Arquivo do autor:William Wilson

Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família."

Objetos insólitos e assombrados: da concretude prosaica à maldição (Marisa Martins Gama-Khalil)

The-Monkeys-Paw“Nos estudos literários, são infrequentes os trabalhos que investigam as projeções dos objetos na literatura e essa carência de pesquisas provavelmente pode ser atribuída à significação habitual que as pessoas delegam às coisas, como elementos simplesmente acessórios que povoam o espaço em que vivem. No entanto, nem sempre a literatura projeta esteticamente os objetos de forma subalterna; alguns autores evidenciam, por meio da polissemia literária, o quanto as coisas que fazem parte do nosso ambiente podem ter enorme influência na formação de identidades individuais e culturais. No caso da literatura fantástica, muitas vezes os objetos são o foco da ambiência insólita e/ou de terror na trama. Portanto, o objetivo deste artigo é evidenciar, a partir de alguns contos, essa hipótese, como em “A Vênus de Ille”, de Prosper Mérimée; “A mão do macaco”, de W.W. Jacobs; e “Os barcos suicidas”, de Horácio Quiroga”.

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*Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Todas as Musas, Ano 09 – Número 01 (Jul – Dez 2017). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Macário e Satã: viagem fantástica, diálogo crítico (Andréa Sirihal Werkema)

satã“O Primeiro Episódio do drama Macário, de Álvares de Azevedo, relata uma viagem feita por um jovem estudante, rumo à cidade na qual irá estudar. O estudante Macário, protótipo de ultrarromântico, cético, irônico e desencantado, flerta abertamente com o lado negativo da existência, o que culmina no encontro, em estalagem de beira da estrada, com um Desconhecido, que se revela, posteriormente, como o próprio Satã. Interessa discutir, em nossa comunicação, as implicações advindas de uma escolha pela trajetória fantástica em meio ao Romantismo brasileiro, tão marcado pelas demandas “realistas” de um projeto de formação de identidade nacional via literatura. Analisaremos, portanto, as oscilações do fantástico no Primeiro Episódio de Macário, de forma a averiguar a filiação do drama de Azevedo a um outro Romantismo, que recusa o “veto ao ficcional”, em prol de uma literatura subjetivista ao extremo, que deforma a realidade com o intuito de, criticamente, sugerir outros caminhos para a formação da chamada ‘literatura nacional’ “.

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*Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do I Colóquio “Vertentes do fantástico na literatura”. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O Medo nas crianças de Clarice Lispector (Carolina Luiza Prospero)

criança com medo“Neste trabalho, buscaremos investigar a temática do medo em contos de Clarice Lispector que tenham crianças como personagens principais. O medo está presente em muitas das narrativas da autora, assumindo um papel de destaque no desenvolvimento de suas histórias. No caso da infância, ele surge como resposta à prematuridade das descobertas que a autora impõe às suas personagens. Comparando os textos de Lispector com alguns dos mais famosos contos da literatura de horror – como William Wilson e O gato preto, de Edgar Allan Poe – esperamos esclarecer os elementos que aproximam e que afastam a autora deste gênero literário, investigando o seu papel nesta tradição”.

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente Anuário de Literatura vol. 13, n. 2, 2008. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

 

 


O pastor peregrino: um andante diabólico pelos romances de José Saramago (Marcelo Pacheco Soares)

demônio“Investigam-se as aparições do personagem Pastor, figura do Diabo no romance de José Saramago O Evangelho segundo Jesus Cristo, nas obras Todos os nomes e Caim. Se, na primeira narrativa, Jesus reconhece que “também se aprende com o Diabo”, é porque Pastor e suas aparições em outros espaços ficcionais possuem no universo da poética do autor uma função pedagógica fundamental: mestre de um Jesus tornado repentino discípulo, também dará lições ao Sr. José e, ainda, servirá de guia a Caim nas vezes em que o encontrar na entrada das terras de Nod. A diabólica peregrinação pelos romances dessa personagem tão íntima à poética saramaguiana, bem como sua função na construção da ideologia das obras de Saramago, são objetos de estudo de nossa pesquisa.”

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*Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Todas as Musas, ano 11, número 02 (Jan – Jun 2020). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


“Pareciam de sangue seco, restos de crime…”: o Mal e as Monstruosidades Femininas em Fronteira, de Cornélio Penna (Lais Alves)

casarão“Ao longo da história do Ocidente, a questão do Mal esteve continuamente presente nas mais diversas obras filosóficas e literárias. No mundo moderno, muitos são os autores que perceberam uma considerável alteração na manifestação do Mal. Os atos maléficos deixaram de ser atribuídos a poderes e entidades sobrenaturais e passaram a ser entendidos como resultado das ações de seres humanos, que carregariam em si o potencial negativo para a execução das mais vis e condenáveis ações. Rejeitando as concepções ainda dominantes de uma origem teológica do Mal, teóricos como Todd Calder (2013) estudam novos sentidos para o entendimento do Mal a partir de conjunturas legais, políticas e, fundamentalmente, morais. Através da consideração dos vários elementos que podem ser considerados como predicativos do Mal, o presente trabalho procura explorar essa temática em Fronteira (1935), romance de estreia do escritor petropolitano Cornélio Penna (1896-1958). As principais personagens femininas da obra corneliana – Maria Santa e tia Emiliana – apresentam traços característicos de agentes morais maléficos: em relação às ações más, os predicados aparecem nas ideias de imputabilidade, motivação, frequência, intencionalidade e de seu imperativo caráter transgressivo; referentes à personalidade má, listam-se as concepções de consistência, noções de dano e sofrimento do agente sobre suas vítimas, e o prazer por ele cobiçado e obtido no planejamento e na prática de suas ações. O trabalho pretende ainda demonstrar como o lúgubre ambiente físico do romance – da cidade aos móveis e objetos da casa habitada pelas personagens – é construído de modo a garantir uma percepção de imanência do Mal, isto é, todo o espaço em Fronteira funcionaria como um catalisador do Mal, emanando uma aura criminosa e perniciosa que reverbera nos caracteres naturalmente perversos de seus moradores”.

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*Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do IV Congresso Internacional “Vertentes do Insólito Ficcional” – Mostruosidades ficcionais. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


O Intruso, de H. P. Lovecraft: o unheimlich no espelho (Carla Larissa dos Santos de Souza e Ramiro Giroldo)

32649c7063aab8ab6e2a9ddd029b0fc9“Este texto toma como objeto o conto ‘O intruso’, de H. P. Lovecraft e tem como objetivo a leitura do personagem que dá nome ao título como uma peculiar figura do unheimlich, que só compreende a sua natureza no confronto com o outro. Embasa-se em noções formuladas por Sigmund Freud em ‘O inquietante’ e, também, em formulações de Noel
Carroll acerca do monstro, em A filosofia do horror ou os paradoxos do coração. O texto contempla, ainda, o olhar cunhado por Lovecraft na obra O horror sobrenatural na literatura. A articulação aqui apresentada busca discutir como a ambientação gótica e a atmosfera dela decorrente se relacionam no conto com o efeito unheimlich, bem como o jogo ficcional travado entre o familiar e o desconhecido.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n. 10 (2019.3). Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


O monstro (J.-K. Huysmans)

9879ef3bafd830487992d10f54bb8879cde250bd_00“Joris-Karl Huysmans foi um escritor e crítico de arte francês, cuja variada obra é composta tanto por romances naturalistas quanto decadentes, além daqueles de cunho religioso. Foi bastante atuante nos periódicos da época, como o Le Voltaire, em que defendia o trabalho dos pintores impressionistas contra as reprimendas de diversos intelectuais do período.

Suas obras revelam, em diversos momentos, poéticas relacionadas a efeitos de recepção negativos, como o horror, a repulsa e o grotesco. É o caso de Às avessas (1884), considerada a obra paradigmática da decadência literária, que apresenta uma visão de mundo bastante desencantada e explicita uma série de transgressões morais, e de Là-bas (1891), em que o ocultismo e o satanismo são temas centrais do enredo que gira em torno da história de Gilles de Rais, o personagem histórico acusado pelo estupro e assassinato de diversas crianças.

Selecionamos para nossa antologia o ensaio ‘O Monstro’, publicado em Certains (1889). Nele o autor traça um panorama das principais manifestações da monstruosidade em diferentes realizações artísticas ao longo da história. O seu principal objetivo é comprovar a hipótese de que as monstruosidades teriam praticamente desaparecido das artes e não mais existiriam na contemporaneidade finissecular. Huysmans acredita que os monstros perderam progressivamente a capacidade de horrorizar, ao se aproximarem do burlesco e do cômico. Apesar desse fenômeno, ele defende que o final do século XIX, com seu avanço científico, ofereceria novos instrumentos para a criação de monstros. Após longo período sem criarem formas monstruosas originais e verdadeiramente assustadoras, os artistas deveriam se utilizar dos conhecimentos científicos sobre os microorganismos, as larvas e os vermes para engendrar novas criaturas aterrorizantes.”

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(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


Gótico Feminino x Gótico Masculino: uma análise das vertentes góticas setecentistas (Ana Paula Araújo dos Santos)

2db5417e-d007-4274-b974-09104fafaefd“No presente trabalho, parto da reflexão sobre os efeitos de terror e de horror como base para uma divisão do Gótico em dois ‘gêneros’ – um feminino e um masculino. O objetivo é ressaltar que a divisão entre Gótico feminino e masculino não se restringe ao gênero dos autores – pelo contrário, ela permite, sobretudo, reconhecer como as narrativas pertencentes às duas vertentes lidaram com diferentes estratégias de produção do medo em seus leitores. Para tal feito pretendo empreender uma análise comparativa entre os romances pertencentes ao período clássico do Gótico: Os mistérios de Udolpho (1794) e O italiano (1797), de Ann Radcliffe, e O monge (1796), de Matthew Lewis.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XIV Congresso Internacional Abralic (2019). Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


O pintor da vida moderna (Charles Baudelaire)

477d12dde7a9aa6e0824edbe72fd2e10“Charles Baudelaire (1821-1867) foi um dos principais poetas franceses do século XIX. Além de escritor, atuou como crítico de arte, ensaísta e tradutor. Ficou conhecido por traduzir parte da obra de Edgar Allan Poe para a língua francesa e popularizar o escritor estadunidense em seu país. O volume de poesia As flores do mal (1857), considerado sua obra-prima, sofreu censura na época por sua suposta imoralidade e causou ao autor um processo judicial e uma considerável multa. Sua vida pessoal também foi marcada por polêmicas, tanto pelo seu comportamento boêmio quanto pelo relacionamento com a atriz e dançarina Jeanne Duval.

Diversos escritores, associados a poéticas distintas, filiaram-se à tradição baudelairiana. Decadentes e simbolistas, por exemplo, destacaram o caráter satanista e mórbido dos textos do poeta, além das suas constantes referências ao uso de entorpecentes e à primazia da artificialidade em detrimento da natureza. A tematização do ennui, do spleen e de outros sentimentos de lassidão perante a vida moderna também foram retomados com frequência pela literatura do Oitocentos. Em sua obra, fica patente uma concepção pessimista e desencantada da existência.

O conjunto de ensaios de ‘O pintor da vida moderna’, publicado inicialmente em 1863 no jornal Le Figaro e em 1869 no volume L’Art romanti- que, apresenta em treze partes uma análise da obra do pintor Constantin Guy (1802-1892). O trabalho do artista é encarado como representativo da modernidade, de sua beleza peculiar e dos tipos mais comuns das cidades. Apresentamos, a seguir, a tradução de dois fragmentos das seções XI e XII, ‘Elogio da maquilagem’ e ‘As mulheres e as prostitutas’, respectivamente, nas quais o autor, ao argumentar a favor da artificialidade em detrimento dos instintos naturais, por ele considerados violentos e nocivos, expõe sua concepção de beleza horrível.”

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(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


Sentimentos negativos e a composição da empatia narrativa: uma análise de O Resto é Silêncio (1943), de Erico Verissimo (Marina Sena)

A-dark-moody-sky-above-tall-buildingsEste trabalho analisa a construção da empatia narrativa no romance O resto é silêncio (1943), de Erico Verissimo. Defende-se a hipótese de que, no romance de Veríssimo, é possível empatizar com diversos personagens, partilhando inclusive de muitos de seus sentimentos negativos. Supõe-se que mesmo as emoções negativas causadas pelo romance no processo empático fazem parte da estratégia textual utilizada pelo autor.

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XIV Congresso Internacional Abralic (2019). Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.