Arquivo do autor:William Wilson

Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família."

O Horror Cósmico e o policial em “A estranha morte do Professor Antena” (Bruno da Silva Soares)

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“O presente estudo tem como objetivo averiguar se na narrativa de Mário de Sá-Carneiro seria possível existirem pontos tangenciais ao enredo de Lovecraft. Partindo de um consenso comum da crítica acadêmica, pode-se entender que o Medo e o Horror se encontram em diálogo com a hesitação ante os fatos da realidade consensual em conflito com a irrupção de uma outra, de teor sobrenatural, considerando, assim, o Fantástico como zona limítrofe ou includente dos gêneros citados.Não obstante, a tradição do romance gótico, quando trata de teor investigativo, surge com a proposta de embate da razão versus o inaudito, marca constante dos textos de Poe e seus sucessores, como Lovecraft, e pela escolha de corpus desta análise, pode-se afirmar de Sá-Carneiro. Assim, a tradição das narrativas detetivescas de Poe é mantida por Sá-Carneiro com o professor Domingos Antena e sua busca espiritual-científica por outras dimensões. A hesitação, traço fundamental para o gênero fantástico, segundo Todorov, se prenuncia, inclusive, no título da obra escolhida para esta análise, indicando também um paralelismo entre o romance policial e o horror. Com uma diegese representando os elementos clássicos da escola de enigmas, crime, uma investigação e a resolução por método dedutivo, o mistério do enredo parece conter traços pertinentes à estética do horror cósmico, desenvolvida por Lovecraft em seu ensaio O horror sobrenatural em literatura. Essa premissa de paralelismo entre estéticas aparentemente díspares pode se tornar possível dentro do campo narrativo quando se identificam no enredo sá carneriano elementos que são comuns nos enredos lovecraftianos, como a investigação de um suposto evento sobrenatural, coexistência de entidades de fora do mundo empírico e a iminente fatalidade de toda a humanidade.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O Gótico feminino na Literatura Brasileira: um estudo de Ânsia Eterna, de Júlia Lopes de Almeida (Ana Paula Santos)

Resultado de imagem para JULIA LOPES DE ALMEIDA“Desde a sua origem na Inglaterra do século XVIII, a ficção gótica contou com uma significativa contribuição de escritoras. Da relação entre o Gótico e a escrita feminina originou-se uma tradição ficcional que Ellen Moers (1976) nomeou de “Gótico feminino”. A adoção de uma perspectiva aliada aos interesses da mulher trouxe para o Gótico horrores específicos: os segredos domésticos; os abusos físicos e/ou psicológicos; e o cotidiano dominado por figuras patriarcais opressoras. Propõe-se, nesta dissertação, em primeiro lugar, descrever as principais características das obras do Gótico feminino, tendo por base teórica os estudos empreendidos por David Punter (1996) e Fred Botting (1996), bem como as proposições de Anne Williams (1995) a respeito dos enredos e das principais temáticas dessa tradição. Buscamos ainda demonstrar que esta linhagem do Gótico ofereceu às escritoras brasileiras do século XIX recursos para retratarem a difícil condição da mulher na sociedade. Para tal, empreendemos uma análise da obra da escritora carioca Júlia Lopes de Almeida, cujo livro de contos Ânsia Eterna (1903) apresenta amplas consonâncias com a tradição feminina da literatura gótica.”

Leia a dissertação completa aqui.


Ânsia Eterna (Júlia Lopes de Almeida)

“De fato, a maior parte da obra da escritora carioca versa sobre temas domésticos. E é por esse viés que a obra de Júlia Lopes de Almeida se relaciona com o Gótico feminino. Em Ânsia eterna, a escritora utiliza-se da poética gótica para descrever espaços narrativos, situações aterrorizantes e, principalmente, representar ansiedades relativas ao universo feminino. Narrativas como “O caso de Ruth”, “As rosas”, “Os porcos” e “Sob as estrelas”, retratam problemas surgidos das relações familiares e do convívio doméstico, em que as protagonistas são vítimas de violência física e sexual.”

Compre aqui Ânsia eterna,
de Júlia Lopes de Almeida.

 


A alegoria e o fantasma no Gótico brasileiro: Cornélio Penna e Lúcio Cardoso (Fernando Monteiro de Barros)

Resultado de imagem para casa fantasmagorica“A literatura gótica, desde o seu início, apresenta um cenário que transcende as fronteiras endógenas das ilhas britânicas. O mundo mediterrâneo, em romances como o pioneiro O castelo de Otranto, de Horace Walpole (1764), bem como a Transilvânia de Drácula, remete a um espaço marcado por estruturas mais arcaicas face à modernização e ao “progresso” do norte europeu. Os conceitos de alegoria e de fantasma permitem endossar uma categoria do gênero Gótico exógena ao seu cenário europeu de origem: o Gótico brasileiro, que, em comum com o Gótico do sul dos Estados Unidos, o Southern Gothic, além de apresentar um cenário ambientado no novo mundo e de clima ensolarado, apresenta também uma cenografia textual marcada pelo passado latifundiário e escravocrata que, no século XX, avulta como ruína e espaço tenebroso. Neste contexto, inscrevem-se obras de alguns autores da literatura nacional, como Cornélio Penna e Lúcio Cardoso, romancistas que surgiram nos anos de 1930 e situaram-se em uma corrente antípoda ao regionalismo social da época. Em narrativas como A menina morta, de Penna, publicado em 1954, e Crônica da casa assassinada, de Lúcio, de 1959, encontramos o traço gótico do passado que assombra o presente, em cenários brasileiros da época colonial e imperial, fantasmaticamente representados enquanto ruína alegórica do Brasil patriarcal pré-republicano e pré-moderno, nos quais os personagens, alguns com traços vampirescos, também demonstram ressonâncias dos tipos frequentes dos romances góticos, como o aristocrata malévolo e a donzela perseguida. Assim, muito mais do que destacar uma literatura gótica produzida no Brasil por autores como Álvares de Azevedo e Cruz e Sousa, que não apresentam a cor local em seus textos “góticos”, tais textos literários apresentam aspectos do Gótico perpassando elementos que compõem a história e a cultura das terras brasileiras.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.


Crônica da Casa Assassinada (Lúcio Cardoso)

Resultado de imagem para casa fantasmagoricaCrônica da Casa Assassinada é a história de uma família em franca derrocada social e moral. Uma história que somente é conhecida pelo relato de seus próprios personagens, por meio de cartas, diários, memórias, confissões, depoimentos, e cujos temas centrais são o adultério e o incesto, a loucura e a decadência. Numa linguagem altamente metafórica, monta-se um esquema estruturalmente complexo, no qual verdade e mentira chegam aos limites do paroxismo”

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Desvios Sombrios: o Gótico-Naturalismo em Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha (Marina Sena)

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“A afirmação de que o Gótico influenciou a literatura brasileira de cunho realista soa, em um primeiro momento, como um paradoxo. O aparente contrassenso justifica-se quando se limita a literatura gótica a suas fórmulas setecentistas, com seus espaços narrativos medievos e sua exploração de eventos de cunho sobrenatural. Para se entender o que chamamos de influência gótica na literatura brasileira e, neste caso específico, no Naturalismo, é preciso pensar o Gótico como uma tradição literária que tem persistido nos últimos 250 anos. Tal tradição seria a confluência entre uma linguagem artística altamente estetizada, convencional e repleta de simbolismos, e uma perspectiva desencantada com a sociedade moderna. A esta perspectiva chamamos “visão de mundo gótica”, que era comum não só aos escritores naturalistas da época, mas a escritores finisseculares como um todo. Consideramos, para os fins deste trabalho, que a construção ficcional do romance Bom-Crioulo (1895), de Adolfo Caminha, está relacionada à visão de mundo gótica, escolhida pelo autor para alcançar determinados efeitos estéticos de recepção como, por exemplo, o medo. O objetivo do presente artigo é analisar aspectos narrativos do romance – como enredo, personagem e locus. Buscaremos demonstrar que tais aspectos, em conjunto com o discurso estetizado e pretensamente científico do autor, são característicos de uma nova poética surgida na virada do século, em uma confluência entre os preceitos defendidos por Émile Zola e a visão de mundo gótica: o Gótico-Naturalismo. Para tal, partiremos de teóricos do Gótico como Júlio França (2016) e David Stevens (2000), e de críticos e estudiosos do Naturalismo como Flora Süssekind (1984), Nelson Sodré (1965) e Charles Crow (1994).”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


“Bom-Crioulo” (Adolfo Caminha)

Resultado de imagem para navio bom crioulo adolfo caminha “O tempo escurecera completamente, e a ventania refrescando, esfuziava na mastreação de modo sinistro, com a força extraordinária de titãs invisíveis. Mar e céu confundiam-se na escuridão, formando um só conjunto negro em torno da corveta, abarcando-a em todos os sentidos, como se tudo ali dentro fosse desaparecer debaixo das águas e das nuvens… Passavam grandes ondas altaneiras, rugindo sob a quilha, dan- çando uma dança medonha e vertiginosa na proa, cada vez que o navio mergulhava o bojo com risco de abrir pelo meio… Chuva copiosíssima alagava o convés obrigando os marinheiros a se arregaçar, encharcando as pilhas de cabo, numa baldeação geral e inesperada.”

Leia o romance completo aqui.