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O velho piano (Afonso Celso)

Piano“Afonso Celso (1860-1938) foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira de nº 36. Foi advogado, deputado, professor e jornalista, além de ter recebido o título de Conde, em 1905, do Papa Pio X. Publicou livros de poesia, como Poemetos (1880) e Rimas de Outrora (1891), além de prosa de ficção, como Lupe (1894) e Notas e ficções (1894). É mais conhecido como autor de Por que me ufano de meu país (1900), livro em que destaca, com tom patriótico e hiperbólico, as qualidades e os feitos nacionais.

Vários de seus contos são marcados por uma ambientação perturbadora, com acontecimentos oníricos e sobrenaturais. Em Morta?!, um dos textos de Notas e ficções, dois amigos estudantes de Direito encontram de madrugada, em uma rua de São Paulo, uma mulher desconhecida, muito bonita e vestida de preto, que os aterroriza por seu silêncio sepulcral. Anos mais tarde, um livreiro especializado em publicações de ocultismo revela-lhes que a mulher era uma aparição. Chiquita, publicado no mesmo volume, também é uma história que envolve fantasmas. Uma mãe, obrigada a abandonar a filha com os padrinhos ricos, teria morrido de tristeza, e seu espírito visitaria a criança todas as noites em seu quarto. Ao final, a protagonista é ainda apontada como causadora da prematura morte da menina.

A próxima narrativa, Velho piano, também faz parte de Notas e ficções, e apresenta igualmente um caso marcado por acontecimentos insólitos. Ao mudar-se de casa, uma família encontra na nova residência o antigo e decadente piano que dá título ao texto. Em determinado momento, uma senhora, contrariando as instruções do narrador-protagonista, resolve tocá-lo. Os sons do instrumento começam a revelar segredos do passado de seus antigos donos.”

Leia aqui o conto completo.

(*) Esse conto faz parte da coletânea Páginas Perversas: narrativas brasileiras esquecidas, organizada por Maria Cristina Batalha, Júlio França e Daniel Augusto P. Silva. Adquira o livro aqui.


A natureza como fonte do medo: o efeito sublime em “Os Salgueiros” e “Valsa Fantástica” (Marina Sena)

“A natureza é uma das principais fontes do sublime, por seu caráter magnífico, terrível e incontrolável. A percepção de que ela, bela e perigosa, está muito acima de suas forças e dita as leis de sobrevivência dos homens é, muitas vezes, aterrorizante. O trabalho visa analisar, de modo comparatista, as relações entre natureza, medo estético e efeito sublime nos contos ‘Os Salgueiros’ (1907), de Algernon Blackwood, e ‘Valsa Fantástica‘ (1894), de Afonso Celso. Parte-se da percepção de que a descrição do sublime natural é presente nos dois textos, mas com desdobramentos diversos: no conto do escritor brasileiro, o sublime se constrói a partir de causas estritamente naturais. Porém, na obra do escritor inglês, o sublime desdobra-se em uma série de eventos que são inicialmente tomados como naturais, mas que se revelam, ao decorrer da narrativa, ambíguos e, por fim, francamente sobrenaturais. Tal comparação permitirá exemplificar a tendência ao real da literatura do medo brasileira. Como fundamentação teórica, utilizaremos a teoria do sublime de Edmund Burke, em Uma investigação filosófica sobre as nossas ideias do sublime e do belo.”

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Valsa Fantástica (Afonso Celso)

“Imponente e horrível! A água toda do Jequitinhonha, depois de um percurso de centenas de léguas, engrossada de milhares de torrentes, espumejante do despenhamento de trezentas cachoeiras, após se haImpressio_of_Jiuzhaigou-1287719570ver precipitado pelos cinco enormes degraus de uma escada de gigantes, arremessava-se, enfim, do Grande Tombo, alucinada, atroadora, formidável, entre muralhas negras, quebrando-se, torcendo-se, como acrobata titânico, crivado de rendas e de ouropéis argênteos, a deslocar-se em exercícios de ginástica assombrosa.”

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