Vertentes do insólito na ficção brasileira: de Álvares de Azevedo à retomada do Gótico com Flavio Carneiro (Maria Cristina Batalha)

mascara“Nosso propósito é o de apreciar alguns exemplos da literatura fantástica, em sua versão brasileira, percebida como uma produção cultural de resistência à estética realista, tomada como canônica, durante um largo período da nossa vida literária. Veremos os exemplos de Álvares de Azevedo que, em 1855, inaugura uma estética da incerteza na ficção brasileira, Nestor Vítor, precursor de um fantástico expressionista de modelo kafkiano, os contos de Murilo Rubião, publicados a partir de 1947 e a obra de José J. Veiga, cuja obra aparece nos manuais de literatura relacionado à prosa política, chegando a alguns exemplos da prosa fantástica contemporânea.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XII Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Sob o domínio do Rei Peste: a função das doenças e epidemias no Gótico brasileiro da República Velha (Alexander Meireles da Silva)

death2527sbandwagon“Ainda que tenha testemunhado intensos conflitos nacionais como a Revolta de Canudos, a Guerra do Contestado, a Revolta da Vacina e a Revolta da Chibata, a República Velha (1889-1930) teve nas pestes e epidemias os inimigos mais ferozes a serem combatidos para o desenvolvimento do país. Com base nesta afirmação e tomando como suporte teórico o conceito do monstruoso de Noël Carroll e Jeffrey Jerome Cohen assim como também as ideias de H. P. Lovecraft e Edmund Burke sobre a função do medo na literatura fantástica, este artigo tem como meta demonstrar como a sífilis, a febre amarela, a varíola, a peste bubônica e a hanseníase exerceram significativa influencia na manifestação de narrativas no meio literário brasileiro cujas estruturas e temáticas guardam semelhanças com a literatura gótica do século dezenove praticada na Inglaterra e nos Estados Unidos. Dentre outros contos de autores como Valdomiro Silveira, Hugo de Carvalho Ramos e Monteiro Lobato, a análise de ‘O bebê de tarlatana rosa’ e ‘A peste’, ambos de João do Rio e ‘O mosquito’ e ‘Niobe’, escritos por Coelho Neto demonstra que as pestes e epidemias foram utilizados pelos escritores nacionais para veicular a visão ideológica das elites sobre grupos sociais e regiões geográficas dentro do discurso modernizante vigente no país da época.

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Soletras, nº 27. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos


O monstro, o cinema e o medo ao estranho (Verônica Guimarães Brandão)

imagem1“Revelamos comportamentos, conhecimentos, criamos imagens em movimento para transmitirmos medos, obsessões, fobias, costumes estranhos que, às vezes, revelam um mal-estar cultural imenso em nós. Há gerações e gerações, aprendemos a temer os monstros que nós mesmos engendramos. Criado a nossa barbárie e semelhança, o monstro é o que é a sociedade, quase como nós, por todos os lados, e na tela o monstro age conforme a sociedade o molda.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente em 2012 na Revista Universitária do AudiovisualRepublicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


As metamorfoses da escrita gótica em Wuthering Heights (O Morro dos Ventos Uivantes) (Alessandro Yuri Alegrette)

imagem1“O corpus deste trabalho de pesquisa é O Morro dos Ventos Uivantes, único romance da autora inglesa Emily Brontë que desde sua primeira publicação em 1847 tem gerado reações contraditórias que oscilam entre o fascínio e o estranhamento entre os leitores. Buscamos analisar alguns aspectos peculiares dessa obra, enfatizando-se dentre eles seu modo de narração, que combina aspectos assustadores do romance gótico com elementos da estética realista do século XIX. Também são objetos de estudo desta pesquisa o que chamamos de “espacialidade gótica”, que se evidencia nas descrições do cenário principal – Wuthering Heights, a antiga e sinistra casa que também dá o título ao romance -, e os temas e motivos do gênero gótico que foram revistos por Emily Brontë, tais como o duplo, o qual é amplamente explorado em textos com inspiração gótica, a exemplo de Manfred, poema dramático de Byron. Por fim, realizamos a análise das características do casal de protagonistas do romance, Catherine e Heathcliff, visando apontar um diálogo intertextual do livro de Brontë com obras do gênero gótico ou inseridas na tradição literária inglesa, tais como Paraíso perdido, de John Milton.”

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O Morro dos Ventos Uivantes (Emily Brontë)

wutheringheightsculturainglesa“Acabei de chegar de uma visita ao meu senhorio — o único vizinho que me poderá incomodar. Que bela região, esta! Em toda a Inglaterra, acho que não poderia ter encontrado um lugar tão completamente afastado da sociedade humana. Um perfeito paraíso para os misantropos; eu e o Sr. Heathcliff formamos um par bem adequado para dividi-lo entre ambos. Grande sujeito! Não deve ter suspeitado de como simpatizei com ele, assim que vi os seus olhos negros recolherem-se, desconfiados, sob as sobrancelhas, à medida que eu me aproximava, e os seus dedos afundarem ainda mais, com ciumenta determinação, no seu colete, quando anunciei quem era.”

Leia aqui o romance completo, em inglês.


Revista Abusões – n. 2

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Já se encontra disponível o segundo número da Revista Abusões, organizada pelo Prof. Dr. Flavio Garcia e pelo Prof. Dr. Julio França. O periódico é voltado para a divulgação de ensaios, resenhas e trabalhos sobre as temáticas do Gótico, do Fantástico e do Insólito ficcional.
Além de nove artigos e duas resenhas que abordam tais questões, este volume apresenta também entrevistas com os escritores David Roas e José Viale Moutinho.
Para ler a publicação, clique aqui.

 


A representação da heroína gótica em Os Porcos, de Júlia Lopes de Almeida (Julio França e Ana Paula Santos)

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“O presente artigo tem como objetivo analisar a mudança empreendida pela tradição do Gótico feminino ao modelo de heroína do romance sentimental. Acreditamos que a perspectiva feminina adotada nesta tradição do Gótico trouxe, para o plano ficcional, uma representação da mulher interessada em retratar determinados terrores e horrores próprios do universo feminino. Para defender esta hipótese, propomos uma análise do conto ‘Os porcos’ [1903] da escritora brasileira Júlia Lopes de Almeida.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Trem das Letras. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.