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Macário e Satã: viagem fantástica, diálogo crítico (Andréa Sirihal Werkema)

O Satã Conduz Macário pelo Braço, João Fahrion, 1940“O Primeiro Episódio do drama Macário, de Álvares de Azevedo, relata uma viagem feita por um jovem estudante, rumo à cidade na qual irá estudar. O estudante Macário, protótipo de ultrarromântico, cético, irônico e desencantado, flerta abertamente com o lado negativo da existência, o que culmina no encontro, em estalagem de beira da estrada, com um Desconhecido, que se revela, posteriormente, como o próprio Satã. Interessa discutir as implicações advindas de uma escolha pela trajetória fantástica em meio ao Romantismo brasileiro, tão marcado pelas demandas ‘realistas’ de um projeto de formação de identidade nacional via literatura. Analisaremos, portanto, as oscilações do fantástico no Primeiro Episódio de Macário, de forma a averiguar a filiação do drama de Azevedo a um outro Romantismo, que recusa o ‘veto ao ficcional’, em prol de uma literatura subjetivista ao extremo, que deforma a realidade com o intuito de, criticamente, sugerir outros caminhos para a formação da chamada ‘literatura nacional’.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do I Colóquio “Vertentes do Fantástico na Literatura”. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Álvares de Azevedo e a ambiguidade da orgia (Karin Volobuef)

“Álvares de Azevedo explora exclusivamente o lado sórdido do ser humano, sua face demoníaca. Os personagens puros e desprovidos de maldade vão, sob a influência dos maus, ou decair para o mundo dos vícios 307965_13765929_lze crimes, ou resvalar para o abismo da morte. Em Noite na taverna não há finais felizes, casamentos ditosos, afetos baseados no respeito e honra; predominam apenas as perdas, mortes, separações, ultrajes, vinganças, desespero e loucura. É um mundo sem volta nem esperança.”

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Noite fantástica: um percurso pelos estudos críticos e historiográficos sobre a obra “Noite na taverna”, de Álvares de Azevedo (Karla Menezes Lopes Niels)

“Diversos críticos enfatizaram a vertente de Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, obra que se consagrou, portanto, como uma narrativa pertencente ao gênero fantástico, apesar de não corresponder plenamente à concepção do gênero desenvolvida por Tzvetan Todorov, em Introdução à literatura fantástica, subsídio fundamental para os estudos da ficção insólita. ‘Fantástica’1238000630, ‘sobrenatural’, ‘de horror’, ‘tétrica’, ‘sombria’, ‘macabra’, ‘monstruosa’, ‘dantesca’, ‘simbolista avant la lettre’, ‘gótica’, ‘satanista’, ‘byroniana’ são alguns dos termos empregados pela crítica nos principais estudos publicados acerca da obra. Trata-se de uma multiplicidade de classificações que, no entanto, não a caracterizam adequadamente e só demonstram a dificuldade de definir-lhe o gênero. Refletindo sobre tais aspectos e partindo dos principais estudos críticos produzidos sobre a obra desde sua primeira edição, consideramos a pertinência de a classificarmos como integrante do gênero fantástico. Procura-se ainda, após minuciosa leitura destes estudos, identificar os momentos da história e da crítica literária brasileira em que Noite na taverna foi classificada com termos que a associaram a uma forma de literatura incomum no Brasil nacionalista da século XIX.”

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O sublime e o grotesco em “O Conde Lopo”, de Álvares de Azevedo (Fernando Monteiro de Barros)

ghosts_008“Publicado postumamente em 1886, o poema narrativo O Conde Lopo não figura entre as obras de Álvares de Azevedo mais valorizadas por nossa crítica e historiografia literárias. Eivado de um byronismo radical, o texto inscreve-se na tradição gótica da literatura, surgida na Inglaterra em 1764 com o romance O castelo de Otranto, de Horace Walpole, que instalou, no imaginário ocidental, os castelos medievais em decadência e a natureza em seu aspecto noturno como espaços paradigmáticos das narrativas de terror. Entrecruzando vários aspectos do Romantismo negro, o texto de Álvares de Azevedo articula elementos tanto sublimes quanto grotescos nos seus versos, principalmente nas representações do feminino enquanto cortesã infernal e fantasma lúbrico.”

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O Conde Lopo (Álvares de Azevedo)

(…)

Era um fantasma

De macilento crânio enegrecido

Aqui e ali por fios de cabelos.

Tinha na fronte a reluzir – embora

O empanasse a podridão na tumba –

Um diadema d’oiro. –

Eu dizia

Que tu – outrora barregã – rainha

Caprichosa mulher de ardentes gozos,

Prostituta, sentaras-te num trono;

E davas como leito aos favoritos

Teus tálamos doirados e macios.

Hoje te apodreceu a rósea carne

Que os ossos te cobria, e eis-te aí, nua

Como nunca te viram teus amantes.

Eis-te aí, nua, prostituída ao verme…

Eis aí pois, rainha, o que eu pensava,

Ideia singular, não o confessas?

Prostituta real, o amor lascivo

De um voluptuoso rei alçou-te ao leito

E do tálamo ao trono – hoje, coitada!

Só o verme te quer quando nas covas

Não acha sânie onde perpasse os lábios

E p’ra fome iludir morde-te o fêmur!

(…)

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Um sussuro nas trevas; uma revisão da recepção crítica e literária de “Noite na taverna”, de Álvares de Azevedo (Jefferson Donizeti de Oliveira)

“Este trabalho objetiva uma revisão da recepção crítica e literária de Noite na taverna, de Álvares de Azevedo. Com sua Noite na taverna, esse poeta romântico criou uma peça singular em nossas letras, que goz1300x734_2467_The_inn_2d_horror_architecture_fantasy_picture_image_digital_artou de grande popularidade desde então. Busco, a partir disso, elencar e comentar os mais relevantes estudos críticos sobre a obra, além de relacionar uma série de ‘emulações’ da novela, produzidas sob sua inspiração e dividindo com ela o mesmo clima macabro e de espírito de grupo. Cumpre lembrar que, apesar do seu ‘sucesso’ literário, Noite na taverna não foi suficiente para criar entre nós uma tradição de literatura fantástica. Cabe ainda, ao apontar influxos (ainda que indiretos) da literatura de horror no romantismo brasileiro, apresentar uma reflexão sobre os motivos góticos no projeto estético de Álvares de Azevedo.”

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Medo e impureza em “Noite na taverna” (Ana Paula A. Santos)

“A obra Noite na Taverna, do escritor ultrarromântico brasileiro Álvares de Azevedo, possui elementos que permitem sua classificação como literatura do medo, pois apresenta episódios singulares em queimages-1 o sobrenatural, a crueldade, a infâmia e a perversidade despertam nos leitores a emoção do medo, do horror e da repulsa. Neste trabalho, busca-se entender, nos últimos dois contos da obra ‘Johann’ e ‘Último beijo de amor’, os acontecimentos terríveis presentes na narrativa – atos imorais e quebra de tabus capazes de chocar o leitor – e como a impureza e os pecados gerados por eles são responsáveis por degenerar física e psicologicamente os personagens principais, cujas histórias estão ligadas. Esses elementos, adicionados ao ambiente macabro, de aspecto gótico, e às influências do byronismo, são usados pelo autor para a construção do medo estético na narrativa.”

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