“Do sobrenatural na literatura” (Ann Radcliffe)

New_Lead“Ann Ward Radcliffe (1764-1823), única filha de William Ward e Anne Oates Ward, foi uma influente romancista e poetisa inglesa, reconhecida por ser um dos pilares da ficção gótica setecentista. Em 1787, aos 23 anos, casou-se com William Radcliffe, jornalista que a incentivou em suas atividades literárias. Iniciou sua carreira de maneira anônima com a publicação de The Castles of Athlin and Dunbayne (1789) e A Sicilian Romance (1790). Sua fama começou a se delinear com seu terceiro romance, The Romance of the Forest (1791), ambientado na França do século XVII, mas foi com The Mysteries of Udolpho (1794) que ela se tornou a romancista mais popular da Inglaterra de sua época.

Em The Italian (1797) Radcliffe atingiu o auge de sua perícia narrativa, consolidando-se como pedra angular do Gótico. Seus romances caracterizam-se pelas descrições romantizadas da natureza e por enredos que apostam em prolongadas cenas de suspense e que exploram os efeitos do terror em detrimento do horror. Os originais desses dois últimos títulos renderam-lhe, respectivamente, £500 e £800, em uma época em que o valor médio dos manuscritos era de £10.

Além do sucesso comercial, a escritora também obteve a aprovação da crítica da época e acumulou epítetos elogiosos, tais como o ‘Shakespeare dos escritores de romance’, atribuído por Nathan Drake, e ‘A primeira poetisa da ficção romântica’, dado por Walter Scott. Nos últimos vinte anos de sua vida, a escritora deixou de publicar romances e dedicou-se quase exclusivamente à poesia. Publicado postumamente no volume 16, número 1, da New Monthly Magazine, ‘Do Sobrenatural na Literatura’ (1826), o ensaio selecionado para compor esta antologia é, até hoje, uma das mais influentes distinções entre o terror e o horror na ficção.”

Leia aqui o ensaio.

(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.

Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

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