Arquivo do autor:William Wilson

Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família."

“Sobre a superstição do Gótico” e “Sobre objetos de terror” (Nathan Drake)

cd5d2e23b063485b1d8bce7f477e1ea4Nathan Drake foi um médico e literato inglês, mais conhecido por ter produzido o livro Shakespeare and His Times (1817), que reúne informações da época elisabetana e análises da literatura da época – sobretudo, da obra shakespeariana. Desde a infância, Drake exibia interesses e habilidades científicas e literárias. Formou-se em Medicina pela Universidade de Edimburgo, em 1789, com a tese De Somno, que despertou suspeitas quanto à sua autoria devido à sua brilhante escrita em latim. Drake possuía profunda afeição pela literatura, e tornou-se membro honorário da Royal Society of Literature.

Em 1790, lançou o periódico The Speculator, em que publicou ensaios sobre literatura e dramaturgia alemãs, das quais era um grande entusiasta. Alcançou grande popularidade no início do século XIX a partir da repercussão de seu livro de ensaios críticos, Literary Hours (1798). Vinte e dois anos após o lançamento, a obra já contava com três volumes e fora traduzida para o alemão e para o francês. Nela, Drake também incluiu produções autorais em prosa e verso. Nesses textos, seu interesse pelo sobrenatural torna-se evidente, sobretudo no conto The Abbey of Clunedale, fortemente inspirado pelos elementos góticos radcliffeanos.

Tal como o seu título sugere, o ensaio “Sobre a superstição do Gótico” discorre a respeito das fontes da superstição gótica e, além disso, discute o prazer e o fascínio que esse tipo de literatura desperta em seus leitores. Já em “Sobre objetos de terror”, o autor divide os elementos que promovem reações emocionais em dois tipos: os que provêm de seres e de eventos naturais, e os originados por entes sobre-humanos. É neste ensaio que Drake confere à Ann Radcliffe a famosa alcunha de “Shakespeare dos romancistas”, ao produzir uma crítica apologética e instrutiva de O Italiano (1797).

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(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


No temor da inocência: a imagem do mal com a aparência infantil em narrativas populares no séc. XX (Soraia Cristina Balduíno)

md_a200e967e92c-creepyhalloweencostumes_pumpkin“Desde a configuração do ideal de infância no séc. XIII até sua evolução para o que se considera criança na era contemporânea, em muitas representações e iconografias aliava-se esta representação de fragilidade, ingenuidade, pureza, beleza, e sobretudo, inocência, geralmente sagrava-se a criança como alegria da alma ou ser angélico. No entanto, algumas obras literárias escritas no séc. XX trataram de focalizar outros ares para a inocência, revertendo-as ao um mal perturbador, onde o inocente e o sagrado são transmutados para o profano e aliado a imagem do que a sociedade considera como mal e monstruoso. O presente trabalho tem por objetivo analisar a imagem do mal tendo como veículo a aparência infantil em narrativas literárias – em conjunto com suas adaptações cinematográficas – do final da década de 50 até os meados dos anos 70 do século XX. Portanto, foram escolhidas quatro obras de populares para ilustrar esta proposta, nas quais temos crianças como agentes principais ou fatores associados e próximos, sendo: The Midwich Cuckoos (1957) de John Wydham; O Bebe de Rosemary (Rosemary’s Baby, 1961) de Ira Levin; O exorcista (The exorcist, 1971) de William Peter Blatty e o conto do escritor popular de histórias de horror Stephen King,  As Crianças do Milharal (Children of the Corn), do livro de contos Sombras da Noite (Night Shift, 1976). Para apontar aspectos sobre o conceito de infância, a primeira parte deste artigo fará uma breve explanação sobre o “sentimento de infância”.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do I Colóquio “Vertentes do Fantástico na Literatura”. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Sobre o medo (Michel de Montaigne)

Fear Eye Watercolor by Marian VoicuMichel de Montaigne (1533-1592) foi um escritor, político e filósofo francês. Vindo de uma família de negociantes, estudou Direito e trabalhou durante 15 anos no Parlamento de Bordeaux, onde ainda desempenharia as fun- ções de prefeito. É considerado o criador do gênero do ensaio e tem seus trabalhos associados ao humanismo renascentista.

Sua principal obra é Ensaios, publicada entre 1580 e 1588. Os textos nela reunidos discorrem sobre os mais diferentes temas, tais como a Filosofia, a Religião e a Literatura. Seus artigos são frequentemente tomados como importantes reflexões sobre a liberdade do indivíduo e sobre a constituição da subjetividade, e são considerados pioneiros pela crítica literária voltada para as narrativas de cunho autobiográfico.

Mais de um dos ensaios poderiam ser tomados como textos seminais de As Artes do Mal. É o caso de “Sobre a crueldade”, uma reflexão sobre a natureza inata da perversidade humana, em que Montaigne argumenta com referências às guerras e ao comportamento cruel do homem em relação aos animais. Optamos por selecionar, contudo, “Sobre o medo”, o décimo oitavo texto do primeiro volume dos Ensaios. Nele, além de explicitar alguns eventos históricos em que o medo teria influenciado o comportamento dos homens, o escritor busca definir a natureza desse sentimento. Tal emoção é abordada tanto como catalisadora de reações corajosas e instintivas quanto como propulsora de respostas covardes e incogruentes. Ela ainda poderia surgir sem causa aparente e ser de difícil entendimento. Perante a multiplicidade de significados que o medo pode ter e de sua influência sobre o comportamento de povos inteiros, a conclusão do autor se apresenta na célebre sentença: “A coisa de que tenho mais medo é o próprio medo”.

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(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


A manifestação do fantástico em Frankenstein de Mary Shelley (Alessandro Yuri Alegrette)

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“Partindo da premissa de que o romance de Mary Shelley possa estar enquadrado em mais de uma modalidade literária, proponho sua inserção dentro de outro gênero de literatura: o fantástico. Tal proposição encontra subsídio teórico na interpretação dada pela pesquisadora inglesa Nora Crook, que defende a idéia de que a obra produz uma sensação de hesitação no leitor, uma vez que oscila em ser uma ocorrência do “maravilhoso científico”, ou uma narrativa que reproduz “uma ilusão paranóica”. Segundo ela, isso tornaria o romance um exemplo do que o teórico russo Tzvetan Todorov definiu como “fantástico puro”. Além de Crook, o especialista inglês David Punter, e a pesquisadora norte-americana Maggie Kilgour em seus comentários sobre a obra, também apontam a presença de várias contradições em seu discurso. Portanto, dentro da discussão sobre o tema, pretendo elucidar quais seriam essas contradições, e de que forma elas contribuíram para que essa narrativa, também possa ser inserida dentro da literatura fantástica.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do I Colóquio “Vertentes do Fantástico na Literatura”. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Prefácio à primeira edição de O Castelo de Otranto (Horace Walpole)

083f33c8b08e3ccce110aaa4053cb4b1Filho mais novo do primeiro ministro Sir Robert Walpole, Horace Walpole foi um conde, membro do parlamento inglês, perito em artes, escritor e colecionador. Foi educado em Cambridge e viajou por um longo tempo pela França e Itália. Entre suas obras mais famosas estão Some Anecdotes of Painting in England (1762), um compêndio em três volumes da história da arte inglesa, e O Castelo de Otranto (1764), romance considerado o precursor da literatura gótica.

Um dos grandes interesses de sua vida foi sua casa na cidade de Twickenham. Conhecida como Strawberry Hill, ela foi transformada em uma atração pública, e adornada, ao longo dos anos, com motivos góticos: galerias, arcadas, torres, muralhas, pinturas e antiguidades. Sua construção foi um grande estímulo para a retomada do estilo gótico na arquitetura doméstica inglesa, em uma época de crescente interesse pela cultura medieval. Já no âmbito literário, o estímulo foi o romance O Castelo de Otranto, cujo prefácio selecionamos nesta compilação.

A obra foi apresentada, primeiramente, como a tradução de um genuíno manuscrito italiano do século XVI, mas a farsa foi desmentida um ano depois, no prefácio à segunda edição. O maior mérito de Otranto foi provocar a retomada, na literatura, da fantasia e do sobrenatural, elementos próprios dos romances medievais, que haviam sido preteridos em favor das narrativas mais realistas e voltadas para assuntos cotidianos, em voga à época. A obra funcionou como um estopim para uma profícua tradição de narrativas que combinavam histórias de horror e terror, cenários medievais e eventos sobrenaturais. O prefácio aqui apre- sentado legou uma interessante reflexão a respeito do que viria se tornar a base da poética gótica.

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(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


Uma investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do Sublime e do Belo (Edmund Burke)

T00772_HEdmund Burke (1729-1797) foi um influente político, orador e filósofo irlandês. Nascido em Dublin, estudou no Trinity College antes de se mudar para Londres e iniciar os estudos em Direito, os quais rapidamente abandonaria para investir em sua carreira política. Em 1765, tornou-se membro do parlamento pelo Partido Liberal britânico (popularmente conhecido como Whig Party), posição na qual permaneceu até 1794.

Sua obra versa, majoritariamente, sobre temas relativos ao campo da política. Apesar de Burke geralmente ser omitido das histórias da filosofia, suas reflexões apresentam fortes elementos filosóficos que evidenciam posições de cunho utilitarista e empirista. Louvado, no século XIX, tanto por liberais como por conservadores, e conhecido, a partir do século XX, como o fundador do conservadorismo britânico moderno, Burke foi um forte opositor da Revolução Francesa. Suas considerações a esse respeito resultaram naquela que talvez seja sua obra mais conhecida: Reflexões sobre a Revolução na França, publicada em 1790.

A obra Uma investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do sublime e do belo (1757), seu único trabalho puramente filosófico, é um dos principais tratados de estética do século XVIII. Profundamente influenciada pelo empirismo de John Locke, é a primeira obra a separar, claramente, o belo e o sublime em duas categorias distintas e mutua- mente excludentes. Burke compreende o belo como algo relacionado a ideias bem delimitadas e agradáveis, associando-o ao prazer e ao convívio social. Nos trechos por nós selecionados, veremos o sublime ser caracterizado como uma experiência que extrapola os limites de nosso raciocínio, arrebatando-nos em um misto de fascínio e terror. A posição privilegiada que Burke lhe confere foi decisiva para fazer desse o principal conceito estético do século XVIII e uma característica fundamental da transição das poéticas neoclássicas para o Romantismo.

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(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


Os fundamentos da crítica em poesia (John Dennis)

dark academia“John Dennis foi um crítico literário e dramaturgo britânico. Estudou na Harrow School e em Cambridge, onde obteve o título de Mestre pelo Trinity Hall. Dennis viajou pela Europa antes de se instalar definitiva- mente em Londres, onde conviveu com importantes figuras literárias, entre elas, o escritor John Dryden. Apesar de suas odes e peças terem obtido pouco sucesso, Dennis tornou-se um dos principais críticos literários de sua geração, sendo um dos pioneiros na reflexão a respeito do conceito do sublime na Inglaterra. Sua defesa da paixão como um elemento importante para a poesia motivou uma longa polêmica com Alexander Pope.

Entre as principais obras críticas do autor destacam-se The Advancement and Reformation of Modern Poetry (1701) e An Essay on the Genius and Writings of Shakespeare (1712). Dennis defendia que a literatura se aproxima da religião na medida em que seu objetivo seria comover o público. Por esse motivo, privilegiava a emoção e a elevação em detrimento de um discurso polido e ornamentado. Essa postura explica a sua antipatia pela poesia de Pope e sua grande admiração pela obra de John Milton, assim como o seu grande entusiasmo pelo conceito do sublime.

Em The Grounds of Criticism in Poetry (1704), Dennis trata diretamente do sublime, e procura descrever em que consiste a poesia mais elevada e aquilo que compreende por entusiasmo, ou paixão entusiasmada. Em sua defesa da paixão como elemento essencial para a poesia, o crítico incorporou emoções como o terror e o assombro – desprezadas pelos teóricos do Neoclassicismo. Sua preferência pelo terror resulta em uma defesa da presença de ideias religiosas na poesia, pois somente assim um poeta poderia alcançar o mais alto grau de elevação.”

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(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.