Arquivo da categoria: Ficção

Northanger Abbey (Jane Austen)

il_570xn-346758559“Ninguém que tenha visto Catherine Morland em sua infância poderia supor que ela tivesse nascido para ser uma heroína. Sua situação na vida, o caráter de seu pai e de sua mãe, sua própria pessoa e seu ânimo, tudo se mostrava igualmente contra ela. Seu pai, um clérigo, não era desafortunado ou pobre – um homem muito respeitável, embora seu nome fosse Richard, e nunca fora bonito. Tinha uma considerável autonomia, além de dois salários; e nem de longe era dado a trancafiar suas filhas. Sua mãe, dona de um apropriado senso comum, tinha bom temperamento e – o que era mais notável – uma boa constituição. Teve três filhos antes de Catherine nascer. E, ao invés de morrer ao trazer esta última ao mundo, como seria de se esperar, ela ainda viveu – viveu para ter mais outros seis filhos e vê-los crescer ao seu redor, enquanto gozava de excelente saúde.”

Leia aqui o romance completo, em inglês


Dois romances de Nico Horta (Cornélio Penna)

110743_537“Ela viera da mesma fazenda onde seu pai [o pai de Nico] nascera, e onde se tinham sepultado, lentamente, todas as recordações de sua infância inocente. Havia naqueles olhos, onde rondava uma antiga angústia, a mesma afinidade escondida, o mesmo pedido latente de explicações que ele sempre vira no olhar de seu pai, reprimido e oculto sob aparente hostilidade.”

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Repouso (Cornélio Penna)

repouso-cornelio-penna-1-edico-d_nq_np_12902-mlb20067978445_032014-f“sentia que dentro dela se passava qualquer coisa de enorme, desmedido, inteiramente fora de seu entendimento. Um mistério hostil, perigoso, nascera e crescia, sem que nada pudesse impedir a sua formação implacável, e invadiria toda a sua vida. Tudo seria modificado, e seu sangue não poderia suportar a presença devoradora daquele ser que a destruiria em febre lenta…”

Compre o livro Repouso, de Cornélio Penna


The vampyre (John William Polidori)

51mqn7opi3l“Naquele tempo, apareceu no meio da agitação de um inverno em Londres, e nas numerosas reuniões que a moda ali conciliava nessa época, um lorde mais notável ainda por suas singularidades do que por sua posição. […] Sua figura era regularmente bela, não obstante a coloração sepulcral que reinava em seus traços, a qual nunca era animada nem pelo amável rubor fruto da modéstia, nem pelas fortes emoções engendradas pelas paixões.”

Leia aqui a novela completa, em inglês


Lord Ruthwen, ou Les vampires (Charles Nodier)

“Ouve-se soar uma hora ao timbre argentino de um sino distante. O tam-tam a repete de eco em eco gradativamente […] Todas as sombras elevam-se no momento em que a hora retine. Sombras pálidas saem pela metade e voltam a cair sob a pedra tumular, à medida que o ruído se dissipa no eco. Um espectro vestido com uma mortalha evade-se do mais visível dos túmulos. Seu rosto encontra-se descoberto. Ele precipita-se até o local em que miss Aubrey está adormecida, gritando: Malvina!”

Leia aqui a peça completa, em francês

 


A Dama Pé-de-Cabra (Alexandre Herculano)

8797250“Vós os que não credes em bruxas, nem em almas penadas, nem nas tropelias de Satanás, assentai-vos aqui ao lar, bem juntos ao pé de mim, e contar-vos-ei a história de D. Diogo Lopes, senhor de Biscaia.

E não me digam no fim: – “Não pode ser.” – Pois eu sei cá inventar cousas destas? Se a conto, é porque a li num livro muito velho, quase tão velho como o nosso Portugal.”

Leia aqui o conto completo


Antes das primeiras estórias (Guimarães Rosa)

capa_livro__“E por três vezes Kartpheq invocou Baal-Moloch, o soturno-morcego, que tem dois olhos na fronte e dois na nuca – dois fechados e dois abertos – quatro asas nas costas – duas dobradas e duas espalmadas – e mais duas na cabeça. Depois ergueu com a mão esquerda o primeiro menino, que esperneava aos gritos. O cutelo riscou no ar um reverbero de sol, e a cabecinha podada caiu no fogo, por entre o borrisco de sangue.”

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