Uma floresta gótica nos trópicos: o locus horribilis no conto “Inferno Verde” (Hélder Brinate)

Resultado de imagem para inferno verde alberto rangel“Os ambientes religiosos – igrejas, monastérios, abadias, catedrais etc. – despontam também como espaços privilegiados do medo. Neles predominam duas experiências paradoxais: a sensação de proteção divina e a de ameaça. Por um lado, enquanto local de segurança, as construções de cultos religiosos assomam-se como sítio sagrado e imaculado, refúgio às aflições e atrocidades sofridas pelas personagens. Por outro, é nessa área beatificada que se encontram clérigos transgressores que, ao buscarem consumar seus desejos sórdidos e/ou sexuais, configuram-se como típicos vilões góticos em seu próprio covil. As florestas aparecem como outro importante elemento topográfico nas narrativas góticas. Seu aspecto tétrico e imprevisível é reforçado por uma retórica excessiva e hiperbólica, cuja ênfase adjetival delineia uma natureza intimidante e arrebatadora, diante da qual o homem e suas construções estão fadados à ruína. Espaço do medo per si, ao demarcar as fronteiras entre o conhecido e o desconhecido, as florestas são ainda habitadas por seres que transgridem as leis civilizatórias (…)”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro de ensaios das Jornadas FantásticasRepublicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

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Shakespeare: a invenção do Gótico (Aparecido Donizete Rossi)

Imagem relacionada“Em um dos prefácios de O castelo de Otranto (The Castle of Otranto, 1764), primeiro romance gótico e primeira obra da ficção gótica, o autor Horace Walpole afirma que ―o grande mestre da natureza, Shakespeare, foi o modelo que copiei. A menção direta a Shakespeare na obra que funda a ficção de terror e horror ao articular medo e sobrenatural maligno em uma arquitetura artística convida, de pronto, em razão de seu peculiar gesto ilocutório-iterativo, a buscar a interação entre duas perspectivas: quais as (im)possíveis razões que levaram Walpole a imputar a Shakespeare (autor e obra) o modelo-chave do gênero-modo ficcional inventado em O castelo de Otranto? E quais seriam as (im)possíveis relações entre o gótico e a obra do Bardo? Perseguir as conjunções, disjunções e injunções entre esses dois ângulos, por meio de uma breve análise da história crítica da peça Tito Andrônico, constitui o objetivo do artigo que aqui se propõe.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1 (2017). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


A morfologia do Horror – construção e percepção na obra lovecraftiana (Alcebíades Diniz Miguel)

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“O horror ficcional é uma das constantes na produção cultural do século XX, como um reflexo que acompanha o horror político. Esse horror culturalmente produzido, que é estético, podemos vislumbrar em vasta produção da indústria cultural – que cobre as mais diversas mídias e formas de representação –, tendo seu momento inicial na ficção fantástica dos séculos XVIII-XIX. Na década de 1920-30, o escritor norte-americano Howard Phillips Lovecraft retomaria essa tradição do fantástico, acrescentando novos significados, formas, usos e estratégias. Neste trabalho, nossa meta foi realizar um panorama da ficção de horror abordando analiticamente elementos das narrativas de seu criador, H. P. Lovecraft.”

Leia a dissertação completa aqui.


Imagens do medo: o horror no cinema e na televisão (Michel Goulart da Silva)

Resultado de imagem para cinema de horror ilustração“Possivelmente a primeira lembrança quando nos referimos ao cinema de horror é o cinema expressionista alemão. O medo e o sobrenatural estavam presentes antes disso, como em uma das primeiras adaptações de Frankenstein (1910), no filme estudante de praga (1913) […]. Contudo, parece que é na Alemanha que o horror começa a ganhar forma, em grande medida por conta da incorporação da estética expressionista ao cinema. Tendo como um de deus marcos iniciais o filme O gabinete do Dr. Caligari (1919), o expressionismo é “uma corrente que buscava expressar, por meio de distorções, as impressões que o mundo exterior provocava no artista” (SILVA, 2009, p. 56). São características desse cinema “o referencial fantástico, a deformação expressiva, o isolamento, a monstruosidade e a maldade como personagem e herói” (SILVA, 2009, p. 56).”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n. 02.  Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.

 


“Todos os seus dentes eram ideias”: a representação de gênero no conto “Berenice”, de Edgar Allan Poe (Greicy Bellin)

Resultado de imagem para berenice edgar allan poe ilustraçao“O objetivo do presente artigo é analisar as representações de gênero no conto “Berenice”, de Edgar Allan Poe (1809-1849), dentro da perspectiva que considera o gênero enquanto relação, o que se observa na narrativa a partir da constatação de uma dependência emocional entre Egeu, o narrador, e sua prima Berenice, por quem ele se apaixona. Observa-se que a representação da figura feminina no conto em questão está atrelada a um imaginário social no qual a beleza feminina aparece associada à morte, à doença, à destruição e à decadência, conforme as análises de Elizabeth Bronfen (1992) e Sandra Gilbert e Susan Gubar (1979), características estas que também podem ser observadas na representação do personagem masculino, permitindo uma análise que aproxime os dois. A representação de gênero também será associada ao contexto literário em que Poe produziu sua obra, tendo em vista a importância de sua inserção na vertente do Romantismo gótico que empresta várias de suas características ao conto “Berenice”.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Scripta Uniandrade, v. 15, n. 2Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Aspectos inovadores na escrita gótica: “O morro dos ventos uivantes” (Alessandro Yuri Alegrette)

Resultado de imagem para wuthering heights illustrationsO morro dos ventos uivantes, único romance da autora inglesa Emily Brontë tem gerado reações contraditórias que oscilam entre o fascínio e a repulsa entre os leitores, desde sua primeira publicação em 1847. Neste artigo, dois elementos peculiares em sua estrutura narrativa são analisados: o que chamamos de “espacialidade gótica”, que se evidencia nas descrições do cenário principal – Wuthering Heights, a antiga e sinistra casa que dá título ao romance –, e a composição de seu protagonista, Heathcliff, que reúne todas as características do vilão, cujas origens remetem ao contexto histórico da Inglaterra e criaturas monstruosas, destacando-se, dentre elas, o vampiro que aparece de forma recorrente em textos góticos publicados no século XIX”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Scripta Uniandrade, v. 15, n. 2Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Às margens da cristandade: o imaginário macabro medieval (Juliana Schmitt)

Resultado de imagem para ilustrações macabras medievais“Fruto das intensas transformações sociais ocorridas ao fim da Idade Média, o imaginário macabro se desenvolveu como consequência das novas maneiras de se perceber a morte e o cadáver. Suas manifestações literárias e imagéticas, tais como “O encontro dos três mortos com os três vivos”, as “Danças Macabras”, os “Ars Moriendi”, os “Triunfos da Morte”, entre outras, concebidas como produções populares e anônimas, surgiram fora do discurso oficial da Igreja, ainda que tenham sido adotadas por ela como exempla. Nesse artigo, analisamos suas características e contribuições ao estudo acerca do entendimento da morte pelo homem medieval.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no Caderno de Estudos Culturais da UFMS, v. 8, n. 16. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.