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Bem-aventurados os que podem impunemente praticar o mal: “A causa secreta”, de Machado de Assis (André Luis Rodrigues)

Resultado de imagem para a causa secreta machado de assis“O artigo dedica-se à leitura do conto “A causa secreta”, de Machado de Assis, buscando discernir alguns dos “níveis de realidade” (Ítalo Calvino) presentes na narrativa. A crueldade, a agressividade e a maldade são, por assim dizer, decantadas pelo escritor na figura de Fortunato, que pode exercê-las sob o disfarce do altruísmo e, dada a sua condição social, sem qualquer receio de castigo ou sanção, mas também se deixam entrever, modificadas para além de qualquer reconhecimento imediato e com consequências muito diversas, em vários aspectos da vida e das ações humanas formalizadas no conto. É assim que podem ser divisadas, com base no conceito freudiano de “pulsão de morte”, na origem da curiosidade de Garcia, que é também compartilhada pelos leitores, ou na própria criação e fruição estética, em que estão envolvidos escritor e leitor.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Aletria, v. 27, n. 1 (2017).Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Dor, Horror e Crueldade no Insólito Ficcional: A abjeção no conto “A causa secreta” de Machado de Assis (Mariana Silva Franzim)

“O presente artigo traz uma análise do conto ‘A causa secreta’, de Machado de AssisScreen Shot 2015-04-04 at 6.00.02 PM, publicado originalmente em 1885. O conto narra a sucessão de fatos que envolvem o encontro de três personagens: Garcia, jovem médico, Fortunato, capitalista e Maria Luísa, a submissa esposa do último. Os pontos a serem analisados passam pela questão do olhar na obra machadiana, a perversão, o sentimento de Schadenfreude (prazer na dor alheia), o monstruoso e a abjeção. O conto é narrado em terceira pessoa, por um narrador que assume o caráter de um voyeur que espia os fatos de muito perto, porém permanece oculto no desenrolar da trama. O narrador se propõe a voltar no tempo e contar uma história que leve o leitor até uma cena descrita de forma estática no início do conto, e que justifique as situações que a antecederam. Durante a análise do conto serão abordados os seguintes pontos: o conceito de abjeção nas artes a partir de Kristeva e a forma como o conto machadiano antecipa alguns de seus elementos; a ambiguidade na constituição das personagens que encaminham-se para uma condição monstruosa extrema, dando destaque a função dúbia do médico no final do século XIX aqui representado sob a imagem do personagem Garcia; a noção de Schadenfreude, prazer estético ou moral na dor alheia; e por fim a condição do leitor frente a esta obra ambígua, inquietante e insólita.”

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O leitor cruel: sadismo e curiosidade em “A causa secreta”, de Machado de Assis (Jonatas Tosta Barbosa)

“(…) Ao longo do conto, o protagonista explicita a dificuldade de explicar, através do raciocínio lógico, a motivação do comportamento perverso, a causa do impulso cruel no ser humano e a ausência de uma pretensa função para a perversidade que não seja destrutiva. O protagonista não acredita que, após cometer-se um ato cruel, o indivíduo sinta satisfação. O remorso (ou a culpa) é a única reação possível, antagonizando com o sentimento de prazer obtido durante o ato cruel, que, por fim, faz com que o indivíduo sinta repulsa e horror por si próprio: ‘(…) no caso daquilo que denominei de perversidade, não somente o desejo de bem-estar não é excitado, mas existe um sentimento fortemente antagônico’ (POE, 2001, 346). (…)”

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