Arquivo da tag: ann radcliffe

Gótico Feminino x Gótico Masculino: uma análise das vertentes góticas setecentistas (Ana Paula Araújo dos Santos)

2db5417e-d007-4274-b974-09104fafaefd“No presente trabalho, parto da reflexão sobre os efeitos de terror e de horror como base para uma divisão do Gótico em dois ‘gêneros’ – um feminino e um masculino. O objetivo é ressaltar que a divisão entre Gótico feminino e masculino não se restringe ao gênero dos autores – pelo contrário, ela permite, sobretudo, reconhecer como as narrativas pertencentes às duas vertentes lidaram com diferentes estratégias de produção do medo em seus leitores. Para tal feito pretendo empreender uma análise comparativa entre os romances pertencentes ao período clássico do Gótico: Os mistérios de Udolpho (1794) e O italiano (1797), de Ann Radcliffe, e O monge (1796), de Matthew Lewis.”

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XIV Congresso Internacional Abralic (2019). Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


“Do sobrenatural na literatura” (Ann Radcliffe)

New_Lead“Ann Ward Radcliffe (1764-1823), única filha de William Ward e Anne Oates Ward, foi uma influente romancista e poetisa inglesa, reconhecida por ser um dos pilares da ficção gótica setecentista. Em 1787, aos 23 anos, casou-se com William Radcliffe, jornalista que a incentivou em suas atividades literárias. Iniciou sua carreira de maneira anônima com a publicação de The Castles of Athlin and Dunbayne (1789) e A Sicilian Romance (1790). Sua fama começou a se delinear com seu terceiro romance, The Romance of the Forest (1791), ambientado na França do século XVII, mas foi com The Mysteries of Udolpho (1794) que ela se tornou a romancista mais popular da Inglaterra de sua época.

Em The Italian (1797) Radcliffe atingiu o auge de sua perícia narrativa, consolidando-se como pedra angular do Gótico. Seus romances caracterizam-se pelas descrições romantizadas da natureza e por enredos que apostam em prolongadas cenas de suspense e que exploram os efeitos do terror em detrimento do horror. Os originais desses dois últimos títulos renderam-lhe, respectivamente, £500 e £800, em uma época em que o valor médio dos manuscritos era de £10.

Além do sucesso comercial, a escritora também obteve a aprovação da crítica da época e acumulou epítetos elogiosos, tais como o ‘Shakespeare dos escritores de romance’, atribuído por Nathan Drake, e ‘A primeira poetisa da ficção romântica’, dado por Walter Scott. Nos últimos vinte anos de sua vida, a escritora deixou de publicar romances e dedicou-se quase exclusivamente à poesia. Publicado postumamente no volume 16, número 1, da New Monthly Magazine, ‘Do Sobrenatural na Literatura’ (1826), o ensaio selecionado para compor esta antologia é, até hoje, uma das mais influentes distinções entre o terror e o horror na ficção.”

Leia aqui o ensaio.

(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


Construção da sensibilidade burguesa por meio do espaço em “The Mysteries of Udolpho” de Ann Radcliffe (Natália Cortez do Prado)

933b04edd1b688b41d16891a1c2cfb5e“Em fins do século XVIII, Ann Radcliffe se estabeleceu como uma das romancistas mais famosas de sua época, atingindo o ápice de sua carreira com seu quarto romance, intitulado The Mysteries of Udolpho (1794). Apesar de ser um dos romances góticos ingleses mais importantes, ele ainda apresenta questões pouco exploradas pelos críticos. The Mysteries of Udolpho possui uma das características mais fortes das obras de Radcliffe: a minuciosa elaboração do espaço. Em vista disso, este estudo analisa e discute as funções do espaço, o qual está organizado em natural e construído. A análise centra na maneira como esse aspecto temático-estrutural se relaciona com as ações e relações pessoais da protagonista Emily com as demais personagens. Discutimos como diferentes tipos de espaço tornam-se essenciais por participarem de forma enfática na construção ideológica das personagens, no que diz respeito à associação entre sentimentalismo e racionalidade. Assim, a relação entre espaço e personagens nesse romance expressa aspectos importantes da complexa construção da sensibilidade burguesa na Inglaterra do século XVIII.”

Leia a dissertação completa aqui.


Ann Radcliffe e o romance gótico do século XVIII (Daniel Serravalle de Sá)

“(…) Se aceitarmos que há uma ligação entre literatura e sociedade, podemos pensar que o romance gótico – com seus castelos e igrejas medievais, ambientações em países distantes e católicos, donzelas em perigo e vilões maquiavélicos – havia se tornado um produto literário obsoleto, demasiadamente extravagante, passível de ‘formularização’ e criticável em função de uma literatura vitoriana de aspectos mais referenciais e contemporâneos. Ainda que esse modelo de romance gótico tenha se tornado lugar-comum, isso não quer dizer o gótico desaparece por completo, seus elementos se transformam e ele reaparece no século XIX na forma de mansões mal-assombradas, cientistas loucos, burgueses viciados em ópio, medo de contrair sífilis, na representação labiríntica de uma Londres enevoada, repleta de becos sujos e escuros. (…)”

Leia o ensaio completo


Os castelos de Athlin e Dunbayne (Ann Radcliffe)

“(…) Na costa nordeste da Escócia, na parte mais romântica daquelas terras altas, erguia-se o Castelo de Athlin: uma construção sobre um rochedo que tinha sua base no mar. Era venerável por sua anti933b04edd1b688b41d16891a1c2cfb5eguidade e sua estrutura gótica, porém mais venerável pelas virtudes que encarcerava. Era a residência de uma bela viúva e dos filhos do nobre barão de Athlin, morto pelas mãos de Malcolm: um chefe vizinho, orgulhoso, opressivo e vingativo, que ainda morava com toda a pompa da grandeza feudal a poucos quilômetros do castelo de Athlin. A invasão às terras de Athlin foi o que causou a inimizade que permanecia entre os dois chefes. Brigas constantes aconteciam entre seus clãs, das quais Athlin geralmente saía vitorioso. Malcolm, cujo orgulho era ferido pela derrota de seu clã, cuja ambição era limitada pela autoridade e a grandeza encontrava rivalidade no poder no barão, concebeu por ele um ódio mortal que resistia nas paixões que naturalmente excitam uma mente como a dele, arrogante e desacostumada ao controle; e ele planejou sua destruição. (…)”

Leia o romance completo, em inglês