O Juramento (Humberto de Campos)

Originalmente publicado em 1932 pelo escritor maranhense Humberto de Campos (1886-1934), o conto “O Juramento” faz parte da coletânea Monstros e Outros Contos. Nesta história, um malsucedido pedido de casamento provoca um homem a jurar possuir o coração de uma moça a qualquer custo. Entre índios antropófagos, selva densa e descrições horríveis, o conto tem seu apogeu em uma cena de canibalismo.

A bordo de um navio que acaba de deixar o porto francês de Havre, o narrador conversa com Ramon Gonzalez y Gonzalez, um velho industrial argentino de uns 70 anos. A narrativa em moldura, então, passa a voz para este, que conta que, quando tinha 40 anos, experienciou o momento mais terrível de sua vida. Apaixonado por Consuelo, uma moça de 16 anos, Ramon pede-a em casamento. Diante da recusa, Ramon mostra-se conformado, mas secretamente não admite ser rejeitado. Decepcionado e ressentido, ele faz um juramento de morte: “Aquele coração havia de, um dia, pertencer-me”.

Ramon, desejando manter a amizade, convida Consuelo e seu pai a visitá-lo. A fim de mostrar-lhes as terras recentemente adquiridas, Ramon leva-os ao Alto Soledade, um local de mata virgem, densa e escura, onde a copa das árvores não permite que gotas de chuva ou raios de sol penetrem a floresta. Viajando por longo tempo, a caravana é surpreendida por índios canibais, que os capturam e os aprisionam. No caminho até a aldeia, porém, Ramon confessa que a visão de Consuelo, seminua, seios expostos, martirizada e ensanguentada, excitava-lhe pensamentos bestiais e diabólicos. Marchar para a morte, diz ele, acalmava-o porque Consuelo, que não seria dele, também nunca seria de nenhum outro.

Ainda excitado com o martírio infligido à Consuelo, Ramon descreve em pormenores o esquartejamento da moça, sendo preparada para ser cozida e devorada pelos índios. Ele assiste à cena passivamente, como se tudo fizesse parte de um sonho. Em uma narração que mistura horror e satisfação, o conto termina com o juramento sendo cumprido. Ramon, ao ser indagado por um índio sobre a parte humana que gostaria de comer, indica, entre vísceras repugnantes, o coração de Consuelo. Ele o devora e vinga-se da rejeição sofrida.

Leia aqui o conto “O Juramento”

Anúncios

Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

Uma resposta para “O Juramento (Humberto de Campos)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: