Arquivo da categoria: Prefácios & Afins

Prefácio de “Contos fantásticos: Machado de Assis” (Raimundo Magalhães Júnior)

“Contos Fantásticos, de Machado de Assis? Se algum leitor fizer tal pergunta, é sinal de que pouco conhece a obra do grande escritor carioca, considerado, com justiça, um dos nossos grandes romancistas e o maior dos nossos contistas. Nascido na cidade do Rio de Janeiro, a 21 de junho de 1839 — do mesmo ano do nascimento de Casimiro de Abreu, de Tobias Barreto e de Floriano Peixoto — Joaquim Maria Machado de Assis seria poeta precoce, começando a versejar aos 15 anos, e publicaria antes de completar 18 anos, o seu primeiro conto, intitulado Três Tesouros Perdidos. Esse conto, saído em A Marmota de 5 de janeiro de 1858, seria incluído no volume Páginas Recolhidas, a partir de 1937. A princípio, dedicava-se Machado de Assis com mais frequência às musas, à crítica teatral e literária, à crônica, mas a partir de junho de 1864, quando se liga ao Jornal das Famílias, é a produção do contista que começa a adquirir relevo, através de longas narrativas, às vezes publicadas em dois a três números daquela publicação. (…)”

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Prefácio de “Contos do Grotesco e Arabesco” (Edgar Allan Poe)

40“Ver-se-á que os termos “grotesco” e “arabesco” indicam com bastante precisão o teor dominante dos contos aqui publicados. Mas, se durante dois ou três anos escrevi 25 histórias curtas cujo caráter geral pode ser definido com tanta brevidade, não é justo – ou, em todo caso, não é verdadeiro – inferir daí que alimento um especial ou enorme gosto ou propensão por esse tipo de texto. (…)”

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Introdução de “Obras-primas do conto de suspense” (Luís Martins)

“Que vem a ser, exata e precisamente, o ‘suspense’? A ‘Enciclopédia Britânica’ não inclui a palavra entre os seus verbetes, mas o Oxford Universal English Dictionary a define como ‘a state of mental uncertainty with expectation of or desire for decision, and some aprehension or anxiety; the condition of waiting or being kept waiting for an expected decision, assurance or issue; less commonly, a state of uncertainty of what: to do, indecision; doubtfulness, uncertainty,

undecidedness’. (Estado mental de incerteza com expectativa ou desejo de decisão, e alguma apreensão ou ansiedade; condição de esperar ou ser mantido esperando por uma decisão, certeza ou acontecimento; menos comumente, estado de incerteza quanto ao que fazer, indecisão; dúvida, incerteza, hesitação).”

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Introdução de “Obras-primas do conto de terror” (Jacob Penteado)

“O conto de terroterror1r possui muita afinidade com o conto fantástico, sendo mesmo difícil, em certos casos, discernir a diferença, a sutileza existente entre ambos os gêneros. Entretanto, podemos afirmar que há histórias fantásticas onde não se vislumbra o menor resquício de pavor, embora esta assertiva possa parecer, à primeira vista, incoerente. Vamos citar um exemplo. De Obras-Primas do Conto Fantástico, por nós organizado para esta Editora, consta ‘Os óculos de Titbottom’, que é um primor de fantasia, mas lírica, suave e até cativante, pela delicada mensagem que nos traz. E o mesmo se poderia dizer a respeito de ‘A missa das sombras’, do inimitável Anatole France. Fantasia da melhor, e nada de pavor. Poderão objetar que isso depende unicamente do temperamento ou do estado de alma de quem escreve. De pleno acordo. Há, todavia, fatos verídicos que representam cenas do mais puro pavor, onde a realidade supera a imaginação.”

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Prefácio de “O conto fantástico” (Jerônimo Monteiro)

“Uma antologia de contos fantásticos brasileiros…conto-fantc3a1stico-panorama-do-conto-brasileira-volume-8

Agora que esses contos aí estão, tudo ficou fácil. Mas, reuni-los…

A verdade é que não tínhamos noção exata da escassez de contos desse gênero em nossa literatura. Quando surgiu a idéia da antologia, a impressão era de haver fartura de material, pois que se trata de gênero muito do agrado do povo esse que enfeixa as histórias fantásticas, de aparições, de mistérios, de almas penadas… Parecia-nos ter lido, através do tempo, muita coisa assim. Diante das dificuldades encontradas, porém, verificamos que o que se lê em nossa terra, desse gênero, é literatura traduzida, especialmente do inglês. Os ingleses é que se pelam por casas mal-assombradas e os autores fornecem, por meio da literatura, o que não se encontra com frequência na realidade. Entre nós parece que se dá o contrário: há muitas lendas, superstições e assombrações por esse sertão, e há pouco quem se aproveite do tema para escrever.”

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Introdução de “Obras-primas do conto fantástico”, por Jacob Penteado

“Segundo Pierre Castex, organizador de magnífica antologia de contos fantásticos francesesjulio4, o fantástico, em literatura, é a forma original que assume o maravilhoso, quando a imaginação, ao invés de transformar em mito um pensamento lógico, evoca fantasmas encontrados no decorrer de suas solitárias peregrinações. Ele é gerado pelo sonho, pela superstição, pelo medo, pelo remorso, pela superexcitação nervosa ou mental, pelo álcool e por todos os estados mórbidos. Ele se alimenta de ilusões, de terrores, de delírios. Assim, embora tenha florescido em outras épocas, parece satisfazer plenamente ao paladar dos leitores modernos.”

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Introdução de “Antologia de Contos de Terror e do Sobrenatural” (Brenno Silveira)

antologia-de-contos-de-terror-e-do-sobrenatural“As histórias de terror e mistério exerceram sempre profunda fascinação sobre o homem. Nos países de clima frio, principalmente, os serões de inverno – estação do ano em que homens, mulheres e crianças eram forçados, pela inclemência do tempo, a uma reclusão quase completa em suas casas – as lendas e histórias constituíam (e ainda hoje constituem, em muitas regiões rurais) um dos meios mais comuns de suportar a monotonia das horas.

E que histórias poderiam, mais do que as histórias de terror e do ‘sobrenatural’, prender, de maneira mais cabal, a atenção de tais ouvintes, em geral incultos e supersticiosos? Eram narrativas que versavam sobre um tema eterno, isto é, o da situação do homem num mundo geralmente hostil, cheio de perigos e de mistérios inexplicáveis.”

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