para a economia da narrativa, fundamentam a nossa discussão sobre a história, sob um ponto de vista literário. Mais do que um monstro que perturba e assombra a humanidade desde tempos antigos, o tema do vampiro permite uma leitura de questões da ordem psicanalítica ao constatarmos que a sua figura é subversiva por natureza e representa, também, os conflitos inerentes ao ser humano.”

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Carmilla (Sheridan Le Fanu)

“Vi, exatamente, o rosto que havia me visitado naquela noite, quando eu era criança, e que se fixara nitidamente em minha memória, e que durante tantos anos me fizera ruminar com tamanho pavor, em momentos em que ninguém suspeitava o que eu estava pensando.

Era belo, lindo; e a primeira vez que o vi, exibia aquela mesma expressão melancólica.

Mas tal expressão, quase instantaneamente, iluminou-se, com um estranho sorriso de reconhecimento.

Seguiu-se um silêncio de quase um minuto, e finalmente ela falou; eu não tinha condições de fazê-lo.

— Que incrível! – ela exclamou. — Há doze anos, vi seu rosto num sonho, e desde aquela noite seu rosto tem me perseguido.

— Incrível mesmo! – repeti, esforçando-me para dominar o pavor que havia me impedido de falar. – Doze anos atrás, seja em sonhou ou em realidade, eu a vi, sem dúvida. Não pude esquecer seu rosto. Trago-o diante dos olhos desde aquela noite.”

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“Carmilla”, de Sheridan Le Fanu e “61 Cygni”, de Fausto Cunha: o corpo amorfo e a sexualidade em conflito (Ramiro Giroldo)

“O trabalho toma como objetos de estudo o romance Carmilla (1872), de J. Sheridan Le Fanu, e o conto ’61 Cygni’as1a (1960), de Fausto Cunha. O romance trata de uma vampiresa cuja presença perturba a ordem patriarcal em seus parâmetros morais. Dotada de nuances homoeróticos, a obra associa a orientação sexual da personagem título à transformação corpórea pela qual ela passa diante dos mantenedores do estado vigente. Quando se transmuta e assume a real forma de vampiresa, a personagem perde suas formas e se revela uma forma negra de ‘grande e palpitante massa’. No conto de Fausto Cunha, uma mulher solitária e reprimida ganha a noite à procura de companhia masculina para lhe satisfazer os desejos sexuais. Nas margens de uma lagoa, é atacada por um ser alienígena disforme que envolve seu corpo e o violenta como que em um estupro. O contato com a criatura resulta em um apagamento da identidade de Ruth, que perde o controle e a posse de seu corpo. Em ambos os textos, o de Fanu e o de Cunha, pode ser observada uma associação entre a repressão sexual e o corpo que não possui contornos discerníveis. Cada texto, porém, lida com a questão de acordo com os paradigmas de sua época. O trabalho proposto pretende discutir a instância segundo um viés comparativo, amparado em noções propostas por Noel Carroll em A Filosofia do Horror e nas percepções de Sigmund Freud acerca do prazer e da civilização, apresentadas em O Mal-Estar na Civilização.”

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(*) Artigo originalmente submetido para os Anais do III Colóquio ‘Vertentes do Fantástico na Literatura’.