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O gótico masculino e a tese do feminino em “Luz no subsolo”, de Lúcio Cardoso (Fernando Monteiro de Barros)

“Publicado em 1936 e reconhecido como o primeiro romance dentro da linha introspectiva a partir da qual seu autor é definido pela história da literatura brasileira (AYALA, 1986: 449), A luz no subsolo foi considerado por Mário de Andrade um romance ‘estranho e assombrado’ (apud CARELLI, 1996: 628), chamando a atenção da crítica pelo seu ‘clima de mistério e alucinação’ (ALMEIDA, 1996: 698). A luz no subsolo é o primeiro romance de atmosfera de Lúcio Cardoso. Em um clima fantasmagórico, ele cria personagens ‘extraordinários, portadores de questões cruciais’, afirma o crítico Mario Carelli em Corcel de fogo: vida e obra de Lúcio Cardoso (CARELLI, 1988: 166). O romance deixou Mário de Andrade desconcertado por seu desprezo pelas questões sociais e políticas no momento histórico conturbado que foi o final da década de 30 (CARELLI, 1988: 33). Em carta a Lúcio Cardoso, o escritor paulista afirma que, ao lê-lo, ‘não sabia em que mundo estava, inteiramente despaisado’ (apud MARTINS, 1997: 12). Entretanto, apesar do traço universalista desta narrativa que transcendia o regionalismo para apresentar a busca do sujeito do século XX por uma ‘verdade’ existencial, o substrato social e geográfico é inequívoco na apresentação de um etos patriarcal mineiro arruinado após o fim da Primeira República, o que nos faz refutar o ‘despaisamento’ atribuído por Mário de Andrade à obra.”

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