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A monja (Thomaz Lopes)

womanmonk“Thomaz Lopes (1879-1913) tem sua imagem e sua produção artística bastante ligadas ao período da Belle Époque carioca e, consequentemente, à francofilia característica desse momento histórico. Como homem de letras, publicou doze livros, entre poesias, contos, crônicas e um romance. Como diplomata, participou de missões no Uruguai, na Bélgica, na Suíça, na Espanha e na França, países sobre os quais escreveu artigos para jornais e livros de viagens como Corpo e alma de Paris (1909), Terras de França (1909) e Paisagens de Espanha (1910).

É especialmente em Contos da vida e da morte (1907) e em O cisne branco (1910) que Thomaz Lopes apresenta narrativas perversas, nas quais o medo e emoções correlatas são tematizados e acionados como efeito de recepção. Em Defunto (1907), por exemplo, o tema é o horror de ser enterrado vivo; já em Espectro (1907), a morte, andando por um campo de guerra, é a personagem principal; há, ainda, Capitão Maciel, 3ª Companhia, relato sobre uma aparição nos moldes da ghost story oitocentista. Destaca-se também Uma aposta (1910), conto que dialoga intimamente com A Noite na Taverna (1855), de Álvares de Azevedo, tanto pela presença de um grupo em uma taverna, quanto pela história de um corpo que, embora velado em uma igreja, pode ainda estar vivo.

Os muitos e explícitos elementos que aproximam a obra de Lopes das narrativas de Edgar Allan Poe fazem-se presentes em A monja. Escrita em 1899 e publicada em Contos da vida e da morte, a trama consiste na história de Mariana, uma religiosa cujo destino é marcado pela morte de familiares e do antigo noivo. Em uma atmosfera mórbida, a personagem busca conforto nos subterrâneos de um convento. Nesse local, a protagonista é espreitada por um gato preto e depara-se com a figura do noivo morto.”

Leia aqui o conto completo.

(*) Esse conto faz parte da coletânea Páginas Perversas: narrativas brasileiras esquecidas, organizada por Maria Cristina Batalha, Júlio França e Daniel Augusto P. Silva. Adquira o livro aqui.


Nos umbrais da Frívola City: perversão e modernidade em “Dentro da Noite”, de João do Rio (Bruno de Oliveira Tardin)

Resultado de imagem para rio de janeiro belle epoque“O trabalho que aqui se apresenta tem por objetivo analisar, a partir da teoria psicanalítica de tradição freudiana e jungiana, bem como dos postulados teóricos a respeito da representação da modernidade pela Literatura, de Latuf Isaias Mucci, Renato Cordeiro Gomes e Walter Benjamin, diante do clima de modernidade instaurado pelos anos da Belle Époque de manifestação carioca, bem como averiguar a manifestação de tipos e padrões perversos através do sujeito moderno, pelo viés do discurso literário de João do Rio em sua obra Dentro da noite. A meta é aplicar adequadamente a fortuna teórico-crítica resgatada no estudo dos contos presentes na coletânea de João do Rio, a fim de que se comprove a existência de uma fenomenologia da perversão dentro de seus tipos literários.”

Leia a dissertação completa aqui.


A face disforme da Belle époque: o monstruoso e a cosmovisão de Eu, de Augusto dos Anjos, e de Urupês, de Monteiro Lobato (Fabiano Rodrigo da Silva Santos)

Resultado de imagem para belle epoque macabra“O objetivo de nossas considerações é investigar os aspectos de Eu (1912), de Augusto dos Anjos, e de Urupês (1918), de Monteiro Lobato, que atestam uma cosmovisão sensível ao monstruoso e que se colocam em posição crítica diante dos modelos estéticos e ideológicos da Belle Époque brasileira. Publicados na década de 1910, época de modernização do país sob ideais de progressismo, eugenia e civilidade burguesa, Eu (livro de poesias) e Urupês (coletânea de contos) debruçam-se sobre aspectos evitados pela literatura oficial daqueles tempos, tais como as contradições sociais do país, as marcas de barbárie que se imprimem na história e o lado sórdido da condição humana. Tais temas ganham, nas obras, forma literária a partir de uma linguagem franca e, eventualmente, brutal que recorre ao grotesco e à ironia para efetivar uma estética de choque cuja máxima realização é o motivo do monstro. O corpo monstruoso em Eu e em Urupês (em particular no conto “Bocatorta”) converte-se em privilegiada alegoria da história, expressando a orientação crítica das duas obras em relação ao contraditório processo de modernização do país.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Outras Travessias, n. 22 (2016). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Um monstro entre nós: a ascensão da literatura gótica no Brasil da Belle Époque (Alexander Meireles da Silva)

“Diferente do que pode ser observado na Literatura Norte-Americana, a Literatura Gótica no Brasil apareceu durante o Ultra-Romantismo, através de Álvares de Azevedo e o seu Noite na taverna (1855), mas 818-la-belle-epoquenão criou raízes devido a diferentes razões. No entanto, semelhante às criaturas que habitam a sua narrativa, a Literatura Gótica ressurgiu das trevas no Brasil do início do século vinte para mais uma vez assombrar a cena literária brasileira. Esse ressurgimento ocorreu durante o período histórico conhecido como a República Velha (1889-1930) e, mais especificamente, na época da Belle Époque carioca (1889-1918), quando a ciência e o progresso mudaram a face do Rio de Janeiro. Ao lançar luzes sobre esse obscuro e pouco explorado momento da Literatura Brasileira este trabalho busca contribuir para o entendimento do desenvolvimento do Fantástico e do próprio romance em nosso meio. Para realizar este propósito este artigo pretende demonstrar como os escritores Coelho Neto e João do Rio desempenharam um papel chave no desenvolvimento da Literatura Gótica brasileira pelo diálogo que suas obras apresentaram com as convenções literárias da Literatura Gótica Britânica e Norte-Americana.”

Leia o ensaio completo