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A quadrilha de Jacó Patacho (Inglês de Sousa)

“(…) Neste ponto de suas reminiscências, a Anica foi assaltada por uma ideia medonha imagesque lhe fez correr um frio glacial pela espinha dorsal, ressecou-lhe a garganta e inundou-lhe de suor a fronte. Saraiva! Mas era este o nome do famigerado tenente de Jacó Patacho, cuja reputação de malvadez chegara aos recônditos sertões do Amazonas, e cuja atroz e brutal lascívia excedia em horror aos cruéis tormentos que o chefe da quadrilha infligia às suas vítimas. Seria aquele tapuio de cara bexigosa e ar pacífico o mesmo salteador da baía do Sol e das águas do Amazonas, o bárbaro violador de virgens indefesas, o bandido, cujo nome mal se pronunciava nos serões das famílias pobres e honradas, tal o medo que incutia? Seria aquele homem de maneiras sossegadas e corteses, de falar arrastado e humilde, o herói dos estupros e dos incêndios a fera em cujo coração de bronze jamais pudera germinar o sentimento da piedade? (…)”

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O detalhe como ornatus e o medo do outro em “O coração denunciador”, de Allan Poe (Paula Lima)

“Aqui, como em outros de seus contos, logo no primeiro parágrafo já se sabe que algo quase inacreditável aconteceu. Não há qualquer razão objetiva para a ideia fixa que se forma na mente do narrador – a de matar seu vizinho idoso – a não ser o pálido olho azul do homem velho, doente de catarata. O olho, nesse caso, é fragmento e é detalhe. Não se trata, porém, de um recorte neutro na imagem do vizinho, já que é esse fragmento que dá início ao desejo de tirar a vida do ‘velho abutre’.”

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O coração denunciador (Edgar Allan Poe)

”Depois de ter esperado pacientemente por horas, mesmo sem ouvi-lo tumblr_m3oscuyxld1rvrvawo1_500deitar-se, eu decidi abrir a porta, deixando passar um pequeno, um minúsculo raio de luz. Então, eu a abri – vocês não imaginam o quão cuidadoso, o quão cuidadoso eu fui –  até que finalmente um único e opaco raio, como um fio de teia de aranha, iluminou bem em cima daquele olho de abutre.”

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