Arquivo da categoria: Dissertações

Frankenstein e a monstruosidade das intenções: a criatura como representação da condição feminina (Janile Pequeno Soares)

Resultado de imagem para frankenstein ilustração“Esta pesquisa tem por objetivo analisar Frankenstein (1818), da escritora inglesa Mary Shelley (1797-1851), sob uma perspectiva do conceito de monstruosidade aliada à crítica feminista, tomando como base os estudos de Gilmore (2003), Cawson (1995), Fay (1998), Gilbert e Gubar (1984), dentre outros. Publicado em 1818, Frankenstein permanece atraente, entre tantos pontos, pela crítica social que suas linhas transpiram ao decentralizar o foco da narrativa de castelos assombrados, maldições de família e fantasmas que atormentam os personagens, como havia se solidificado os romances góticos ingleses. Frankenstein inaugura uma nova fase do gótico de romances centrado nos limites psicológicos de seus personagens; explora as monstruosidades das atitudes e das intencionalidades como reflexo da sociedade do período do qual o romance é produto. A ficção de Shelley transborda a experiência feminina advinda do contato com uma sociedade assombrada pela dominação masculina. Assim, nossa análise está centrada na construção da alteridade da Criatura de Victor Frankenstein como representação da condição feminina da época em o romance foi escrito.”

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(*) Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba, no ano de 2015. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Um passeio com Tânatos: a ficcionalização da morte nos contos de Lygia Fagundes Telles (João Pedro Rodrigues Santos)

Resultado de imagem para árvore escuro gótico“Esta dissertação apresenta um estudo sobre a ficcionalização e a representação da morte nos contos da escritora brasileira Lygia Fagundes Telles. Partindo da ideia de que a perspectiva da finitude sempre amedrontou o ser humano, analisou-se como a morte vai se desdobrando e variando em diferentes contos de diferentes obras da trajetória literária de Telles. Assim sendo, a escritora em questão escreve e reescreve a morte de diferentes formas em suas narrativas, mostrando diversas faces desta questão, buscando, também, aprofundar a compreensão deste grande enigma atemporal que persegue o homem desde os primórdios até os dias de hoje. Verificou-se que nos contos estudados, existem dois tipos de abordagens da morte que são retratadas: a morte do outro e a morte de si mesmo. Além disso, discutiu-se como a fruição estética da literatura pode apaziguar e auxiliar as pessoas na busca por compreensão e aceitação da morte. Devido à complexidade do tema da morte, fez-se necessário, no desenrolar da pesquisa, adentrar teorias e conceitos de outras disciplinas, tais como: antropologia, filosofia, história das mentalidades, psicologia, psicanálise e sociologia. Sobretudo, Lygia Fagundes Telles, ao ficcionalizar a finitude, procura penetrar e aprofundar os mistérios da existência humana, convocando seus leitores a embarcarem em narrativas onde morte e vida parecem se amalgamar.”

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(*) Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras na PUC-RS, no ano de 2017. Republicamos aqui, com fins puramente acadêmicos.


A prosa de ficção decadente brasileira e francesa (1884-1924): uma poética negativa (Daniel Augusto Pereira Silva)

Resultado de imagem para decadentismo frances“Este trabalho tem por objetivo analisar como as ficções decadentes brasileira e francesa se estruturaram em nível temático, discursivo e narrativo. Pretende-se, ainda, engendrar modelos teóricos capazes de identificar e de explicar uma produção artística que, em seu conjunto, foi pouco sistematizada pelos estudos literários. O corpus ficcional de análise é composto por narrativas decadentes brasileiras e francesas, que datam do final do século XIX até meados do XX, mais especificamente do período entre 1884 e 1924. Parte-se da hipótese de que a ficção decadente se constituiu como uma poética negativa dedicada a tematizar a degradação humana, conjugando uma visão de mundo pessimista com determinados procedimentos técnicos, com o intuito de gerar efeitos de recepção como o medo e a repulsa. Sustenta-se, ainda, que a decadência literária produziu obras ficcionais estruturalmente bastante semelhantes, ,tanto em suas configurações narrativas quanto em seus temas, independente da literatura nacional à qual se associou. Inicialmente, a partir dos estudos de Jean Pierrot, Séverine Jouve, Marquèze-Pouey e Jean de Palacio sobre a decadência literária, apresentam-se algumas definições sobre os principais temas e ideais que estruturam essa ficção, bem como sua linguagem típica e a sua recepção crítica e historiográfica na França e no Brasil. Em seguida, propõe-se uma análise narratológica da ficção decadente, com base nos trabalhos de Gérard Genette, Mieke Bal e Filipe Furtado. Nessa seção, abordam-se os personagens, os enredos, os espaços, os tempos narrativos e os modos de narrar característicos dessa forma literária. Por fim, empreende-se uma investigação sobre as monstruosidades típicas dos textos decadentes, tendo como base teórica o ensaio “O Monstro”, de J. -K. Huysmans e os modelos de Noël Carroll sobre o Horror artístico. Como demonstração ficcional de tais monstros, apresenta-se uma breve análise dos romances À Rebours (1884) e En rade (1887), ambos de J. -K. Huysmans, bem como Dança do Fogo: o Homem que não queria ser Deus (1922) e Kyrmah: Sereia do vício moderno (1924), de Raul de Polilo.”

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Nos umbrais da Frívola City: perversão e modernidade em “Dentro da Noite”, de João do Rio (Bruno de Oliveira Tardin)

Resultado de imagem para rio de janeiro belle epoque“O trabalho que aqui se apresenta tem por objetivo analisar, a partir da teoria psicanalítica de tradição freudiana e jungiana, bem como dos postulados teóricos a respeito da representação da modernidade pela Literatura, de Latuf Isaias Mucci, Renato Cordeiro Gomes e Walter Benjamin, diante do clima de modernidade instaurado pelos anos da Belle Époque de manifestação carioca, bem como averiguar a manifestação de tipos e padrões perversos através do sujeito moderno, pelo viés do discurso literário de João do Rio em sua obra Dentro da noite. A meta é aplicar adequadamente a fortuna teórico-crítica resgatada no estudo dos contos presentes na coletânea de João do Rio, a fim de que se comprove a existência de uma fenomenologia da perversão dentro de seus tipos literários.”

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Construção da sensibilidade burguesa por meio do espaço em “The Mysteries of Udolpho” de Ann Radcliffe (Natália Cortez do Prado)

933b04edd1b688b41d16891a1c2cfb5e“Em fins do século XVIII, Ann Radcliffe se estabeleceu como uma das romancistas mais famosas de sua época, atingindo o ápice de sua carreira com seu quarto romance, intitulado The Mysteries of Udolpho (1794). Apesar de ser um dos romances góticos ingleses mais importantes, ele ainda apresenta questões pouco exploradas pelos críticos. The Mysteries of Udolpho possui uma das características mais fortes das obras de Radcliffe: a minuciosa elaboração do espaço. Em vista disso, este estudo analisa e discute as funções do espaço, o qual está organizado em natural e construído. A análise centra na maneira como esse aspecto temático-estrutural se relaciona com as ações e relações pessoais da protagonista Emily com as demais personagens. Discutimos como diferentes tipos de espaço tornam-se essenciais por participarem de forma enfática na construção ideológica das personagens, no que diz respeito à associação entre sentimentalismo e racionalidade. Assim, a relação entre espaço e personagens nesse romance expressa aspectos importantes da complexa construção da sensibilidade burguesa na Inglaterra do século XVIII.”

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A morfologia do Horror – construção e percepção na obra lovecraftiana (Alcebíades Diniz Miguel)

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“O horror ficcional é uma das constantes na produção cultural do século XX, como um reflexo que acompanha o horror político. Esse horror culturalmente produzido, que é estético, podemos vislumbrar em vasta produção da indústria cultural – que cobre as mais diversas mídias e formas de representação –, tendo seu momento inicial na ficção fantástica dos séculos XVIII-XIX. Na década de 1920-30, o escritor norte-americano Howard Phillips Lovecraft retomaria essa tradição do fantástico, acrescentando novos significados, formas, usos e estratégias. Neste trabalho, nossa meta foi realizar um panorama da ficção de horror abordando analiticamente elementos das narrativas de seu criador, H. P. Lovecraft.”

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Violência, erotismo e transgressão: A Grande Arte, um romance “policial” de Rubem Fonseca (Clelia Simeão Pires)

Resultado de imagem para a grande arte rubem fonseca“A dissertação teve como objetivo a análise do romance A grande arte, de Rubem Fonseca, que, em sua composição, apresenta características de uma narrativa policial. Para dar início ao estudo, buscamos sistematizar algumas questões relativas à história do romance policial clássico tomando por base obras que trataram da tipologia do gênero, bem como sua evolução. Em seguida, traçamos um breve panorama da literatura policial produzida no Brasil com algumas de suas principais obras e autores. A partir daí, percebemos que a narrativa de A grande arte pode ser vista como uma paródia do gênero policial, pois resgata algumas das regras peculiares ao estilo ao mesmo tempo em que apresenta elementos discursivos que transgridem as leis que classificam um romance como tal. Aprofundamos nossa investigação na referência a textos de estudiosos que analisaram a obra de Rubem Fonseca com enfoque especial aos temas recorrentes na ficção do escritor por julgarmos tais estudos fundamentais para a compreensão do romance em questão. Com as conclusões chegadas nesse estágio do trabalho, observamos que A grande arte frustra as expectativas dos leitores habituados aos clichês encontrados em narrativas policiais por trazer uma narrativa bem elaborada na qual a descoberta da verdade é dispensável. Tentamos, ainda, relacionar a exploração da violência à atmosfera erótica que envolve alguns momentos da narração. Em conseqüência disso, comparamos a figura do protagonista do romance à do personagem mítico Don Juan, para, finalmente, tratarmos dos aspectos de sua personalidade e de suas relações afetivas.”

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