Arquivo do autor:William Wilson

Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família."

A Confissão do Moribundo (Lindorf França)

lastprayer“Lindorf França nasceu em São Paulo em 1836 e morreu, no Rio de Janeiro, aos 22 anos de idade. Durante sua curta vida, foi estudante, poeta, instrutor de latim e de francês para crianças e ainda trabalhou como funcionário da Secretaria de Polícia Fluminense. Participou também da comissão editorial do jornal Arcádia Paulistana, voltado para o mundo acadêmico de São Paulo, no qual exerceu a função de vice-presidente.

Em virtude de seu falecimento prematuro, sua produção artística foi bastante exígua. Publicou alguns poemas de cunho romântico em periódicos como O GuayanáRevista do AteneuCamélia. Postumamente, seus textos poéticos foram editados no volume Sempre-vivas (1863). As poucas referências críticas existentes sobre Lindorf dizem respeito à relação de proximidade estética que estabeleceu com a obra de Álvares de Azevedo. Tal aproximação se deve, além da semelhança artística, a um ensaio intitulado Duas Palavras sobre Manuel Antônio Álvares de Azevedo, no qual o jovem autor faz comentários bastante elogiosos e entusiasmados sobre a obra do poeta paulista. Hélder Garmes (1993, p. 166) aponta que Lindorf França foi um dos primeiros a comentar academicamente a obra de Álvares, por quem nutrira ‘verdadeira admiração d[e] discípulo’.

A confissão do moribundo foi publicado em 1856, em três números subsequentes do jornal O Guayaná. A narrativa se desenvolve a partir do relato de um velho, nos seus minutos finais de vida, que decide contar a um padre os eventos responsáveis por sua desgraça. As histórias narradas são marcadas tanto pela sensibilidade exaltada do protagonista quanto pelos diversos crimes que cometera. As transgressões, perversões e crueldades perpetradas pelo protagonista, motivadas por paixões não correspondidas e por ciúmes que nutre por distintas mulheres, são os elementos que aproximam a narrativa de Lindorf de Noite na taverna (1855).”

Leia aqui o conto completo.

(*) Esse conto faz parte da coletânea Páginas Perversas: narrativas brasileiras esquecidas, organizada por Maria Cristina Batalha, Júlio França e Daniel Augusto P. Silva. Adquira o livro aqui.


“Tiro não o mata, fogo não o queima, água não o afoga”: as refigurações de Macobeba no Modernismo brasileiro (Thayane Verçosa e Nabil Araújo)

Macobeba“Partindo das colunas assinadas por José Mathias no periódico A província, de abril a setembro de 1929, nas quais as peripécias e as atrocidades de Macobeba são narradas, pretendemos analisar, comparar e contrastar o modo como o monstro reaparece em diferentes contextos e obras do Modernismo brasileiro. Para tanto, o nosso corpus é composto também, em ordem cronológica, por Macobeba (1929), de Mário de Andrade; pelos textos Macobeba pré-histórico (1930) e Macobeba antigo (1930), de Graciliano Ramos; e pelo Manuscrito Holandês ou a peleja do caboclo Mitavaí com o Monstro Macobeba (1960), livro de Manuel Cavalcanti Proença. Desse modo, a partir do conceito de refiguração (REIS, 2018), buscaremos analisar como ocorrem as reelaborações do monstro, atentando para os procedimentos retórico-estilísticos usados nas diferentes composições, e para o modo como elas dialogam, destacando eventuais aproximações e afastamentos.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, 2019.1, n. 8Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Elementos góticos e alegóricos no conto “O Ladrão”, de Graciliano Ramos (Paulo César Silva de Oliveira e Erick da Silva Bernardes)

gothic1“Este artigo aborda os elementos alegóricos e os traços do gótico no conto O Ladrão, de Graciliano Ramos. Discutiremos a questão dos recursos alegóricos em contraposição ao símbolo, enfatizando na narrativa artística e satírica o posicionamento intelectual do autor e menos um engajamento de cunho retórico-político. Contextualizaremos brevemente a obra considerada fundadora do gótico literário, O Castelo de Otranto, de Horace Walpole, sob o viés da desconstrução da simbologia cristã, para situar o conto de Graciliano em uma perspectiva histórico-literária, contando ainda com o auxílio da leitura de Mikhail Bakhtin (2010) acerca das facetas que o discurso alegórico assume.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, 2017.2, n. 5Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Frankenstein e a monstruosidade das intenções: a criatura como representação da condição feminina (Janile Pequeno Soares)

Resultado de imagem para frankenstein ilustração“Esta pesquisa tem por objetivo analisar Frankenstein (1818), da escritora inglesa Mary Shelley (1797-1851), sob uma perspectiva do conceito de monstruosidade aliada à crítica feminista, tomando como base os estudos de Gilmore (2003), Cawson (1995), Fay (1998), Gilbert e Gubar (1984), dentre outros. Publicado em 1818, Frankenstein permanece atraente, entre tantos pontos, pela crítica social que suas linhas transpiram ao decentralizar o foco da narrativa de castelos assombrados, maldições de família e fantasmas que atormentam os personagens, como havia se solidificado os romances góticos ingleses. Frankenstein inaugura uma nova fase do gótico de romances centrado nos limites psicológicos de seus personagens; explora as monstruosidades das atitudes e das intencionalidades como reflexo da sociedade do período do qual o romance é produto. A ficção de Shelley transborda a experiência feminina advinda do contato com uma sociedade assombrada pela dominação masculina. Assim, nossa análise está centrada na construção da alteridade da Criatura de Victor Frankenstein como representação da condição feminina da época em o romance foi escrito.”

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(*) Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba, no ano de 2015. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Um passeio com Tânatos: a ficcionalização da morte nos contos de Lygia Fagundes Telles (João Pedro Rodrigues Santos)

Resultado de imagem para árvore escuro gótico“Esta dissertação apresenta um estudo sobre a ficcionalização e a representação da morte nos contos da escritora brasileira Lygia Fagundes Telles. Partindo da ideia de que a perspectiva da finitude sempre amedrontou o ser humano, analisou-se como a morte vai se desdobrando e variando em diferentes contos de diferentes obras da trajetória literária de Telles. Assim sendo, a escritora em questão escreve e reescreve a morte de diferentes formas em suas narrativas, mostrando diversas faces desta questão, buscando, também, aprofundar a compreensão deste grande enigma atemporal que persegue o homem desde os primórdios até os dias de hoje. Verificou-se que nos contos estudados, existem dois tipos de abordagens da morte que são retratadas: a morte do outro e a morte de si mesmo. Além disso, discutiu-se como a fruição estética da literatura pode apaziguar e auxiliar as pessoas na busca por compreensão e aceitação da morte. Devido à complexidade do tema da morte, fez-se necessário, no desenrolar da pesquisa, adentrar teorias e conceitos de outras disciplinas, tais como: antropologia, filosofia, história das mentalidades, psicologia, psicanálise e sociologia. Sobretudo, Lygia Fagundes Telles, ao ficcionalizar a finitude, procura penetrar e aprofundar os mistérios da existência humana, convocando seus leitores a embarcarem em narrativas onde morte e vida parecem se amalgamar.”

Leia a dissertação completa aqui.

(*) Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras na PUC-RS, no ano de 2017. Republicamos aqui, com fins puramente acadêmicos.


A compreensão da literatura gótica na história da literatura brasileira e as bases para sua reavaliação (Sérgio Luiz Ferreira de Freitas)

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O presente artigo busca, em primeiro lugar, observar como a literatura gótica é compreendida nos livros História Concisa da Literatura Brasileira (1970) de Alfredo Bosi, e Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos (1962) de Antônio Candido. A partir desse levantamento, buscaremos compreender de forma mais abrangente o que é o fenômeno gótico na literatura a partir de algumas reflexões propostas a partir dos textos “The genesis of ‘Gothic’ fiction” (2002), de E. J. Clery, e “Estatutos do Sobrenatural na narrativa” (2001) de Francesco Orlando. Essas reflexões funcionarão como uma possível base para a reavaliação do lugar ocupado pela ficção gótica na literatura brasileira, a partir da exemplificação da presença desse tipo de literatura nas bibliotecas existentes no país no século XIX, assim como a indicação de possíveis variedades de obras nacionais que podem ser interpretadas sob o prisma da narrativa gótica.

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Muitas Vozes, v. 7, n. 2 (2008)Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Frankenstein, de Mary Shelley, e Drácula, de Bram Stoker: gênero e ciência na literatura (Lucia de La Roque e Luiz Antonio Teixeira

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“As obras literárias têm, através dos tempos, dado voz aos medos e esperanças gerados pelas descobertas científicas e retratado as imagens e mitos em torno da própria ideia de ciência. Diversos parâmetros podem contribuir para estas representações da ciência, como a cultura e a classe social na qual estão inseridos os autores das obras em questão. Não se pode negar, também, a influência do gênero, já que, pela dominação da ciência pela esfera masculina de ação, o fato de a obra ser de autoria feminina ou masculina pode determinar uma peculiar caracterização do mundo científico. Neste artigo, através de uma análise comparativa de duas importantes obras literárias do século XIX, Frankenstein, de Mary Shelley, e Drácula, de Bram Stoker, são colocadas em relevo questões relativas à visão de ciência e sua relação com o gênero. Enquanto Shelley, como mulher, afastada do mundo científico, descortina em Frankenstein toda sua desconfiança em relação ao mesmo, Stoker, protótipo do homem vitoriano, imprime em Drácula sua sólida confiança na ciência.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos, vol. VIII, n. 1. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.