Arquivo do autor:William Wilson

Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família."

Um vilão chamado progresso: distopia e gótico em “Não verás país nenhum”(Pedro Sasse)

Resultado de imagem para não verás país nenhum ilustração“Da mesma forma que as distopias da primeira metade do século XX surgem de uma situação política tensa, com, entre outros horrores, duas guerras mundiais vividas de perto por seus autores, no Brasil, Não verás país nenhum é publicado durante um período delicado de nossa política: a ditadura militar. O autor, Ignácio de Loyola Brandão, jornalista e escritor paulista, já havia sofrido censura com seu romance Zero (1975), e encontrou na ficção distópica uma forma de contornar a censura militar. Partindo de um conto seu anterior, “O homem com um furo na mão”, que passa a servir de situação inicial para a obra, Brandão publica, em 1981, Não verás país nenhum.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos anais do III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional (SEPEL 2016). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O diabo como instância moralizadora em conto de Sade (Nicole Ayres Luz)

Resultado de imagem para sade devil illustration“O presente trabalho tem por objetivo analisar o processo de figuração da personagem do diabo no conto “Aventura incompreensível atestada por toda uma província”, do Marquês de Sade. Tal processo guarda características que o distingue das demais personagens cuja figuração aponta para o protocolo realista, e tem por efeito o medo. Esse efeito é assegurado pelo modo como a personagem é construída, com a presença de diversos índices que sugerem sua existência ambígua e seu caráter maligno. A descrição provoca incerteza quanto a sua natureza e seu poder de malignidade, o que suscita o medo no leitor. O viés moralizante da obra vai de encontro à proposta estética do próprio Sade no prefácio à antologia Os Crimes do Amor, intitulado “Nota sobre romances ou a arte de escrever ao gosto do público”, em que discorre sobre as representações do vício e da virtude, de acordo com a natureza humana. Por fim, considera-se o efeito de medo artístico, conforme classificação de Júlio França, gerado por tais personagens: o barão castigado e o diabo punitivo. O leitor, por um lado, é capaz de fruir a narrativa sem correr riscos reais e, por outro, teme por suas próprias escolhas, se o insólito for tomado como referência possível para compreender o mundo racional. O próprio título já revela certa ambiguidade, pois a situação, apesar de incompreensível, foi confirmada por toda a província, evidência que o narrador enfatiza logo no começo do conto.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos anais do III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional (SEPEL 2016). Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.

 


O Gótico e a presença fantasmagórica do passado (Júlio França)

Resultado de imagem para casa mal assombrada“O Gótico consolidou-se como uma tradição artística que codificou um modo de figurar os medos e de expressar os interditos de uma sociedade. O que se chama de literatura gótica é, pois, a convergência entre uma percepção de mundo desencantada – com as cidades modernas; com o futuro que o progresso científico nos reserva; com o papel insignificante do homem no cosmos; com a própria natureza dessacralizada do homem – e uma forma artística estetizada e convencionalista. Entre os muitos elementos convencionais dessa tradição, três se destacam: o locus horribilis, a personagem monstruosa e a presença fantasmagórica do passado. O objetivo desse artigo é descrever o último desses aspectos, a fim de compreender sua motivação cultural, sua relação com a visão de mundo gótica e suas consequências para a estrutura narrativa desse tipo de ficção. Sendo um fenômeno moderno, a literatura gótica carrega em si as apreensões geradas pelas mudanças ocorridas nos modos de percepção do tempo a partir do século XVIII. A aceleração do ritmo de vida e a urgência de se pensar um futuro em constante transformação promoveram a ideia de rompimento da continuidade entre os tempos históricos. Os eventos do passado não mais auxiliam na compreensão do que está por vir: tornam-se estranhos e potencialmente aterrorizantes, retornando, de modo fantasmagórico, para afetar as ações do presente.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O Horror na Literatura Gótica e Fantástica (Rhuan Felipe Scomacao da Silva)

Resultado de imagem para gótico e horror“Logo, a literatura de horror em si se ramifica em vários outros gêneros, e nessa grande gama serão encontrados todos os diferentes graus do horror: psicológico, social, alegórico, gótico, ficção científica, fantasia,  entre muitas outras divisões, os quais possuem como função primordial causar o sentimento tão comumente relatado por Lovecraft: o medo. Se colocarmos a definição de horror como sendo um intenso medo e dor, no estado físico, ou medo e desânimo, no estado psicológico, o gênero não pode ficar preso apenas nos conceitos sobrenaturais, pois o horror lidará com a humanidade, com a vida e aquilo que ela propicia ao ser humano. Tendo isso em vista, trataremos o horror como Todorov apresenta, deixemos de lado apenas a classificação por gênero, e nos foquemos naquilo de maior aderência desse tipo de escrita: a tendência em causar o medo. Uma das mais usuais dúvidas entre os leitores e estudiosos do gênero horror/terror é exatamente essa diferença, o porquê de alguns títulos serem discriminados como horror e outros como terror.”

Leia o ensaio completo aqui.

* Esse ensaio foi publicado originalmente em O Demoníaco na Literatura. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Se eles apenas soubessem que ela tinha o poder: a monstruosidade feminina em Carrie, a estranha (Gabriela Müller Larocca)

Resultado de imagem para carrie 1976“A aproximação do feminino com o monstruoso é algo comum em diversas sociedades e invoca o medo da diferença e do corpo feminino. Nosso objetivo ao longo desse trabalho é analisar a produção cinematográfica estadunidense Carrie, a Estranha, lançada em 1976, e suas representações de gênero e sexualidade. Ademais, refletiremos acerca da feminilidade no gênero fílmico de horror, como parte de uma longa tradição cultural que a associa ao mal, despertando medos e inseguranças. Sendo assim, podemos argumentar que a presença da monstruosidade feminina no horror diz muito mais respeito à medos masculinos do que à desejos ou subjetividades femininas.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente nos  Anais do XXVIII Simpósio Nacional de História. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

 


A emergência do Complexo de William Wilson (Vinicius Lucas de Souza e Aparecido Donizete Rossi)

Imagem relacionada“Ao se vislumbrar o conto “William Wilson” (1839), de Edgar Allan Poe, o tema do duplo (Doppelgänger) perpassa toda a narrativa. Com a premissa de que esse conto é um marco nessa temática, como afirma Otto Rank, estudioso de tal motivo, pode-se dizer que a denominação “Complexo de William Wilson” seja adequada para representar a existência de uma segunda personagem que compartilha traços físicos e psíquicos de uma primeira. O presente artigo pretende demonstrar como os pilares/fatores do referido Complexo articulam-se no conto “William Wilson”, de Poe e como encontram seu início em “O homem da areia” (“Der Sandmann”, 1816), de E. T. A. Hoffmann, além de apresentar a revisitação a esse Complexo no romance O retrato de Dorian Gray (The Picture of Dorian Gray, 1890-1891), de Oscar Wilde.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Vocábulo. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.

 

 


Flores monstruosas: a estética do grotesco na ficção decadente (Daniel Augusto)

Resultado de imagem para huysmans a rebours“À primeira vista, pode parecer paradoxal afirmar que a literatura decadente, reconhecida por seu caráter aristocrático, pelo seu pessimismo e por sua busca por refinamento, tenha produzido sistematicamente figuras grotescas. A comparação soa ainda mais inusual quando se constata a utilização do termo grotesco para descrever algumas obras de arte que provocariam um efeito cômico, como, por exemplo, caricaturas. Além disso, os estudos sobre essa categoria estética, mesmo quando não a associam diretamente a artes populares, quase não dão destaque à literatura fin-de-siècle como uma de suas realizações históricas. Para estabelecer essa relação, é preciso buscar uma delimitação do conceito de grotesco. Tal tarefa se mostra complexa, pois, ao longo da história, a palavra grotesco foi empregada para designar objetos bastante diversificados entre si, a ponto de ter seu sentido conceitual diluído. Do estilo de Rabelais a formas de arte decorativa italiana, de música, de dança e até mesmo a um grupo tipográfico, o termo teve ora sentido de substantivo, ora de adjetivo.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro de ensaios das Jornadas FantásticasRepublicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.