Jacinto (Bruno Seabra)

1904serafino-macchiati-le-visionnaire-1904“O paraense Bruno Seabra, nascido em Belém, em 1837, não fugiu à tradição dos homens de letras brasileiros, e trabalhou como funcionário público durante toda a sua vida adulta – no Rio de Janeiro, no Maranhão, no Paraná, em Alagoas, e, por fim, em Salvador, até sua morte em 1876, quando servia como oficial da presidência da província da Bahia.

Seabra foi arrolado por Antonio Candido entre os poetas menores do romantismo brasileiro, produto da ‘safra mediana’ que banaliza e dilui os padrões poéticos de uma era. Sua obra de maior reconhecimento, Flores e Frutos (1862), apesar da apreciação pouco lisonjeira de Candido, obteve, à época do lançamento, crítica bastante favorável de ninguém menos do que o jovem Machado de Assis, que elogiou, não sem entusiasmo, a ‘ingenuidade dos afetos traduzida na simplicidade da expressão’. Seabra legou-nos aproximadamente duas dezenas de obras, boa parte nunca publicada, entre narrativas, peças teatrais e livros de poemas, algumas delas sob o pseudônimo de Aristóteles de Sousa.

Jacinto, conto selecionado para compor este volume, foi publicado n’A marmota, revista de Paula Brito, em 1861. As alusões aos trabalhos de Ann Radcliffe e E. T. A. Hoffmann confirmam a que tradição literária a narrativa se filia. O narrador-protagonista é um homem que, embora se revele cético desde as mais tenras idades, tem profundo interesse por histórias sobre almas de outro mundo. Ao chegar ao Rio de Janeiro, conhece um certo Sr. Marçal, um misterioso homem versado em magia, pseudociências e ocultismo. Vendo a oportunidade pela qual sempre esperara de testar definitivamente suas crenças, o narrador pede ao necromante que evoque o espírito de seu tio, há muito desaparecido em condições misteriosas. Quem aparece, por fim, não é o parente, mas um espírito de nome Jacinto, conduzindo a narrativa a um desfecho característico das ghost stories dos oitocentos.”

Leia aqui o conto completo.

(*) Esse conto faz parte da coletânea Páginas Perversas: narrativas brasileiras esquecidas, organizada por Maria Cristina Batalha, Júlio França e Daniel Augusto P. Silva. Adquira o livro aqui.

Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

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