Cicatrizes Urbanas: narrativas da violência na ficção detetivesca (Marcus Vinícius Matias)

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“Essa tese desenvolve uma investigação sobre o gênero detetivesco e anti-detetivesco, abordando principalmente as produções literárias brasileiras contemporâneas e suas ligações com as narrativas da violência. Com isso, busco entender e caracterizar uma estética da violência na literatura contemporânea, a qual sempre esteve presente na ficção detetivesca em maior ou menor grau, e contribuir com as discussões relativas à violência e suas implicações sociais na contemporaneidade. O método investigativo utilizado neste estudo examina, em um primeiro momento, as convenções das histórias clássicas de detetive e de anti-detetive nas produções em língua inglesa e o modo como a violência é representada nelas, usando isso como ponto de referência para a análise das obras contemporâneas brasileiras desse gênero.”

Leia a tese completa aqui.

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Terror e melancolia: o sublime na poesia de Fagundes Varela (João Pedro Bellas)

Resultado de imagem para burke sublime“Este artigo analisa a manifestação do sublime na poesia de Fagundes Varela, tendo como objetos de investigação os poemas “Cântico do calvário” (1865) e “A sede” (1869). Neste ensaio, trabalhamos, especificamente, com duas dessas formulações, a saber, o sublime romântico wordsworthiano, que podemos reconstruir a partir das considerações de Wordsworth acerca da poesia, e o conceito definido por Edmund Burke em sua Investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do sublime e do belo (1757). Para contrastar ambas as teorias da sublimidade, partimos da divisão proposta por Thomas Weiskel (1994) entre um sublime negativo e outro positivo, o primeiro derivado da ideia de que a alma humana é finita e limitada e o segundo relacionado à noção de que ela é infinita. A partir dessa distinção, podemos afirmar que o sublime burkeano, pautado no instinto de autopreservação e nas ideias de dor e perigo, seria de natureza negativa, enquanto o sublime wordsworthiano, que visa a afirmar as capacidades quase divinas da alma, seria de natureza positiva. Nosso objetivo é demonstrar que o poeta fluminense, em sua produção, adotou elementos comuns a ambas as versões do sublime.”

Leia o ensaio completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.


Cântico do Calvário (Fagundes Varella)

Resultado de imagem para cantico do calvário“À memória de meu filho
Morto a 11 de dezembro de 1863
Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia
O ramo da esperança!… eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao
pegureiro!…”

Leia aqui o poema completo.


As convenções góticas em Os 120 Dias de Sodoma (Nicole Ayres Luz)

Resultado de imagem para marques de sadeOs 120 Dias de Sodoma ou A Escola da Libertinagem, produzido em 1785 e publicado apenas no século XX, pelo polêmico Marquês de Sade, é uma obra simbólica do sadismo na literatura. O enredo apresenta quatro aristocratas libertinos, que trancafiam um grande grupo de pessoas, vítimas e ajudantes de seu projeto, em um castelo suíço durante quatro meses para a realização de orgias e torturas diversas, organizadas por ciclos, do mais básico ao mais intenso nível de violência. Os libertinos podem ser classificados como personagens monstruosos, de acordo com análises como as de Jeffrey Jerome Cohen e Julio Jeha, e, mais especificamente, como sádicos, termo derivado da obra do Marquês e cunhado pelo psiquiatra Richard von Krafft-Ebing. Os personagens sadianos são devotos da libertinagem, como a uma religião, visando unicamente sua própria satisfação. A perversão sem limites de tais personagens horroriza o leitor, provocando medo artístico, conceito desenvolvido por Júlio França. Por meio desse tipo de reação, percebe-se que é possível experimentar uma sensação de prazer durante a leitura de obras onde predomina a maldade, pela consciência de seu caráter ficcional; a ameaça, portanto, não é real, o que possibilita a fruição estética. Observa-se também o papel do cenário sombrio na construção da narrativa para gerar esse efeito de medo. O castelo de um dos libertinos, localizado numa região isolada da Suíça, possui múltiplos ambientes, devidamente equipados para os fins de experimentação cruel dos protagonistas. Controladas e punidas em caso de desvio das regras estabelecidas pelos sádicos, em um ambiente desconhecido, atemorizante e afastado da civilização, as vítimas se encontram sem salvação possível. Considerando os personagens aristocratas monstruosos, o cenário lúgubre do castelo onde ocorrem os abusos e o pessimismo inerente à narrativa de Sade, o presente trabalho pretende descrever o romance como uma obra gótica.”

Leia o ensaio completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização da próprioa autora, com fins puramente acadêmicos. 


Os 120 Dias de Sodoma (Marquês de Sade)

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“Convenceram-me de que apenas o vício podia inspirar no homem essa vibração moral e física, fonte das mais deliciosas volúpias; a ele me entrego. Plenamente convencido de que a existência do criador é um absurdo revoltante no qual nem mesmo as crianças acreditam mais, desde cedo me coloquei acima das quimeras da religião. […] Recebi essas inclinações da natureza e irritá-la-ia se a elas resistisse; se ela as fez malévolas, é porque se tornaram necessárias a seus desígnios. Sou apenas uma máquina em suas mãos, que ela move a seu bel-prazer e não há crime meu que não lhe sirva; quanto mais os inspira em mim, mais ela precisa deles: eu seria um tolo, caso lhe resistisse.”

 

Leia aqui a obra completa, em francês.


A relação homem-ciência no Brasil da Belle Époque: uma análise de Esfinge, de Coelho Neto (Dayane Andréa Rocha Brito & Naiara Sales Araújo Santos)

Imagem1“[A] presente pesquisa visa fazer um estudo do período que antecedeu os movimentos da FC brasileira, estabelecendo a relação entre homem e ciência no contexto brasileiro durante o início do século XX, por meio da introspecção do personagem central de Esfinge, o misterioso andrógino James Marian. Para isso, serão pontuados os elementos característicos da visão científica brasileira no início do século XX, presentes na obra, a fim de caracterizar a Ficção Científica no contexto brasileiro durante período a qual se insere, além de analisar o comportamento do personagem central da trama como reflexo do temor da sociedade por criações científicas para que se entenda a relação entre sua reclusão e a visão de ciência que vigorava na época em que a obra foi escrita.”

Leia o ensaio completo

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente em Ficção científica brasileira: cultura, identidade e política, EDUFMA, 2015. Republicamos aqui, com autorização das próprias autoras, com fins puramente acadêmicos.


Ossos do ofício: linguagem e violência em Rubem Fonseca (Sarah Diva Ipiranga)

pena-1“Análise da construção da imagem da violência nos contos de Rubem Fonseca por meio de recursos expressivos do código linguístico que criam o estado ‘brutal’ das narrativas. Através da referencialidade, da metonímia e da descrição, o narrador monta uma rede textual em que retrata situações de extrema violência e crueldade, como também personagens que se revelam por um discurso permeado de signos que agenciam o caráter letal de suas ações. O estilo, nomeado de hiper-realista, cria essa impressão de uma realidade ampliada e intensificada pelo impacto que a linguagem deposita nas cenas narrativas. Através da análise detalhada das categorias propostas em diálogo com os contos selecionados, deseja-se mostrar que o excesso referencial não subtrai a simbolização inerente à linguagem.”

Leia o ensaio completo

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na revista O Eixo e a Roda, v. 24, n. 1. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.