Os 120 Dias de Sodoma (Marquês de Sade)

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“Convenceram-me de que apenas o vício podia inspirar no homem essa vibração moral e física, fonte das mais deliciosas volúpias; a ele me entrego. Plenamente convencido de que a existência do criador é um absurdo revoltante no qual nem mesmo as crianças acreditam mais, desde cedo me coloquei acima das quimeras da religião. […] Recebi essas inclinações da natureza e irritá-la-ia se a elas resistisse; se ela as fez malévolas, é porque se tornaram necessárias a seus desígnios. Sou apenas uma máquina em suas mãos, que ela move a seu bel-prazer e não há crime meu que não lhe sirva; quanto mais os inspira em mim, mais ela precisa deles: eu seria um tolo, caso lhe resistisse.”

 

Leia aqui a obra completa, em francês.


A relação homem-ciência no Brasil da Belle Époque: uma análise de Esfinge, de Coelho Neto (Dayane Andréa Rocha Brito & Naiara Sales Araújo Santos)

Imagem1“[A] presente pesquisa visa fazer um estudo do período que antecedeu os movimentos da FC brasileira, estabelecendo a relação entre homem e ciência no contexto brasileiro durante o início do século XX, por meio da introspecção do personagem central de Esfinge, o misterioso andrógino James Marian. Para isso, serão pontuados os elementos característicos da visão científica brasileira no início do século XX, presentes na obra, a fim de caracterizar a Ficção Científica no contexto brasileiro durante período a qual se insere, além de analisar o comportamento do personagem central da trama como reflexo do temor da sociedade por criações científicas para que se entenda a relação entre sua reclusão e a visão de ciência que vigorava na época em que a obra foi escrita.”

Leia o ensaio completo

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente em Ficção científica brasileira: cultura, identidade e política, EDUFMA, 2015. Republicamos aqui, com autorização das próprias autoras, com fins puramente acadêmicos.


Ossos do ofício: linguagem e violência em Rubem Fonseca (Sarah Diva Ipiranga)

pena-1“Análise da construção da imagem da violência nos contos de Rubem Fonseca por meio de recursos expressivos do código linguístico que criam o estado ‘brutal’ das narrativas. Através da referencialidade, da metonímia e da descrição, o narrador monta uma rede textual em que retrata situações de extrema violência e crueldade, como também personagens que se revelam por um discurso permeado de signos que agenciam o caráter letal de suas ações. O estilo, nomeado de hiper-realista, cria essa impressão de uma realidade ampliada e intensificada pelo impacto que a linguagem deposita nas cenas narrativas. Através da análise detalhada das categorias propostas em diálogo com os contos selecionados, deseja-se mostrar que o excesso referencial não subtrai a simbolização inerente à linguagem.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na revista O Eixo e a Roda, v. 24, n. 1. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Dentro da Noute: Contos Góticos

Dentro-da-Noute-CapaO Grupo de Pesquisa Estudos do Gótico tem a honra de divulgar o lançamento da antologia Dentro da Noute: Contos Góticos, editada pelo Projecto Adamastor e organizada por Ricardo Lourenço. Com um total de vinte e sete textos, treze de autores portugueses, como Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco, e quatorze de autores brasileiros, como Machado de Assis e Inglês de Sousa, Dentro da Noute pretende exibir uma amostra das manifestações da poética gótica nas letras luso-brasileiras.

Dentro da Noute está disponível gratuitamente em formato EPUB e MOBI. Tenha acesso aos links para download aqui.


O espaço gótico e a questão de leitura em Northanger Abbey, de Jane Austen (Priscila Campos)

Nothanger Abbeynothangerabbey é uma paródia da ficção gótica escrita por Jane Austen e publicada, postumamente, em 1818. Austen escreveu esse romance no momento em que a ficção gótica havia alcançado seu clímax de popularidade no final do século XVIII. Austen apresenta, neste romance, um problema de interpretação: a protagonista, Catherine Morland, é incapaz de compreender os limites entre o mundo ficcional e sua realidade. Tal limitação, muitas vezes, é enfatizada através de um aspecto formal da narrativa – o espaço. Catherine constrói sua ilusão através da associação entre o espaço estereotipado do romance gótico e o mundo que a cerca. As dificuldades que Catherine enfrenta não estão apenas ligadas a como Catherine vê o mundo ao seu redor, mas como ela o interpreta. Por esse motivo, este artigo tenciona discutir como o espaço, um aspecto formal da narrativa, é responsável pela ilusão em torno do romance ao qual Catherine está submersa.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Em Tese, v. 22, n. 1Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos


Northanger Abbey (Jane Austen)

il_570xn-346758559“Ninguém que tenha visto Catherine Morland em sua infância poderia supor que ela tivesse nascido para ser uma heroína. Sua situação na vida, o caráter de seu pai e de sua mãe, sua própria pessoa e seu ânimo, tudo se mostrava igualmente contra ela. Seu pai, um clérigo, não era desafortunado ou pobre – um homem muito respeitável, embora seu nome fosse Richard, e nunca fora bonito. Tinha uma considerável autonomia, além de dois salários; e nem de longe era dado a trancafiar suas filhas. Sua mãe, dona de um apropriado senso comum, tinha bom temperamento e – o que era mais notável – uma boa constituição. Teve três filhos antes de Catherine nascer. E, ao invés de morrer ao trazer esta última ao mundo, como seria de se esperar, ela ainda viveu – viveu para ter mais outros seis filhos e vê-los crescer ao seu redor, enquanto gozava de excelente saúde.”

Leia aqui o romance completo, em inglês


“Eu adoro o horror”: abjeção e testemunho no conto “O bebê de tarlatana rosa”, de João do Rio (João Paulo Ayub)

000727_g“Para João do Rio, ‘a alma da rua só é inteiramente sensível a horas tardias’. O artigo trabalha a relação entre a linguagem, o testemunho e abjeção no conto ‘O bebê de tarlatana rosa’. Na análise do conto, a Rua e o Carnaval surgem enquanto dimensão existencial e espaço privilegiado de manifestação de aspectos fundamentais da dinâmica da vida do indivíduo e da coletividade.”

Leia o ensaio completo

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revisa Gragoatá, v. 21, n. 41 . Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.