Os olhos (Domício da Gama)

dep933-fa5a7316-c103-4a93-9fa2-0d6144d42fb5“Domício da Gama (1862-1925) fez parte da fundação da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira de número 33, e escolheu como patrono Raul Pompeia. Em 1919, assumiu a presidência da Instituição. Apesar de ter contribuído para jornais brasileiros e ter escrito diversos contos e crônicas, ele adquiriu renome não por suas obras literárias, mas por sua carreira diplomática. Entre 1911 e 1918, desempenhou as funções de Embaixador do Brasil nos Estados Unidos, sucedendo a Joaquim Nabuco, e, em seguida, foi escolhido como ministro das Relações Exteriores no governo de Delfim Moreira.

Sua obra literária está circunscrita à publicação de textos em jornais e de dois livros de contos: Contos a meia tinta (1891) e Histórias curtas (1901), sendo este último uma atualização do primeiro. Em algumas de suas narrativas, Domício da Gama adota procedimentos característicos da ficção decadente, como os cenários degradados e degradantes, as personagens que traduzem uma visão de mundo pessimista e a linguagem que denota bastante preocupação estética. Em Obsessão, por exemplo, texto presente em Histórias curtas (1901), aborda-se o sadismo como uma patologia e exploram-se as relações entre crueldade e erotismo. No conto, o protagonista, encarcerado e em meio a uma crise de fundo religioso, narra a história de sua perversa e violenta volúpia em relação à sua esposa, interpretando a origem de tais desejos como uma ‘possessão’ maligna que lhe faz perder o controle sobre os próprios desejos.

Também tributário da poética decadente, o texto selecionado para esta antologia nunca foi editado pelo autor em um livro. Trata-se do conto Os olhos, publicado em 1898, na Revista Brasileira, coordenada por José Veríssimo. É uma narrativa em primeira pessoa na qual a personagem principal expressa suas emoções após o enterro de uma pessoa querida. Ao dirigir-se a uma praia e contemplar o mar, o protagonista depara-se com um universo sobrenatural de trevas e seres aterrorizantes.”

Leia aqui o conto completo.

(*) Esse conto faz parte da coletânea Páginas Perversas: narrativas brasileiras esquecidas, organizada por Maria Cristina Batalha, Júlio França e Daniel Augusto P. Silva. Adquira o livro aqui.

Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

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