Crônica da Casa Assassinada (Lúcio Cardoso)

Resultado de imagem para casa fantasmagoricaCrônica da Casa Assassinada é a história de uma família em franca derrocada social e moral. Uma história que somente é conhecida pelo relato de seus próprios personagens, por meio de cartas, diários, memórias, confissões, depoimentos, e cujos temas centrais são o adultério e o incesto, a loucura e a decadência. Numa linguagem altamente metafórica, monta-se um esquema estruturalmente complexo, no qual verdade e mentira chegam aos limites do paroxismo”

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Desvios Sombrios: o Gótico-Naturalismo em Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha (Marina Sena)

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“A afirmação de que o Gótico influenciou a literatura brasileira de cunho realista soa, em um primeiro momento, como um paradoxo. O aparente contrassenso justifica-se quando se limita a literatura gótica a suas fórmulas setecentistas, com seus espaços narrativos medievos e sua exploração de eventos de cunho sobrenatural. Para se entender o que chamamos de influência gótica na literatura brasileira e, neste caso específico, no Naturalismo, é preciso pensar o Gótico como uma tradição literária que tem persistido nos últimos 250 anos. Tal tradição seria a confluência entre uma linguagem artística altamente estetizada, convencional e repleta de simbolismos, e uma perspectiva desencantada com a sociedade moderna. A esta perspectiva chamamos “visão de mundo gótica”, que era comum não só aos escritores naturalistas da época, mas a escritores finisseculares como um todo. Consideramos, para os fins deste trabalho, que a construção ficcional do romance Bom-Crioulo (1895), de Adolfo Caminha, está relacionada à visão de mundo gótica, escolhida pelo autor para alcançar determinados efeitos estéticos de recepção como, por exemplo, o medo. O objetivo do presente artigo é analisar aspectos narrativos do romance – como enredo, personagem e locus. Buscaremos demonstrar que tais aspectos, em conjunto com o discurso estetizado e pretensamente científico do autor, são característicos de uma nova poética surgida na virada do século, em uma confluência entre os preceitos defendidos por Émile Zola e a visão de mundo gótica: o Gótico-Naturalismo. Para tal, partiremos de teóricos do Gótico como Júlio França (2016) e David Stevens (2000), e de críticos e estudiosos do Naturalismo como Flora Süssekind (1984), Nelson Sodré (1965) e Charles Crow (1994).”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


“Bom-Crioulo” (Adolfo Caminha)

Resultado de imagem para navio bom crioulo adolfo caminha “O tempo escurecera completamente, e a ventania refrescando, esfuziava na mastreação de modo sinistro, com a força extraordinária de titãs invisíveis. Mar e céu confundiam-se na escuridão, formando um só conjunto negro em torno da corveta, abarcando-a em todos os sentidos, como se tudo ali dentro fosse desaparecer debaixo das águas e das nuvens… Passavam grandes ondas altaneiras, rugindo sob a quilha, dan- çando uma dança medonha e vertiginosa na proa, cada vez que o navio mergulhava o bojo com risco de abrir pelo meio… Chuva copiosíssima alagava o convés obrigando os marinheiros a se arregaçar, encharcando as pilhas de cabo, numa baldeação geral e inesperada.”

Leia o romance completo aqui.


Meu tio o Iauaretê e a experiência abissal (Josué Godinho)

Resultado de imagem para meu tio iauaretê onça“Este texto busca formular perguntas e problematizar a natureza da violência que se encena no conto ‘Meu tio o Iauaretê’, de João Guimarães Rosa. Neste conto há um tipo de violência que está na ordem do absurdo, destituída de razão ou explicação aparentes. A violência que ali se encena, pela absurdidade e pela carência de fundo e razão, não parece admitir da crítica respostas satisfatórias, abalando, inclusive, os conceitos de representação e de representação da violência. “Meu tio o Iauaretê”, questionando as bases de qualquer racionalidade, se insere na ordem de uma violência crua e desprovida de sentidos, impactante por sua carência de motivações aparentes além da dissolução de limites entre o humano e o animal – espécie de monstruosidade – e por sua esterilidade. Interessa-nos a experiência abissal dessa violência que não se deixa reduzir e que mesmo depois do fim da fala dissemina-se para além do texto, incômoda e renitente. Tal leitura terá apoio teórico, principalmente, de Jacques Derrida.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Em Tese, V. 22, N. 2, 2016. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


“Meu tio, o Iauaretê” (Guimarães Rosa)

Resultado de imagem para onça preta ilustração“- Hum? Eh-eh… É. Nhor sim. Ã-há, quer entrar, pode entar… Hum, hum. Mecê sabia que eu moro aqui? Como é que sabia? Hum-hum… Eh. Nhor não, n’t, n’t… Cavalo seu é esse só? Ixe! Cavalo ta manco, aguado. Presta mais não. Axi… Pois sim. Hum, hum. Mecê enxergou este foguinho meu, de longe? É. A’pois. Mecê entra, ce pode ficar aqui.”

Leia o conto completo aqui.


O serial killer como narrador em Zombie, de Joyce Carol Oates (Luciano Cabral)

Resultado de imagem para zombie joyce carol oates“Partindo do julgamento de Adolph Eichmann e das observações de Arendt, pretendo mostar que há uma estreita relação entre o que acontece e o relato deste acontecimento (ou entre fábula e enredo, respectivamente). A pesquisa que planejo, como doutorando, encontra-se justamente nesta relação. A narrativa do serial killer enquanto produtor e transmissor do horror (um horror artístico) que ele mesmo inflige é meu corpus de investigação – por isso, a necessidade de sua narração ser autodiegética. As obras ficcionais de crime têm frequentemente utilizado informações sobre matadores seriais reais para compor suas tramas. Porém, assim como Eichmann, o comportamento deste assassino real é tão trivial e suas motivações tão banais, que ele se torna ineficiente como narrador de seus próprios atos horríveis. Para que eventos e relatos tornem-se igualmente horríveis, argumento ser preciso alinhar estes dois elementos. Isto implica dizer que a narrativa deve afastar-se da monotonia discursiva do serial killer real. Há romances, entretanto, que optam por manter esta monotonia discursiva, como parece ser o caso de Zombie (1995), de Joyce Carol Oates. Se é correto afirmar tal coisa, como este assassino ainda mantém (se é que mantem) seu caráter horrível? Explorar as estratégias narrativas desta obra parece ser o caminho para responder a esta pergunta.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Zombie (Joyce Carol Oates)

Resultado de imagem para zombie joyce carol oates“Meu nome é Q__ P__ & eu tenho trinta e um anos de idade, três meses. Um e oitenta de altura, sessenta e sete quilos. Olhos castanhos, cabelos castanhos. Corpo médio. Algumas sardas espalhadas pelos braços, costas. Astigmatismo nos dois olhos, lentes de correção exigidas para dirigir. Características distintivas: nenhuma. Exceto talvez estas tênues cicatrizes em forma de minhoca nos dois joelhos. Eles dizem que foram de um acidente de bicicleta, eu era pequeno. Eu não questiono, mas eu não lembro.”

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