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Dalzo (Zoroastro Pamplona)

LaLeyendadelaViudaCorreg“Zoroastro Augusto Pamplona é certamente o mais obscuro entre os autores cujos contos foram selecionados para integrar esta coletânea. Do pouco que se conhece sobre ele, sabe-se que nasceu em Pernambuco, em 1838, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1872. Seu pai, Frederico Augusto Pamplona, foi um político de alguma importância no Ceará, filiado ao Partido Liberal, e muito próximo a José Martiniano de Alencar – pai do autor de Iracema. Seguindo a vocação paterna, Zoroastro também foi um liberal, mas não obteve sucesso em sua candidatura ao cargo de deputado provincial em 1862.

Referências mais próximas às lendas do que dos fatos falam de Zoroastro Pamplona como membro frequentador da mítica Sociedade Epicureia, em companhia de Álvares de Azevedo, Andrada e Silva, Bernardo Guimarães, Castro Alves, Fagundes Varela, entre outros.  De concreto, sabe-se que, de fato, assim como os demais supostos companheiros epicuristas, ele foi bacharel pela Faculdade de São Paulo. É desse período a única publicação dele que se tem notícia: o livro Poesias e contos (1861). Composto por duas partes distintas, a primeira reúne trinta e três poesias, a segunda cinco narrativas – entre elas a selecionada para compor esta antologia. Pamplona foi ainda um dos redatores do jornal Fórum Literário (1861), que publicava ensaios sobre a literatura romântica.

Dalzo foi publicado pela primeira vez em 1859, na revista Ensaios da Sociedade Brazilia. Trata-se de uma narrativa em terceira pessoa, que se desenrola em torno do protagonista que dá nome ao conto, uma personagem entre o herói gótico e o melodramático, que cavalga por uma noite de tempestade. Descrito como senhor de uma ‘sublime alma de poeta’, Dalzo parte para o encontro de seu amigo Églio, adentrando um repulsivo e aterrorizante covil de antropófagos. A narrativa parece emular passagens da Ilíada, seja na ira vingativa que aproxima Dalzo de Aquiles, seja na homoafetividade latente nos pares Aquiles-Pátroclo e Dalzo-Églio.”

Leia aqui o conto completo.

(*) Esse conto faz parte da coletânea Páginas Perversas: narrativas brasileiras esquecidas, organizada por Maria Cristina Batalha, Júlio França e Daniel Augusto P. Silva. Adquira o livro aqui.