Arquivo da categoria: Ensaios

Os monstros e os escribas: monstros e origens no manuscrito de Beowulf (Gesner Las Casas Brito Filho)

Resultado de imagem para beowulf monsters“O manuscrito de Beowulf, hoje em poder da British Library em Londres, conhecida também como Nowell Codex (Cotton Vitellius A.xv) é composto pelos seguintes textos: Vida de São Cristovão, Maravilhas do Orient, Carta de Alexandre para Aristóteles, Beowulf, e Judite. As figuras dos monstros presentes no manuscrito de Beowulf estão conectadas em uma lógica maior que une todos os textos do manuscrito: as origens anglo-saxônicas. Um Oriente idealizado, que é a origem dos males e ao mesmo tempo dos elementos considerados benéficos desta sociedade. Estes males, personificados nas figuras dos monstros são os elementos que se confrontam com aquilo que seria considerado como um modelo idealizado de sociedade pelos anglo-saxões próximo ao ano 1000, que é o período de compilação do manuscrito.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista do Colóquio, v.5, n.8. Republicamos aqui com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.

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(De)Composições do corpo físico e social: a emergência do zumbi na ficção norte-americana contemporânea (Anderson Soares Gomes)

Resultado de imagem para zombies“Um dos mais populares monstros do período contemporâneo, o zumbi se configura como significante privilegiado para captar as ansiedades do início do século XXI. Surgido nas narrativas de viagem de exploradores do Haiti no início do século XX, e depois adquirindo status de principal criatura do cinema de horror da atualidade, o zumbi vem servindo como alegoria para autores da literatura norte-americana tematizarem discussões sobre os limites da civilização, do corpo, e da própria noção de self. O presente trabalho se concentra em dois romances essenciais para melhor compreender o zumbi como símbolo da (de)composição do mundo contemporâneo. O primeiro é Zone One, de Colson Whitehead, que mostra a tentativa de reconstrução da cidade de Nova York após a infestação da cidade pelas criaturas. O romance também apresenta uma variação bastante peculiar e complexa do zumbi: o straggler. A segunda obra aqui discutida é Guerra Mundial Z, de Max Brooks, que traça um mosaico de personagens e narra os acontecimentos de uma guerra contra zumbis que praticamente extinguiu a humanidade. Os dois romances discutem, em suas narrativas, como o zumbi problematiza noções de alteridade por ser uma criatura despida de subjetividade, mas que ainda assim preserva traços humanos. Além disso, os mortos-vivos servem como exemplo máximo para o conceito de “estranho” (unheimlich), como analisado por Freud. Assim sendo, este trabalho pretende investigar a ascensão do zumbi como metáfora do momento atual na literatura norte-americana contemporânea e discutir como esse monstro tão assustador serve como representação do zeitgeist deste início de século.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Gragoatá, v.18, n. 35. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Heathcliff: a representação gótica sublime do Mal em O Morro dos Ventos Uivantes (Alessandro Yuri Alegrette)

Resultado de imagem para wuthering heights“Este artigo procura apontar as prováveis origens de Heathcliff dentro da tradição literária inglesa e do romance gótico. Considerado pela crítica literária uma das grandes criações da escritora inglesa Emily Brontë, Heathcliff reúne em sua composição todas as características do vilão. Misterioso, cruel e capaz de cometer atos terríveis, alguns para demonstrar o amor intenso que sente por sua amada, esse personagem desafia a continuidade das convenções morais e sociais do século XIX. Assim, procuro ressaltar alguns aspectos sinistros desse personagem, que provavelmente tem suas origens no contexto histórico da era vitoriana, em obras clássicas da literatura inglesa e nas criaturas monstruosas, destacando-se dentre elas, o vampiro que aparece de forma recorrente em textos góticos publicados nesse período.”

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(*)Republicamos esse ensaio aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Rubem Fonseca: a representação da violência e das relações de poder enquanto agressão ao leitor no conto “O Cobrador” (Antonio Guizzo)

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“Em  linguagem concisa, contundente e perturbadora, a literatura de Rubem Fonseca procura revelar, nos menores detalhes, a violência, as diferenças econômicas, erotismo e as relações de poder surgidas nas grandes metrópoles. Nesta perspectiva, este artigo pretende analisar o conto “O cobrador”, no qual a voz do elemento marginalizado exibirá, por meio da violência, as falhas da sociedade moderna e conduzirá o leitor à incomoda reflexão sobre seus princípios, valores e leis, ora pela empatia, ora pela aversão ao indivíduo transgressor e seu discurso.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Terra Roxa e outras terras, v.21. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O fascínio do crime: João do Rio e as raízes da Literatura Policial no Brasil (Júlio França e Pedro Sasse)

Imagem relacionada“Levando em conta a escassez de personagens detetivescas heroicas em narrativas literárias brasileiras, o artigo “O Fascínio do Crime: João do Rio e as Raízes da Literatura Policial no Brasil”, de Julio França e Pedro Sasse, adota a  categoria crítica Ficção de Crime, de John Scaggs, para demonstrar que as narrativas de thriller criminais possuem raízes profundas em nossa literatura e toma a produção literária de João do Rio como exemplo pioneiro dessa tendência. Além disso, sustenta que o Suspense Criminal, categoria crítica baseada no conceito de crime novel, de Julian Symons, é a principal forma da Ficção de Crime no Brasil. Nessas produções, o protagonismo não é dado nem ao detetive, nem ao desvelamento do enigma, mas ao criminoso em si, aos atos que este comete e aos motivos que o levaram a tal. Ao considerar os folhetins e as crônicas de crime no Brasil na segunda metade do século XIX e no início do século XX como predecessores do Suspense Criminal entre nós, os autores elegem João do Rio como um dos primeiros nomes a inaugurar essa vertente em sua forma plena com o foco nos crimes e nas atrocidades a que está submetido o homem urbano.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro Configurações da Narrativa Policial. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Maternidade monstruosa em Cornélio Penna (Josalba Fabiana dos Santos)

gothic_bg_var01____by_the_night_bird-d3bhgi6“Através da recorrente metáfora do monstro em Fronteira, Dois romances de Nico Horta e Repouso, Cornélio Penna configura, alegoricamente, o estado de violência que o patriarcalismo engendra. Mães potencialmente destrutivas geram seres que as repetem, mas que são diferentes. Portanto, não as reconhecem e com elas não se identificam. Ícone da criação monstruosa, Frankenstein, de Mary Shelley, é produtivo para uma reflexão a respeito da tensão presente entre criador e criatura que torna impossível fixar a monstruosidade num ou noutro. Num universo em constante mutação, também os seres se tornam mutantes, inapreensíveis e irreconhecíveis. Qualquer idéia de fixidez identitária se revela falsa.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na  Revista Aletria, v. 16, n. 2. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Deslocamentos e identidades no Gótico australiano: o caso de “Picnic at Hanging Rock” e “Piquenique na Montanha Misteriosa” (Luciana Rassier e Cynthia Costa)

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“O romance Picnic at Hanging Rock, de Joan Lindsay (1967), e sua adaptação cinematográfica homônima dirigida por Peter Weir (1975), comercializada no Brasil como Piquenique na Montanha Misteriosa, têm intrigado leitores e espectadores há mais de quatro décadas.

Ambientadas na Austrália rural de 1900, as narrativas ilustram o gênero gótico australiano ao tratar do misterioso desaparecimento de três alunas e uma professora de um internato repressor, durante um piquenique na montanha. Partindo das relexões de Linda Hutcheon (2011) sobre adaptações, analisamos em que medida as narrativas literária e cinematográfica dialogam; já as reflexões de Susan Bassnett (2006) e Kristi Siegel (2004) sobre relatos de viagem femininos nos permitem pensar as temáticas da sexualidade feminina e do deslocamento no espaço como metáfora da transformação do indivíduo.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Ilha do Desterro. Republicamos aqui, com autorização das próprias autoras, com fins puramente acadêmicos.