Arquivo da categoria: Ensaios

Edgar Allan Poe e a simbologia do medo (Marihá Lopes)

ravenpoe“Edgar Allan Poe teve sua história rodeada por mistérios e sua obra não poderia ser diferente, sendo um escritor reconhecido como um dos precursores do fantástico estranho, comentado e aclamado pela crítica. Suas narrativas são centralizadas no indivíduo e em seus problemas pessoais referentes à alma e aos sentimentos. Dentre diversas características, sua obra se destaca pelo confronto entre o mundo interior e o mundo exterior, criando narrativas de mistério, alucinações, terror e morte, que podem retratar os medos e as ansiedades que assombram a mente humana. ‘O corvo’ é um dos poemas mais famosos do escritor, cujo tom mórbido e depressivo prevalece ao longo da escrita. Já ‘O gato preto’ traz à tona um estudo da psicologia da culpa, através de um narrador assassino, cuja mente doentia usa a lógica para explicar o que uma mente normal iria entender intuitivamente. Nesse sentido, os conflitos internos dos protagonistas são tão fortes que a realidade pode se apresentar distorcida pelo imaginário. Observamos, assim, que é dentro do imaginário humano que vários símbolos ganham significados. Considerando isso, trabalhamos representações do medo em ‘O corvo’ e ‘O gato preto’, através de imagens ou elementos presentes e suas possibilidades simbólicas.”

Leia o ensaio completo

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do CENA IV. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


O fantástico em O Mistério de Highmore Hall e Tempo e Destino, os primeiros contos de Guimarães Rosa (Luis E. W. Machado)

Digital Camera‘Tempo e Destino’ e ‘O Mistério de Highmore Hall’ são dois dos primeiros contos de Guimarães Rosa publicados no jornal O Cruzeiro quando o autor era estudante de medicina e contava com tão somente 21 anos de idade. Apesar da grande diferença no estilo dos trabalhos que logo seguiriam, já podemos perceber nestes primeiros exercícios a grande preocupação do autor em não seguir modelos realistas, cartesianos e lineares; ao contrário, Guimarães Rosa já deixa claro sua preocupação com o efeito estético apelando para o misterioso, para o horror e para o fantástico para dar luz a um efeito não racionalista que visa ao poético por meio do choque, do misterioso e do inexplicável. Como Horace Walpolle, Poe e Lovecraft, Guimarães Rosa busca nesses primeiros contos sua inspiração na matriz da literatura gótica e fantástica dos séculos XVIII e XIX, matriz essa que logo será substituída por outra, de caráter regionalista, mas que não perderá nunca o viço do místico e do inexplicável.”

Leia o ensaio completo

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Fronteiraz (2009). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Terror e melancolia: o sublime na poesia de Fagundes Varela (João Pedro Bellas)

Resultado de imagem para burke sublime“Este artigo analisa a manifestação do sublime na poesia de Fagundes Varela, tendo como objetos de investigação os poemas “Cântico do calvário” (1865) e “A sede” (1869). Neste ensaio, trabalhamos, especificamente, com duas dessas formulações, a saber, o sublime romântico wordsworthiano, que podemos reconstruir a partir das considerações de Wordsworth acerca da poesia, e o conceito definido por Edmund Burke em sua Investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do sublime e do belo (1757). Para contrastar ambas as teorias da sublimidade, partimos da divisão proposta por Thomas Weiskel (1994) entre um sublime negativo e outro positivo, o primeiro derivado da ideia de que a alma humana é finita e limitada e o segundo relacionado à noção de que ela é infinita. A partir dessa distinção, podemos afirmar que o sublime burkeano, pautado no instinto de autopreservação e nas ideias de dor e perigo, seria de natureza negativa, enquanto o sublime wordsworthiano, que visa a afirmar as capacidades quase divinas da alma, seria de natureza positiva. Nosso objetivo é demonstrar que o poeta fluminense, em sua produção, adotou elementos comuns a ambas as versões do sublime.”

Leia o ensaio completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.


As convenções góticas em Os 120 Dias de Sodoma (Nicole Ayres Luz)

Resultado de imagem para marques de sadeOs 120 Dias de Sodoma ou A Escola da Libertinagem, produzido em 1785 e publicado apenas no século XX, pelo polêmico Marquês de Sade, é uma obra simbólica do sadismo na literatura. O enredo apresenta quatro aristocratas libertinos, que trancafiam um grande grupo de pessoas, vítimas e ajudantes de seu projeto, em um castelo suíço durante quatro meses para a realização de orgias e torturas diversas, organizadas por ciclos, do mais básico ao mais intenso nível de violência. Os libertinos podem ser classificados como personagens monstruosos, de acordo com análises como as de Jeffrey Jerome Cohen e Julio Jeha, e, mais especificamente, como sádicos, termo derivado da obra do Marquês e cunhado pelo psiquiatra Richard von Krafft-Ebing. Os personagens sadianos são devotos da libertinagem, como a uma religião, visando unicamente sua própria satisfação. A perversão sem limites de tais personagens horroriza o leitor, provocando medo artístico, conceito desenvolvido por Júlio França. Por meio desse tipo de reação, percebe-se que é possível experimentar uma sensação de prazer durante a leitura de obras onde predomina a maldade, pela consciência de seu caráter ficcional; a ameaça, portanto, não é real, o que possibilita a fruição estética. Observa-se também o papel do cenário sombrio na construção da narrativa para gerar esse efeito de medo. O castelo de um dos libertinos, localizado numa região isolada da Suíça, possui múltiplos ambientes, devidamente equipados para os fins de experimentação cruel dos protagonistas. Controladas e punidas em caso de desvio das regras estabelecidas pelos sádicos, em um ambiente desconhecido, atemorizante e afastado da civilização, as vítimas se encontram sem salvação possível. Considerando os personagens aristocratas monstruosos, o cenário lúgubre do castelo onde ocorrem os abusos e o pessimismo inerente à narrativa de Sade, o presente trabalho pretende descrever o romance como uma obra gótica.”

Leia o ensaio completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização da próprioa autora, com fins puramente acadêmicos. 


A relação homem-ciência no Brasil da Belle Époque: uma análise de Esfinge, de Coelho Neto (Dayane Andréa Rocha Brito & Naiara Sales Araújo Santos)

Imagem1“[A] presente pesquisa visa fazer um estudo do período que antecedeu os movimentos da FC brasileira, estabelecendo a relação entre homem e ciência no contexto brasileiro durante o início do século XX, por meio da introspecção do personagem central de Esfinge, o misterioso andrógino James Marian. Para isso, serão pontuados os elementos característicos da visão científica brasileira no início do século XX, presentes na obra, a fim de caracterizar a Ficção Científica no contexto brasileiro durante período a qual se insere, além de analisar o comportamento do personagem central da trama como reflexo do temor da sociedade por criações científicas para que se entenda a relação entre sua reclusão e a visão de ciência que vigorava na época em que a obra foi escrita.”

Leia o ensaio completo

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente em Ficção científica brasileira: cultura, identidade e política, EDUFMA, 2015. Republicamos aqui, com autorização das próprias autoras, com fins puramente acadêmicos.


Ossos do ofício: linguagem e violência em Rubem Fonseca (Sarah Diva Ipiranga)

pena-1“Análise da construção da imagem da violência nos contos de Rubem Fonseca por meio de recursos expressivos do código linguístico que criam o estado ‘brutal’ das narrativas. Através da referencialidade, da metonímia e da descrição, o narrador monta uma rede textual em que retrata situações de extrema violência e crueldade, como também personagens que se revelam por um discurso permeado de signos que agenciam o caráter letal de suas ações. O estilo, nomeado de hiper-realista, cria essa impressão de uma realidade ampliada e intensificada pelo impacto que a linguagem deposita nas cenas narrativas. Através da análise detalhada das categorias propostas em diálogo com os contos selecionados, deseja-se mostrar que o excesso referencial não subtrai a simbolização inerente à linguagem.”

Leia o ensaio completo

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na revista O Eixo e a Roda, v. 24, n. 1. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


O espaço gótico e a questão de leitura em Northanger Abbey, de Jane Austen (Priscila Campos)

Nothanger Abbeynothangerabbey é uma paródia da ficção gótica escrita por Jane Austen e publicada, postumamente, em 1818. Austen escreveu esse romance no momento em que a ficção gótica havia alcançado seu clímax de popularidade no final do século XVIII. Austen apresenta, neste romance, um problema de interpretação: a protagonista, Catherine Morland, é incapaz de compreender os limites entre o mundo ficcional e sua realidade. Tal limitação, muitas vezes, é enfatizada através de um aspecto formal da narrativa – o espaço. Catherine constrói sua ilusão através da associação entre o espaço estereotipado do romance gótico e o mundo que a cerca. As dificuldades que Catherine enfrenta não estão apenas ligadas a como Catherine vê o mundo ao seu redor, mas como ela o interpreta. Por esse motivo, este artigo tenciona discutir como o espaço, um aspecto formal da narrativa, é responsável pela ilusão em torno do romance ao qual Catherine está submersa.”

Leia o ensaio completo

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Em Tese, v. 22, n. 1Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos