Arquivo do autor:William Wilson

Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família."

Edgar Allan Poe e a simbologia do medo (Marihá Lopes)

ravenpoe“Edgar Allan Poe teve sua história rodeada por mistérios e sua obra não poderia ser diferente, sendo um escritor reconhecido como um dos precursores do fantástico estranho, comentado e aclamado pela crítica. Suas narrativas são centralizadas no indivíduo e em seus problemas pessoais referentes à alma e aos sentimentos. Dentre diversas características, sua obra se destaca pelo confronto entre o mundo interior e o mundo exterior, criando narrativas de mistério, alucinações, terror e morte, que podem retratar os medos e as ansiedades que assombram a mente humana. ‘O corvo’ é um dos poemas mais famosos do escritor, cujo tom mórbido e depressivo prevalece ao longo da escrita. Já ‘O gato preto’ traz à tona um estudo da psicologia da culpa, através de um narrador assassino, cuja mente doentia usa a lógica para explicar o que uma mente normal iria entender intuitivamente. Nesse sentido, os conflitos internos dos protagonistas são tão fortes que a realidade pode se apresentar distorcida pelo imaginário. Observamos, assim, que é dentro do imaginário humano que vários símbolos ganham significados. Considerando isso, trabalhamos representações do medo em ‘O corvo’ e ‘O gato preto’, através de imagens ou elementos presentes e suas possibilidades simbólicas.”

Leia o ensaio completo

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do CENA IV. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


O Corvo (Edgar Allan Poe)

640c2f1f4dec55721a333a1b3304cd67“Ave ou demônio que negrejas!

Profeta, ou o que quer que sejas!

Cessa, ai, cessa! clamei, levantando-me, cessa!

Regressa ao temporal, regressa

À tua noite, deixa-me comigo.

Vai-te, não fique no meu casto abrigo

Pluma que lembre essa mentira tua.

Tira-me ao peito essas fatais

Garras que abrindo vão a minha dor já crua.

E o corvo disse: ‘Nunca mais’.”

Leia aqui o poema completo, em inglês


O fantástico em O Mistério de Highmore Hall e Tempo e Destino, os primeiros contos de Guimarães Rosa (Luis E. W. Machado)

Digital Camera‘Tempo e Destino’ e ‘O Mistério de Highmore Hall’ são dois dos primeiros contos de Guimarães Rosa publicados no jornal O Cruzeiro quando o autor era estudante de medicina e contava com tão somente 21 anos de idade. Apesar da grande diferença no estilo dos trabalhos que logo seguiriam, já podemos perceber nestes primeiros exercícios a grande preocupação do autor em não seguir modelos realistas, cartesianos e lineares; ao contrário, Guimarães Rosa já deixa claro sua preocupação com o efeito estético apelando para o misterioso, para o horror e para o fantástico para dar luz a um efeito não racionalista que visa ao poético por meio do choque, do misterioso e do inexplicável. Como Horace Walpolle, Poe e Lovecraft, Guimarães Rosa busca nesses primeiros contos sua inspiração na matriz da literatura gótica e fantástica dos séculos XVIII e XIX, matriz essa que logo será substituída por outra, de caráter regionalista, mas que não perderá nunca o viço do místico e do inexplicável.”

Leia o ensaio completo

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Fronteiraz (2009). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Cicatrizes Urbanas: narrativas da violência na ficção detetivesca (Marcus Vinícius Matias)

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“Essa tese desenvolve uma investigação sobre o gênero detetivesco e anti-detetivesco, abordando principalmente as produções literárias brasileiras contemporâneas e suas ligações com as narrativas da violência. Com isso, busco entender e caracterizar uma estética da violência na literatura contemporânea, a qual sempre esteve presente na ficção detetivesca em maior ou menor grau, e contribuir com as discussões relativas à violência e suas implicações sociais na contemporaneidade. O método investigativo utilizado neste estudo examina, em um primeiro momento, as convenções das histórias clássicas de detetive e de anti-detetive nas produções em língua inglesa e o modo como a violência é representada nelas, usando isso como ponto de referência para a análise das obras contemporâneas brasileiras desse gênero.”

Leia a tese completa aqui.


Terror e melancolia: o sublime na poesia de Fagundes Varela (João Pedro Bellas)

Resultado de imagem para burke sublime“Este artigo analisa a manifestação do sublime na poesia de Fagundes Varela, tendo como objetos de investigação os poemas “Cântico do calvário” (1865) e “A sede” (1869). Neste ensaio, trabalhamos, especificamente, com duas dessas formulações, a saber, o sublime romântico wordsworthiano, que podemos reconstruir a partir das considerações de Wordsworth acerca da poesia, e o conceito definido por Edmund Burke em sua Investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do sublime e do belo (1757). Para contrastar ambas as teorias da sublimidade, partimos da divisão proposta por Thomas Weiskel (1994) entre um sublime negativo e outro positivo, o primeiro derivado da ideia de que a alma humana é finita e limitada e o segundo relacionado à noção de que ela é infinita. A partir dessa distinção, podemos afirmar que o sublime burkeano, pautado no instinto de autopreservação e nas ideias de dor e perigo, seria de natureza negativa, enquanto o sublime wordsworthiano, que visa a afirmar as capacidades quase divinas da alma, seria de natureza positiva. Nosso objetivo é demonstrar que o poeta fluminense, em sua produção, adotou elementos comuns a ambas as versões do sublime.”

Leia o ensaio completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.


Cântico do Calvário (Fagundes Varella)

Resultado de imagem para cantico do calvário“À memória de meu filho
Morto a 11 de dezembro de 1863
Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia
O ramo da esperança!… eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao
pegureiro!…”

Leia aqui o poema completo.


As convenções góticas em Os 120 Dias de Sodoma (Nicole Ayres Luz)

Resultado de imagem para marques de sadeOs 120 Dias de Sodoma ou A Escola da Libertinagem, produzido em 1785 e publicado apenas no século XX, pelo polêmico Marquês de Sade, é uma obra simbólica do sadismo na literatura. O enredo apresenta quatro aristocratas libertinos, que trancafiam um grande grupo de pessoas, vítimas e ajudantes de seu projeto, em um castelo suíço durante quatro meses para a realização de orgias e torturas diversas, organizadas por ciclos, do mais básico ao mais intenso nível de violência. Os libertinos podem ser classificados como personagens monstruosos, de acordo com análises como as de Jeffrey Jerome Cohen e Julio Jeha, e, mais especificamente, como sádicos, termo derivado da obra do Marquês e cunhado pelo psiquiatra Richard von Krafft-Ebing. Os personagens sadianos são devotos da libertinagem, como a uma religião, visando unicamente sua própria satisfação. A perversão sem limites de tais personagens horroriza o leitor, provocando medo artístico, conceito desenvolvido por Júlio França. Por meio desse tipo de reação, percebe-se que é possível experimentar uma sensação de prazer durante a leitura de obras onde predomina a maldade, pela consciência de seu caráter ficcional; a ameaça, portanto, não é real, o que possibilita a fruição estética. Observa-se também o papel do cenário sombrio na construção da narrativa para gerar esse efeito de medo. O castelo de um dos libertinos, localizado numa região isolada da Suíça, possui múltiplos ambientes, devidamente equipados para os fins de experimentação cruel dos protagonistas. Controladas e punidas em caso de desvio das regras estabelecidas pelos sádicos, em um ambiente desconhecido, atemorizante e afastado da civilização, as vítimas se encontram sem salvação possível. Considerando os personagens aristocratas monstruosos, o cenário lúgubre do castelo onde ocorrem os abusos e o pessimismo inerente à narrativa de Sade, o presente trabalho pretende descrever o romance como uma obra gótica.”

Leia o ensaio completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização da próprioa autora, com fins puramente acadêmicos.