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Frases (XXII)

“O fato é – e a maior parte de nós sabe disso, no fundo – que muito poucos entre nós conseguem evitar uma espiada nervosa para a sucata cercada por carros de polícia e sinais luminosos na estradastephen_king-coming-to-boulder, à noite. Idosos apanham o jornal pela manhã e imediatamente abrem na coluna de óbitos, para ver quem é que se foi antes deles. Todos nós ficamos abalados por um momento quando ouvimos dizer que um Dan Blocker morreu, um Freddie Prinze, uma Janis Joplin. Sentimentos terror misturado com um estranho júbilo quando ouvimos Paul Harvey anunciar no rádio que uma mulher foi apanhada pela hélice de um avião durante uma tempestade, num pequeno aeroporto do interior, ou que um homem foi vaporizado imediatamente num liquidificador industrial gigante quando um colega de trabalho esbarrou num dos controles. Não é preciso elaborar o óbvio; a vida está cheia de horrores pequenos e grandes, mas pelo fato de os pequenos serem aqueles que conseguimos compreender são os que nos atingem com toda a fora da mortalidade.”

Stephen King. Sombras da noite.


Frases (XXI)

“Vivemos numa época de medo. A insegurança tornou-se novamente um ingrediente homans_1-032212ativo da vida política nas democracias ocidentais, e nasceu do terrorismo, claro. Mas, além disso temos um medo mais insidioso da incontrolável velocidade das mudanças, da perda do emprego, de ceder espaço para outros numa distribuição de recursos cada vez mais desigual, da perda de controle das circunstâncias e rotinas de nossa vida diária. E, acima de tudo talvez, o pavor de que não só nós perdemos a capacidade de conduzir nossas vidas, como também os responsáveis pelo governo também perderam o controle da situação para forças que estão além de seu alcance.”

Tony Judt. O mal ronda a Terra.


Frases (XX)

“Os sonhos […]. São formas do terror que se manifestaram corporalmente, sem que as testemunhas necessariamente tivessem que ser vitimas de violência física. Em outras palavras, precisamente como ficmo200810007335380arção eles foram um elemento da realidade histórica. Os sonhos não mostram apenas as condições que os tornaram possíveis – possíveis como ficção. Os próprios sonhos são formas de realização do terror. [….] os sonhos revelam uma dimensão antropológica, sem a qual o terror e seus efeitos não podem ser entendidos. São não apenas sonhos com o terror, mas primeiramente, e antes de tudo, sonhos no terror, que perseguem as pessoas até durante o sono.”

Reinhart Koselleck. Futuro passado: uma contribuição à semântica dos tempos históricos.


Frases (XIX)

screen-shot-2017-01-25-at-23-25-22“Mas há uma razão para o fato de, não importa o quão sofisticadas ou primitivas, todas as religiões terem demônios. Algumas podem ter anjos, outras não. Um Deus, deuses, Jesus, profetas – a figura de autoridade máxima varia. Há muitos tipos diferentes de criadores. Mas o destruidor sempre toma, essencialmente, a mesma forma. O progresso do homem tem sido, desde o início, frustrado por provadores, mentirosos, corruptores. Criadores de pragas, loucura, desespero. A experiência demoníaca é a única verdadeiramente universal de todas as experiências religiosas do homem.”

Andrew Pyper. O demonologista.


Frases (XVIII)

“ ‘Como você consegue ler isso?’

784092Eu me lembro de que me perguntavam isso todas as vezes que me encontravam com uma coleção de histórias de horror, um romance de vampiro ou qualquer livro com uma capa vagamente sinistra. Substitua ‘ler’ por ‘assistir’ e a mesma pergunta pode ser ouvida toda vez que um novo filme de fantasma, de monstro ou um slasher estreia: ainda que os filmes de horror sejam muito lucrativos, eles não são realmente respeitados. O medo, ao que parece, não está entre as refinadas emoções pelas quais a crítica procura na alta arte.

Mas o horror está sempre conosco. Ele esconde-se nos cantos escuros da alma e nas sombras que entremeiam as luzes mais brilhantes. Ele é o medo corrosivo de que a plácida superfície de nosso mundo possa ser, e de fato seja, destroçada por forças que estão fora de nosso controle. Por esta razão, a humanidade tenta, com graus variados de sucesso, iluminar os lugares obscuros do mundo e de nossas mentes. Dessa maneira, espera-se que a luz do conhecimento destrua as desconhecidas forças do mal que nos rondam e leve nossas vidas de volta a uma felicidade imaginária surgida de algum passado esquecido ou de um futuro quimérico.”

Jason Colavito. Knowing Fear: Science, Knowledge and the Development of the Horror Genre.


Frases (XVII)

Screen Shot 2014-09-06 at 8.17.22 PM“Em filmes e romances de horror que são apelativos e sangrentos, pessoas morrem para chocar espectadores e leitores. Não há uma razão real para a violência. Neste ponto, Sexta-feira 13 é tão repulsivo quanto O massacre da serra elétrica. A única razão para a existência de Sexta-feira 13 é mostrar que o cara dos efeitos especiais consegue fazer o sangue espirrar de diversas maneiras diferentes para que a plateia sinta nojo. Bem, eu não preciso que me façam sentir nojo. Eu posso sentir nojo vendo um cervo abatido no meio da estrada; eu não preciso ir ao cinema para isso.”

Charles Grant. Entrevista a Douglas Winter em Faces of Fear; encounter with the creators of the Modern Horror.


Frases (XVI)

“O horror, para mim, é como um anátema: Sexta-feira 13, machados rachando crânios ao meio, coisas desse tieusoualendapo: é visceral. Já o terror é mental, apavora através da mente e não das entranhas. Se você quer assustar alguém, esse é o caminho. Acho que foi Anatole France quem disse ‘Saber não é nada, imaginar é tudo’.”

Richard Matheson. Entrevista a Douglas Winter em Faces of Fear; encounter with the creators of the Modern Horror.