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As convenções góticas em Os 120 Dias de Sodoma (Nicole Ayres Luz)

Resultado de imagem para marques de sadeOs 120 Dias de Sodoma ou A Escola da Libertinagem, produzido em 1785 e publicado apenas no século XX, pelo polêmico Marquês de Sade, é uma obra simbólica do sadismo na literatura. O enredo apresenta quatro aristocratas libertinos, que trancafiam um grande grupo de pessoas, vítimas e ajudantes de seu projeto, em um castelo suíço durante quatro meses para a realização de orgias e torturas diversas, organizadas por ciclos, do mais básico ao mais intenso nível de violência. Os libertinos podem ser classificados como personagens monstruosos, de acordo com análises como as de Jeffrey Jerome Cohen e Julio Jeha, e, mais especificamente, como sádicos, termo derivado da obra do Marquês e cunhado pelo psiquiatra Richard von Krafft-Ebing. Os personagens sadianos são devotos da libertinagem, como a uma religião, visando unicamente sua própria satisfação. A perversão sem limites de tais personagens horroriza o leitor, provocando medo artístico, conceito desenvolvido por Júlio França. Por meio desse tipo de reação, percebe-se que é possível experimentar uma sensação de prazer durante a leitura de obras onde predomina a maldade, pela consciência de seu caráter ficcional; a ameaça, portanto, não é real, o que possibilita a fruição estética. Observa-se também o papel do cenário sombrio na construção da narrativa para gerar esse efeito de medo. O castelo de um dos libertinos, localizado numa região isolada da Suíça, possui múltiplos ambientes, devidamente equipados para os fins de experimentação cruel dos protagonistas. Controladas e punidas em caso de desvio das regras estabelecidas pelos sádicos, em um ambiente desconhecido, atemorizante e afastado da civilização, as vítimas se encontram sem salvação possível. Considerando os personagens aristocratas monstruosos, o cenário lúgubre do castelo onde ocorrem os abusos e o pessimismo inerente à narrativa de Sade, o presente trabalho pretende descrever o romance como uma obra gótica.”

Leia o ensaio completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização da próprioa autora, com fins puramente acadêmicos. 

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