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O espaço como elemento irradiador do medo na literatura sertanista de Afonso Arinos e Bernardo Guimarães (Bruno Silva de Oliveira e Marisa Martins Gama-Khalil)

tumblr_mowztvQUKl1s0tsu6o1_500“Os objetos de estudo do presente artigo são os contos “Uma noite sinistra” de Afonso Arinos e “A dança dos ossos”, de Bernardo Guimarães, que terão como perspectiva de análise a relação entre a irrupção do insólito, a ambientação fantástica e a deflagração do medo. São duas narrativas que trazem o sertão brasileiro como cenário, o qual abarca como características fundamentais o rústico e o afastado do urbano e gera uma ambientação em que a racionalidade cede lugar ao insólito.”

Leia o ensaio completo aqui.

 

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, v. 01, n. 01. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos


Monstros reais, monstros insólitos: aspectos da Literatura do Medo em Bernardo Guimarães (Julio França)

tumblr_mowztvqukl1s0tsu6o1_500“O ensaio descreve aspectos da ‘literatura do medo’ no Brasil, com especial atenção para os processos de construção dos personagens monstruosos. Para tanto, propomos leituras de duas obras de Bernardo Guimarães, “A dança dos ossos” e A Ilha Maldita e, a fim de demonstrar algumas características da estética do medo na narrativa ficcional brasileira do século XIX.”

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A Ilha Maldita (Bernardo Guimarães)

“Por esse tempo já essa ilha malsinada que tanto dava que pensar, era o terror e o duende dos pescadores por toda a extensão destas costas. Corriam, desde tempos imemoriais, entre o vulgo lendas sinistras e aterradoras a respeito dessa ilhota que se apresentava como um rochedo medonho e inacessível, erguendo cinco ou seis braças acima das ondas, liso e escarpado á maneira de barbacã denegrida e inexpugnável de um castelo ro­queiro. (…) Uma tempestade eterna roncava-lhe entorno, cingindo-a de alvos escarcéus de espuma, que incessantemente, se arrojavam é recuavam em perpétua escalada contra as titânicas e inabaláveis muralhas, indo lamber-lhe até o alto das ameias. (…) Alguns pre­tendiam fazer crer que era um monstro marinho de espantosas dimensões; mas o que é certo, e que todos acreditavam e acre­ditam até hoje, é que aquela penedia é uma ilha que anda solta a boiar sobre os mares, e que é nada menos que o palácio flutuante de uma sereia, feiticeira ou fada marinha, a qual como poder de seu condão e de seus conjuros diabólicos a faz mover-se de um ponto a outro, e submergir-seashport ou surgir á tona da água conforme o seu capricho. Contavam mais que essa sereia ou fada, com a magia de seus cantares e artifícios satânicos, cos­tumava atrair para lá alguns-pescadores dos mais jovens e for­mosos, e que lá os guardava para sempre encerrados em suas impenetráveis espeluncas. Alguns também, que tinham tido a rara fortuna de avizinhar-se da ilha sem lá ficarem para sempre detidos, referiram que pelas penedias que a cercavam ressoavam har­monias e cantares suavíssimos, e asseguravam mesmo ter visto sobre a crista dos penedos uma donzela de estranha formosura, dedilhando uma harpa de ouro engastada de pérolas, e entoando canções tão tristes e maviosas que faziam gemer de saudade os próprios rochedos. Sabia-se até o numero e os nomes das desestruturadas vitimas que tinham caído nas ciladas da maléfica e perigosa feiticeira dos mares.”

Leia A Ilha Maldita, de Bernardo Guimarães