Arquivo do autor:William Wilson

Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família."

Gótico-Naturalismo: a poética do desencanto (Marina Sena)

Imagem relacionada“Gótico e Naturalismo não são frutos de causas similares. O primeiro caracteriza-se por ser uma estética essencialmente negativa, resultante de um forte desencanto com a modernidade e uma profunda desconfiança em relação aos discursos da razão – seja ele iluminista ou positivista. Tal estética concretiza-se, enquanto forma artística literária, em uma série de aspectos formais e conteudísticos recorrentes (FRANÇA, 2015; STEVENS, 2000): (i) a produção do medo como efeito estético de recepção; (ii) a relação fantasmagórica com o passado, que ressurge para assombrar o presente; (iii) a caracterização de personagens como monstruosidades, por conta da própria natureza humana ou de psicopatologias; (iv) o desenvolvimento de enredos que exploram, tanto no plano da diegese quanto no da recepção, efeitos melodramáticos e emocionais; (v) a utilização contínua de campos semânticos relacionados à morte, à morbidez e à degeneração física e mental; vi) a construção de espaços narrativos, exóticos ou familiares, que são descritos como loci horribiles; vii) o aprofundamento na psicologia das personagens, sobretudo no que concerne a questões relacionadas à sexualidade; viii) a estratégia narrativa da “moldura”, com a exploração labiríntica de tramas dentro de tramas.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro de ensaios das Jornadas FantásticasRepublicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

 

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Elipses do medo em “A menina morta”, de Cornélio Penna (Luiz Eduardo da Silva Andrade)

Resultado de imagem para a menina morta cornelio penna“A visão de mundo, em cada período histórico, pode ser determinada pelas figuras geométricas que foram privilegiadas na época (…). Ao transportarmos essa ideia para a escrita de Cornélio Penna (1896-1958) em A menina morta (1954), nasce um problema que é a compreensão das metáforas, entremeadas à forma como o romance é dimensionado, tanto no aspecto espacial quanto narrativo. Este último nos interessa especialmente, uma vez que buscamos compreender como a narrativa é delineada a partir dos movimentos das personagens na ação de uma sobre a outra, impulsionando-as à reação, à busca, à descoberta. Entendemos que o medo seria um operador narrativo do deslocamento das personagens durante a história.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro De Monstros e Maldades, publicado pela Editora Appris. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Construção da sensibilidade burguesa por meio do espaço em “The Mysteries of Udolpho” de Ann Radcliffe (Natália Cortez do Prado)

933b04edd1b688b41d16891a1c2cfb5e“Em fins do século XVIII, Ann Radcliffe se estabeleceu como uma das romancistas mais famosas de sua época, atingindo o ápice de sua carreira com seu quarto romance, intitulado The Mysteries of Udolpho (1794). Apesar de ser um dos romances góticos ingleses mais importantes, ele ainda apresenta questões pouco exploradas pelos críticos. The Mysteries of Udolpho possui uma das características mais fortes das obras de Radcliffe: a minuciosa elaboração do espaço. Em vista disso, este estudo analisa e discute as funções do espaço, o qual está organizado em natural e construído. A análise centra na maneira como esse aspecto temático-estrutural se relaciona com as ações e relações pessoais da protagonista Emily com as demais personagens. Discutimos como diferentes tipos de espaço tornam-se essenciais por participarem de forma enfática na construção ideológica das personagens, no que diz respeito à associação entre sentimentalismo e racionalidade. Assim, a relação entre espaço e personagens nesse romance expressa aspectos importantes da complexa construção da sensibilidade burguesa na Inglaterra do século XVIII.”

Leia a dissertação completa aqui.


Uma floresta gótica nos trópicos: o locus horribilis no conto “Inferno Verde” (Hélder Brinate)

Resultado de imagem para inferno verde alberto rangel“Os ambientes religiosos – igrejas, monastérios, abadias, catedrais etc. – despontam também como espaços privilegiados do medo. Neles predominam duas experiências paradoxais: a sensação de proteção divina e a de ameaça. Por um lado, enquanto local de segurança, as construções de cultos religiosos assomam-se como sítio sagrado e imaculado, refúgio às aflições e atrocidades sofridas pelas personagens. Por outro, é nessa área beatificada que se encontram clérigos transgressores que, ao buscarem consumar seus desejos sórdidos e/ou sexuais, configuram-se como típicos vilões góticos em seu próprio covil. As florestas aparecem como outro importante elemento topográfico nas narrativas góticas. Seu aspecto tétrico e imprevisível é reforçado por uma retórica excessiva e hiperbólica, cuja ênfase adjetival delineia uma natureza intimidante e arrebatadora, diante da qual o homem e suas construções estão fadados à ruína. Espaço do medo per si, ao demarcar as fronteiras entre o conhecido e o desconhecido, as florestas são ainda habitadas por seres que transgridem as leis civilizatórias (…)”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro de ensaios das Jornadas FantásticasRepublicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Shakespeare: a invenção do Gótico (Aparecido Donizete Rossi)

Imagem relacionada“Em um dos prefácios de O castelo de Otranto (The Castle of Otranto, 1764), primeiro romance gótico e primeira obra da ficção gótica, o autor Horace Walpole afirma que ―o grande mestre da natureza, Shakespeare, foi o modelo que copiei. A menção direta a Shakespeare na obra que funda a ficção de terror e horror ao articular medo e sobrenatural maligno em uma arquitetura artística convida, de pronto, em razão de seu peculiar gesto ilocutório-iterativo, a buscar a interação entre duas perspectivas: quais as (im)possíveis razões que levaram Walpole a imputar a Shakespeare (autor e obra) o modelo-chave do gênero-modo ficcional inventado em O castelo de Otranto? E quais seriam as (im)possíveis relações entre o gótico e a obra do Bardo? Perseguir as conjunções, disjunções e injunções entre esses dois ângulos, por meio de uma breve análise da história crítica da peça Tito Andrônico, constitui o objetivo do artigo que aqui se propõe.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1 (2017). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


A morfologia do Horror – construção e percepção na obra lovecraftiana (Alcebíades Diniz Miguel)

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“O horror ficcional é uma das constantes na produção cultural do século XX, como um reflexo que acompanha o horror político. Esse horror culturalmente produzido, que é estético, podemos vislumbrar em vasta produção da indústria cultural – que cobre as mais diversas mídias e formas de representação –, tendo seu momento inicial na ficção fantástica dos séculos XVIII-XIX. Na década de 1920-30, o escritor norte-americano Howard Phillips Lovecraft retomaria essa tradição do fantástico, acrescentando novos significados, formas, usos e estratégias. Neste trabalho, nossa meta foi realizar um panorama da ficção de horror abordando analiticamente elementos das narrativas de seu criador, H. P. Lovecraft.”

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Imagens do medo: o horror no cinema e na televisão (Michel Goulart da Silva)

Resultado de imagem para cinema de horror ilustração“Possivelmente a primeira lembrança quando nos referimos ao cinema de horror é o cinema expressionista alemão. O medo e o sobrenatural estavam presentes antes disso, como em uma das primeiras adaptações de Frankenstein (1910), no filme estudante de praga (1913) […]. Contudo, parece que é na Alemanha que o horror começa a ganhar forma, em grande medida por conta da incorporação da estética expressionista ao cinema. Tendo como um de deus marcos iniciais o filme O gabinete do Dr. Caligari (1919), o expressionismo é “uma corrente que buscava expressar, por meio de distorções, as impressões que o mundo exterior provocava no artista” (SILVA, 2009, p. 56). São características desse cinema “o referencial fantástico, a deformação expressiva, o isolamento, a monstruosidade e a maldade como personagem e herói” (SILVA, 2009, p. 56).”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n. 02.  Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.