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Medo e morte em Álvares de Azevedo, Guy de Maupassant e Edgar Allan Poe (Karla Menezes Lopes Niels)

“‘O medo é a coisa de que mais medo tenho no mundo’ disse Montaigne em um de seus ensaios. O medo do desconhecido é um sentimento inerente à constituição humana e o gênero de horror é caracterizado pela capacidade de explorar essa característica. Entretanto, a literatura insólita em geral, fantástica ou de horror, prodlife_and_death_tree___commission_by_16shokushu-d75u38ouz um medo que pode emanar de qualquer tema desde que provoque um desconforto no leitor que o atraia à leitura. Sobretudo os temas relacionados à morte e à sobrevida causam efeitos singulares. Refletindo sobre tais aspectos, propomos uma análise comparativa entre os contos “Genaro” de Álvares de Azevedo, “Gato Preto” de Edgar Allan Poe e “Aparição” de Guy de Maupassant, procurando estabelecer relações entre eles. Para tanto, consideraremos os pontos de hesitação dessa obras, tomando como base os estudos de Lovecraft, de Todorov e de King.”

Leia o ensaio completo

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Aparição (Guy de Maupassant)

Uma mulher alta, vestida de branco, estava de pé atrás da cadeira onde eu havia sentado e GhostWomanencarava-me. Senti um calafrio tão forte correr por todos os meus membros que eu quase caí para trás. Somente quem já teve experiência semelhante pode entender este horror, um horror sem explicação. A mente vagueia, o coração para de bater, o corpo inteiro amolece como uma esponja.”

Leia aqui o conto completo, em francês


Estranho incidente na vida do pintor Schalken (Sheridan Le Fanu)

“(…) ‘Não — não me deixem nem por um instante’, disse ela. ‘Estarei perdida para sempre se o fizerem.’

Para se chegar ao quarto de Gerard Douw era preciso atravessar um salão espaçoso, no qual eles estavam agora prestes a entrar. Gerard Douw e Schalken carregavam candeeiros, de modo que 6988659uma luz iluminava todos os objetos circundantes. Eles estavam entrando agora no salão espaçoso, o qual, como eu disse, se comunicava com o quarto de Douw, quando Rose deteve-se subitamente e, num sussurro que parecia tremer de horror, disse:

‘Meu Deus! Ele está aqui… ele está aqui! Vejam, vejam… lá vai ele!’

Ela apontou para a porta do quarto interno, e Schalken julgou ver o vulto de uma forma indefinida deslizar para dentro dele. Desembainhou a espada e, erguendo o candeeiro para iluminar mais fortemente os objetos do quarto, entrou no local para onde a sombra deslizara. Nada havia lá — nada senão a mobília que pertencia ao quarto, e contudo não restava dúvida de que algo se movera diante deles em direção ao quarto.

Um pavor terrível tomou-o, e o suor frio jorrou em enormes gotas sobre sua fronte; pavor que só aumentou por continuar a ouvir a insistência cada vez maior, as súplicas aflitas com as quais Rose lhes implorava para não a deixarem nem por um instante.

‘Eu o vi’, disse ela. ‘Ele está aqui! Tenho certeza… eu o conheço. Ele está ao meu lado… ele está comigo… ele está no quarto. Então, pelo amor de Deus, salvem-me, não se afastem de mim! (…)’ ”

Leia o aqui conto completo, em inglês


A queda do solar de Usher (Edgar Allan Poe)

“(…) Fugi espavorido daquele quarto e daquela mansão. Ao atravessar a velha athe_fall_of_the_house_of_usher_by_guidedbygreedlameda, a tempestade lá fora rugia ainda, em todo o seu furor. De repente, irrompeu ao longo do caminho uma luz estranha e voltei-me para ver donde podia provir um clarão tão insólito, pois o enorme solar e as suas sombras eram tudo o que havia atrás de mim. O clarão era o da lua cheia e cor de sangue, que se ia pondo e agora brilhava vivamente através daquela fenda, outrora mal perceptível, a que me referi antes, partindo do telhado para a base do edifício, em ziguezague. (…)”

Leia aqui o conto completo, em inglês