Sobre o medo (Michel de Montaigne)

Fear Eye Watercolor by Marian VoicuMichel de Montaigne (1533-1592) foi um escritor, político e filósofo francês. Vindo de uma família de negociantes, estudou Direito e trabalhou durante 15 anos no Parlamento de Bordeaux, onde ainda desempenharia as fun- ções de prefeito. É considerado o criador do gênero do ensaio e tem seus trabalhos associados ao humanismo renascentista.

Sua principal obra é Ensaios, publicada entre 1580 e 1588. Os textos nela reunidos discorrem sobre os mais diferentes temas, tais como a Filosofia, a Religião e a Literatura. Seus artigos são frequentemente tomados como importantes reflexões sobre a liberdade do indivíduo e sobre a constituição da subjetividade, e são considerados pioneiros pela crítica literária voltada para as narrativas de cunho autobiográfico.

Mais de um dos ensaios poderiam ser tomados como textos seminais de As Artes do Mal. É o caso de “Sobre a crueldade”, uma reflexão sobre a natureza inata da perversidade humana, em que Montaigne argumenta com referências às guerras e ao comportamento cruel do homem em relação aos animais. Optamos por selecionar, contudo, “Sobre o medo”, o décimo oitavo texto do primeiro volume dos Ensaios. Nele, além de explicitar alguns eventos históricos em que o medo teria influenciado o comportamento dos homens, o escritor busca definir a natureza desse sentimento. Tal emoção é abordada tanto como catalisadora de reações corajosas e instintivas quanto como propulsora de respostas covardes e incogruentes. Ela ainda poderia surgir sem causa aparente e ser de difícil entendimento. Perante a multiplicidade de significados que o medo pode ter e de sua influência sobre o comportamento de povos inteiros, a conclusão do autor se apresenta na célebre sentença: “A coisa de que tenho mais medo é o próprio medo”.

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.

Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

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