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Elipses do medo em “A menina morta”, de Cornélio Penna (Luiz Eduardo da Silva Andrade)

Resultado de imagem para a menina morta cornelio penna“A visão de mundo, em cada período histórico, pode ser determinada pelas figuras geométricas que foram privilegiadas na época (…). Ao transportarmos essa ideia para a escrita de Cornélio Penna (1896-1958) em A menina morta (1954), nasce um problema que é a compreensão das metáforas, entremeadas à forma como o romance é dimensionado, tanto no aspecto espacial quanto narrativo. Este último nos interessa especialmente, uma vez que buscamos compreender como a narrativa é delineada a partir dos movimentos das personagens na ação de uma sobre a outra, impulsionando-as à reação, à busca, à descoberta. Entendemos que o medo seria um operador narrativo do deslocamento das personagens durante a história.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro De Monstros e Maldades, publicado pela Editora Appris. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


A identidade monstruosa do negro em “A menina morta” (Luiz Eduardo S. Andrade)

“(…) Para o sistema patriarcal, a única imagem do negro que é familiar é a do seu corpo, enquanto mão-de-obra usada na lavoura de café, dentre outros afazeres. O horror da Sinhá não está no simples fato de saber da mucama sem a face, mas na memória ‘reprimida’ que vem à tona quando se procura ver aquilo que tinha sido histórico-socialmente desfamiliarizado. O rosto da negra nesse caso, representaria a identidade fraturada no olhar do branco, pois este de alguma forma se reconhece naquilo que vê na face do outro, do contrário seria impossível estabelecer as relações de estranhamento e familiarização. Luiz Nazário (1998) define o ser monstruoso como sendo naturalmente deformado, de modo que nunca estará em conformidade com o homem, a sociedade, o espaço ou o momento histórico. Representa sempre uma diferença, uma anomalia do que está social e culturalmente instituído. O fato de Cornélio Penna trazer a baila em 1954, auge do desenvolvimento industrial do país com o governo Vargas, essa narrativa ambientada no século XIX, com figuras fantasmagóricas, é uma prova de que tamanho estranhamento frente ao sujeito negro só endossa a histórica ‘dívida’ que ficou para trás quando da formação do ideal nacional. Leia-se da literatura brasileira. Corroborando o que comentamos anteriormente sobre o valor histórico que Augusto Frederico Schmidt (1958) atribui ao romance corneliano. Ao apresentar esse episódio, bem como toda a narrativa de A menina morta, Cornélio Penna dialoga com a toda a ‘história do esquecimento’ no Brasil que de alguma forma legou ao negro papéis marginais na sociedade. (…)”

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