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Convite: Defesa da Dissertação de Ana Paula A. Santos (UERJ-Capes)

26850169O Grupo de Pesquisa Estudos do Gótico tem o prazer de convidar a comunidade acadêmica e os demais interessados para a defesa da dissertação de mestrado em Teoria da Literatura e Literatura Comparada da aluna ANA PAULA A. SANTOS (UERJ-Capes), intitulada:

O GÓTICO FEMININO NA LITERATURA BRASILEIRA: UM ESTUDO DE ÂNSIA ETERNA, DE JÚLIA LOPES DE ALMEIDA

Data: 14 de março de 2017

Horário: 14h

Local: Instituto de Letras da UERJ, campus Maracanã

Banca:

Prof. Julio França (UERJ – orientador);
Prof. Fernando Monteiro Barros (UERJ/FFP);
Prof.ª Anna Faedrich (CEDERJ/UFF)


O Gótico-Naturalismo na literatura brasileira oitocentista (Marina Sena)

hysteria-phase1-525x323“O presente estudo tem como objetivo identificar e descrever a presença de elementos característicos da tradição literária do Gótico na poética naturalista – especificamente no Naturalismo brasileiro – no período compreendido entre 1880 e 1899. Parte-se da hipótese de que a desilusão com os rumos do mundo moderno manifestada por escritores naturalistas como Aluísio Azevedo, Rodolfo Teófilo e Adolfo Caminha pode ser descrita como uma “visão de mundo gótica”, que, em conjunto com o discurso estetizado e pretensamente científico utilizado pelos autores, deram forma a uma nova poética surgida na virada do século, o Gótico-Naturalismo. Para entender como o Gótico-Naturalismo foi compreendido pela crítica e pela historiografia brasileiras, analisa-se a fortuna crítica dos três escritores mencionados, a fim de demonstrar como o “desvio” do Naturalismo em direção ao Gótico foi frequentemente identificado como literatura romântica ou de evasão, e, consequentemente, como de valor estético inferior. Por fim, identifica-se os principais topoi desta poética híbrida, utilizando como exemplos narrativas brasileiras. Nestes termos, a pesquisa busca, portanto, demonstrar que o Naturalismo não se distanciou de sua própria poética ao absorver elementos da tradição gótica, mas apenas incorporou técnicas e recursos narrativos que eram adequados à expressão dos autores de sua escola e que eram condizentes com o espírito de época suscitado pelas mudanças finisseculares.”

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O corpo grotesco como elemento de construção poética nas obras de Augusto dos Anjos, Mário de Sá-Carneiro e Ramón López Velarde (Rogério Caetano de Almeida)

“Oas1a trabalho objetiva uma análise do corpo grotesco enquanto elemento construtivo da poética de três autores do início do século XX: Mário de Sá-Carneiro (Portugal); Augusto dos Anjos (Brasil) e Ramón López Velarde (México). Os escritores foram escolhidos pelo fato de, na mesma época, abalarem as respectivas sociedades em que viveram com produções poéticas inovadoras. Baseando-se nisto, a abordagem é feita a partir das teorias de W. Kayser, sobre o grotesco romântico e Mikhail Bakhtin sobre o realismo grotesco. A pesquisa identificou a necessidade de relacionar o corpo grotesco com a teoria do Decadentismo, pois esta estética constitui uma das primeiras rupturas rumo ao que convencionou chamar de modernidade. Por fim, analisamos a definitiva entrada do grotesco no cânone dos três países e a relação existente entre a categoria literária (e o corpo grotesco) com a poesia moderna.”

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O Gótico e o Orientalista: uma leitura de Vathek, de William Beckford (André Astorino)

VathekStockh1927Vathek, primeiro romance do escritor inglês William Beckford publicado em 1786, é considerado por muitos uma obra singular. Combinando certos elementos dos chamados romances góticos com uma ambientação oriental, a narrativa coloca diversos problemas a respeito de sua complexa natureza estilística. Muitos estudiosos já tentaram associar a obra a alguma dessas tradições de forma definitiva. Neste trabalho, realizaremos uma nova leitura do romance para, então, confrontarmos nossos achados com a fortuna crítica. O intuito desse procedimento é o de verificar se, diante das questões suscitadas pela própria obra, termos como ‘gótico’ ou ‘orientalista’ podem descrever Vathek de maneira precisa.”

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As faces do medo nos contos de Clarice Lispector (Carolina Prospero)

scream-fear-brain“O presente trabalho tem como objetivo explorar um aspecto ainda pouco trabalhado da obra de Clarice Lispector: o medo. Tendo em vista essa proposta, procuramos traçar, inicialmente, um panorama deste sentimento nas sociedades, a fim de evidenciarmos a importância que ele assume na história da humanidade como um todo e, mais especificamente, no tempo e na vida da própria autora. As diferentes manifestações em suas crônicas, pinturas e traduções revelam que o medo experimentado por Lispector alcança, de maneiras diferenciadas, cada um dos gêneros artísticos aos quais ela se dedicou. Na segunda parte da pesquisa, buscamos construir um breve histórico da chamada “literatura de horror” no Brasil e no mundo, observando como o medo vem sendo trabalhado na ficção ao longo dos séculos. Este levantamento mostra-se importante para a etapa seguinte do trabalho, na qual verificamos como este sentimento se insere nas narrativas da autora e qual é a relação que estabelece com suas personagens. Isso porque o trabalho realizado com o medo em alguns textos conhecidos do gênero – como “O gato preto” e “Berenice”, de Edgar Allan Poe, “O chamado de Cthulhu”, de Howard Philips Lovecraft, e “Os salgueiros”, de Algernon Blackwood – serve como contraponto ao trabalho realizado por Lispector em sua obra. Para a análise em questão, selecionamos dez contos da autora em que a presença do medo se faz visível e que contemplam, cronologicamente, toda a sua trajetória de contista. Através desta investigação, percebemos que a emoção em pauta é utilizada de forma bastante característica, já que não figuram nas narrativas o medo da morte, mas sim o medo da vida. Além disso, fica claro que as ações internas das personagens suplantam as ações externas, o que se reflete na própria construção do horror nos contos apresentados. Deste modo, concluímos uma avaliação cuidadosa do medo como temática presente na obra de Clarice Lispector, indicando um ponto de vista até então pouco explorado na análise de seus textos.”

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Terror e crime na literatura brasileira finissecular (Pedro Sasse)

destroyed_city_by_nacho3-d73xc32“O presente estudo analisa o surgimento de uma vertente da literatura de crime no Brasil em um período que vai da segunda metade do século XIX até o começo do século XX. É parte do projeto de estabelecer, no campo da literatura brasileira tradicional, um corpus de ―literatura de medo‖, ou seja, um conjunto de narrativas ficcionais que mantêm, como elemento comum, a capacidade de representar ficcionalmente os medos reais e/ou produzir, como efeito de leitura, o medo estético. Propõe-se nesta dissertação a hipótese de que houve, no Brasil, uma tradição de obras ficcionais centrada em personagens criminosos. São utilizados como fundamentação teórica o modelo de Horror artístico do filósofo da arte Noël Carroll e os estudos sobre o medo do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Desenvolve-se, ainda, uma descrição da trajetória histórica da ficção de crime tradicional, buscando encontrar nela elementos que fortaleçam sua proximidade com o medo artístico. Procurou-se, então, buscar as raízes desse gênero na literatura brasileira, investigando obras que dialogavam com essa temática tanto na ficção popular quanto na produção canônica da época. Por último, a fim de aplicar os resultados alcançados ao longo deste estudo, fez-se uma leitura analítica de obras cronísticas e ficcionais do jornalista e escritor carioca João do Rio, apontando nelas elementos que colaborem para enquadrá-lo como autor exemplar dessa vertente da literatura brasileira de medo.”

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Sentir com a imaginação: Edgar Allan Poe, Augusto dos Anjos e um Gótico Moderno (Deize Mara Ferreira Fonseca)

bc72a637d489d21ff8fa1be6388935ae“A partir de uma teorização sobre o Gótico, esta dissertação visa discutir a poética de Edgar Allan Poe, ressaltando seus aspectos góticos; como inauguradora da modernidade literária, ao estabelecer a postura crítica do poeta e o predomínio da imaginação criadora como elementos norteadores de seu projeto literário. O suporte teórico vem da analítica de Immanuel Kant sobre o Belo e o Sublime, dos princípios de crítica de arte estabelecidos pelo Primeiro Romantismo Alemão, em especial pelos fragmentos de Novalis e dos estudos do poeta francês Charles Baudelaire sobre Edgar Allan Poe. O poeta brasileiro Augusto dos Anjos recebe uma leitura comparada com Edgar Allan Poe, bem como uma análise de sua obra, centrada sobretudo nos pressupostos góticos apresentados ao longo deste trabalho. O eixo principal da dissertação é a análise e o comentário de poemas dos dois autores estudados, culminando com uma leitura comparativa de poemas de ambos, cuja abordagem da temática gótica utiliza elementos semelhantes.”

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(*) Essa dissertação foi defendida e publicada originalmente em 2006. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos