Arquivo da tag: álvares de azevedo

O horror e o fantástico na prosa de Manuel Antônio Álvares de Azevedo (Karla Menezes Lopes Niels)

“(…) Qual a relação, portanto, que encontramos entre o efeito fantástico, o medo cósmico e o terror em Noite na taverna, de Álvares de Azevedo? O gênero fantástico, segundo Todorov, está atrelado à incerold-world-tavernteza dos acontecimentos. Se o narrador opta por uma saída natural ou sobrenatural para explicar os fenômenos descritos, entramos em outros dois gêneros, o estranho ou o maravilho. São gêneros que se sobrepõem, além de apresentarem estreita relação estrutural no que tange ao seu caráter insólito, e às diferenças entre ambos só se configuram mediante a apresentação da explicação dos acontecimentos. (…)”

Leia o ensaio completo


A monstruosidade de Ângela: As macabras personagens femininas de Álvares de Azevedo (Karla Menezes Lopes Niels)

Jacek Malczewski Medusa Meduza“Cenas, personagens e descrições repugnantes, que giram em torno da morte e do macabro, estão presentes em algumas das obras de Manuel Antônio Álvares de Azevedo. Nessas obras, Álvares de Azevedo constrói personagens, como a Ângela de “Bertram”, que destacam um lado macabro da mulher e proporcionam um prazer estético peculiar. Mostramos, neste artigo, como através de algumas de suas personagens, o autor tematiza vários tabus: o assassinato, o suicídio, o infanticídio, a traição, o incesto e o fratricídio e, assim, marca a presença do macabro em sua literatura. Refletindo sobre o efeito estético causado pelas descrições e pelas ações dessas personagens, e tomando por base os conceitos de terror, horror e repulsa postulados por Stephen King, o trabalho propõe analisar as personagens femininas nas obras O Conde Lopo, Macário e Noite na Taverna, narrativas de três diferentes gêneros que se aproximam não só pela temática, mas também pela construção dos seus personagens.”

Leia o ensaio completo


Medo e morte em Álvares de Azevedo, Guy de Maupassant e Edgar Allan Poe (Karla Menezes Lopes Niels)

“‘O medo é a coisa de que mais medo tenho no mundo’ disse Montaigne em um de seus ensaios. O medo do desconhecido é um sentimento inerente à constituição humana e o gênero de horror é caracterizado pela capacidade de explorar essa característica. Entretanto, a literatura insólita em geral, fantástica ou de horror, prodlife_and_death_tree___commission_by_16shokushu-d75u38ouz um medo que pode emanar de qualquer tema desde que provoque um desconforto no leitor que o atraia à leitura. Sobretudo os temas relacionados à morte e à sobrevida causam efeitos singulares. Refletindo sobre tais aspectos, propomos uma análise comparativa entre os contos “Genaro” de Álvares de Azevedo, “Gato Preto” de Edgar Allan Poe e “Aparição” de Guy de Maupassant, procurando estabelecer relações entre eles. Para tanto, consideraremos os pontos de hesitação dessa obras, tomando como base os estudos de Lovecraft, de Todorov e de King.”

Leia o ensaio completo


Noite na Taverna (Álvares de Azevedo)

“Uma noite… foi horrível… vieram chamar-me: Laura morria. Na febre murmurava meu nome e palavras que ninguém podia reter, tão apressadas e confusas lhe soavam. Entrei no quarto dela: a doente conheceu-me. Ergueu-se branca, com a face úmida de um suor copioso, chamou-me. Sentei-me junto do leA+Taverna+do+Embu%C3%A7ado!ito dela. Apertou minha mão nas suas mãos frias e murmurou em meus ouvidos:

— Gennaro, eu te perdôo: eu te perdôo tudo… Eras um infame… Morrerei… Fui uma louca… Morrerei… por tua causa… teu filho… o meu… vou vê-lo ainda… mas no céu… Meu filho que matei… antes de nascer…”

Leia aqui o livro de contos completo


Macário (Álvares de Azevedo)

“SATÃ
Então, não bebes, Macário? Que tens, que estás pensativo e sombrio? Olha, desgraçado, é verdadeiro vinho do Reno que desdenhas!

MACÁRIOSatan-by-Helen-Bayly
E tu és mesmo Satã?

SATÃ
É nisso que pensavas? És uma criança. De certo que querias ver-me nu e ébrio como Calibã, envolto no tradicional cheiro de enxofre! Sangue de Baco! Sou o diabo em pessoa! Nem mais nem menos: porque tenha luvas de pelica, e ande de calças à inglesa, e tenha os olhos tão azuis como uma alemã! Queres que to jure pela Virgem Maria?”

Leia a peça completa