Arquivo da categoria: Ensaios

“William Wilson”: o retorno do significante (Ana Maria Agra Guimarães)

Resultado de imagem para william wilson illustration“O presente artigo busca interpretar o conto “William Wilson”, de Edgar Allan Poe, à luz da teoria do fantástico, que tem como característica principal a hesitação, transitando entre a verossimilhança e inverossimilhança e instalando no texto a ambiguidade. O texto também se apoia na psicanálise, mostrando como um significante forcluído pode retornar em forma de horror. No caso, do conto interpretado, o conceito do duplo é o elemento principal que faz surgir o desconhecimento do personagem em relação à constituição de sua própria subjetividade.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Aletria, v. 22, n. 1 (2012).Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Jekyll e Hyde: alquimia e feitiçaria (Vinícius Lucas de Souza)

Resultado de imagem para ilustração jekyll and hyde“Ao se vislumbrar o conto “William Wilson” (1839), de Edgar Allan Poe, o tema do duplo (Doppelgänger) perpassa toda a narrativa. Com a premissa de que esse conto é um marco nessa temática, como afirma Otto Rank, estudioso de tal motivo, pode-se dizer que a denominação “Complexo de William Wilson” seja adequada para representar três elementos que emergem da narrativa mencionada de Poe: a existência de uma segunda personagem que compartilha traços físicos e psíquicos da personalidade “original”; o Unheimliche (tal como definido por Sigmund Freud em seu ensaio “O ‘estranho’” (1919)), o familiar e estranho impregnando uma mesma personagem (o outro; o duplo); e o espelho, auxiliador da manifestação do Doppelgänger. Tendo em mente o referido Complexo, o que se almeja demonstrar nesta comunicação é como os dois primeiros braços do Complexo de William Wilson são revisados no romance O médico e o monstro (Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, 1886), de Robert Louis Stevenson. Com uma ampliação da abordagem da segunda entidade e com uma inovação no elemento unheimlich, o romance em questão ressignifica o tratamento do Complexo de William Wilson. A partir da revisão desses dois fatores, Henry Jekyll revela-se não somente um cientista, mas também um alquimista em direção a um experimento transcendental, cujo produto é a vinda de Edward Hyde, o assassino repulsivo que se configura como um necromante, ao incutir sobre si um conjuro capaz de causar a morte àqueles que observam a transformação que envolve Jekyll e Hyde.”

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(*)Republicamos esse ensaio aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


A temática da ciência em “Palestra a horas mortas” (1900), de Medeiros e Albuquerque (Marina Sena)

Imagem relacionada“O presente artigo tem como objetivo demonstrar de que forma o conhecimento e o pseudoconhecimento relacionado ao campo da medicina são utilizados para narrar atos transgressivos, descrever cenários de horror e caracterizar como “transtornadas” personagens que possuam o desejo de conhecimento excessivo ou que ultrapassem os limites impostos pela sociedade. Para tal, será analisado o conto “Palestra a horas mortas” (1900), de Medeiros e Albuquerque”.

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

 


A vertente feminina do Gótico na Literatura Brasileira oitocentista (Ana Paula Santos)

Resultado de imagem para a rainha do ignoto“No presente trabalho pretendo compreender as particularidades de uma vertente específica do Gótico literário: o Gótico feminino, e investigar sua existência na literatura brasileira oitocentista. Para tal feito, proponho a leitura das obras Úrsula (1859), de Maria Firmina dos Reis, D. Narcisa de Villar (1859), de Ana Luísa de Azevedo e Castro e A Rainha do Ignoto (1899), de Emília Freitas. Minha hipótese é a de que as convenções do Gótico feminino tenham oferecido às escritoras brasileiras recursos estilísticos e imagéticos para retratarem a difícil condição da mulher na sociedade.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Um vilão chamado progresso: distopia e gótico em “Não verás país nenhum”(Pedro Sasse)

Resultado de imagem para não verás país nenhum ilustração“Da mesma forma que as distopias da primeira metade do século XX surgem de uma situação política tensa, com, entre outros horrores, duas guerras mundiais vividas de perto por seus autores, no Brasil, Não verás país nenhum é publicado durante um período delicado de nossa política: a ditadura militar. O autor, Ignácio de Loyola Brandão, jornalista e escritor paulista, já havia sofrido censura com seu romance Zero (1975), e encontrou na ficção distópica uma forma de contornar a censura militar. Partindo de um conto seu anterior, “O homem com um furo na mão”, que passa a servir de situação inicial para a obra, Brandão publica, em 1981, Não verás país nenhum.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos anais do III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional (SEPEL 2016). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O diabo como instância moralizadora em conto de Sade (Nicole Ayres Luz)

Resultado de imagem para sade devil illustration“O presente trabalho tem por objetivo analisar o processo de figuração da personagem do diabo no conto “Aventura incompreensível atestada por toda uma província”, do Marquês de Sade. Tal processo guarda características que o distingue das demais personagens cuja figuração aponta para o protocolo realista, e tem por efeito o medo. Esse efeito é assegurado pelo modo como a personagem é construída, com a presença de diversos índices que sugerem sua existência ambígua e seu caráter maligno. A descrição provoca incerteza quanto a sua natureza e seu poder de malignidade, o que suscita o medo no leitor. O viés moralizante da obra vai de encontro à proposta estética do próprio Sade no prefácio à antologia Os Crimes do Amor, intitulado “Nota sobre romances ou a arte de escrever ao gosto do público”, em que discorre sobre as representações do vício e da virtude, de acordo com a natureza humana. Por fim, considera-se o efeito de medo artístico, conforme classificação de Júlio França, gerado por tais personagens: o barão castigado e o diabo punitivo. O leitor, por um lado, é capaz de fruir a narrativa sem correr riscos reais e, por outro, teme por suas próprias escolhas, se o insólito for tomado como referência possível para compreender o mundo racional. O próprio título já revela certa ambiguidade, pois a situação, apesar de incompreensível, foi confirmada por toda a província, evidência que o narrador enfatiza logo no começo do conto.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos anais do III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional (SEPEL 2016). Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.

 


O Gótico e a presença fantasmagórica do passado (Júlio França)

Resultado de imagem para casa mal assombrada“O Gótico consolidou-se como uma tradição artística que codificou um modo de figurar os medos e de expressar os interditos de uma sociedade. O que se chama de literatura gótica é, pois, a convergência entre uma percepção de mundo desencantada – com as cidades modernas; com o futuro que o progresso científico nos reserva; com o papel insignificante do homem no cosmos; com a própria natureza dessacralizada do homem – e uma forma artística estetizada e convencionalista. Entre os muitos elementos convencionais dessa tradição, três se destacam: o locus horribilis, a personagem monstruosa e a presença fantasmagórica do passado. O objetivo desse artigo é descrever o último desses aspectos, a fim de compreender sua motivação cultural, sua relação com a visão de mundo gótica e suas consequências para a estrutura narrativa desse tipo de ficção. Sendo um fenômeno moderno, a literatura gótica carrega em si as apreensões geradas pelas mudanças ocorridas nos modos de percepção do tempo a partir do século XVIII. A aceleração do ritmo de vida e a urgência de se pensar um futuro em constante transformação promoveram a ideia de rompimento da continuidade entre os tempos históricos. Os eventos do passado não mais auxiliam na compreensão do que está por vir: tornam-se estranhos e potencialmente aterrorizantes, retornando, de modo fantasmagórico, para afetar as ações do presente.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.