Entre árvores e sangue: a natureza sublime do Sertão (Hélder Brinate Castro)

big_thumb_5dfb9950d0cf271f95a6ec11716d99dc“Em diversas narrativas góticas, a natureza, por seu caráter grandioso, destruidor e incontrolável, reveste-se de um certo terror, podendo se configurar como uma das principais fontes do sublime. São recorrentes, portanto, descrições de cenários naturais intimidadores e aterrorizantes, como vastas paisagens, florestas sombrias e selvagens, estrondosas cachoeiras e abismos colossais, frente aos quais as construções humanas, fadadas a se tornarem ruínas, e o próprio homem, em sua pequenez e fragilidade, sucumbem. Coelho Neto, por meio de uma retórica de excessos, em seu conto “A tapera” (1897), expõe um sertão brasileiro que, além de ser um locus de atraso e inóspito, recobre-se de uma selva arrebatadora, destruindo o que fora uma próspera fazenda e reduzindo o proprietário desta a um ser silvestre. Imponente, essa floresta ganha tons sublimes e sobre-humanos, situando o interior do país como um espaço narrativo favorável à manifestação da poética gótica. O presente trabalho visa, pois, a analisar como se dá o sublime sobrenatural no sertão coelhoneteano e suas consequências na construção e concepção de um cenário interiorano contrário à civilização e ao progresso. Como fundamentação teórica, pautar-se-á na teoria de sublime desenvolvida por Edmund Burke em Uma investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do sublime e do belo.”

Leia aqui o ensaio completo

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do CENA IV, v.2. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos

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Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

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