A “Praga” sombria que habita o Sertão: aspectos góticos na obra de Coelho Neto (Hélder Brinate Castro)

“Na Literatura Brasileira, o espaço narrativo do sertão é concebido, muitas vezes, como um interior longínquo e povoado por uma população mestiça. Nesse ambiente rural, de economia agrária, personagens boiadeiros e retirantes vivem as angústias dessa terra inóspita, de vegetação selvagem, comumente considerada um local bárbaro pelos narradores e escritores. Embora o sertão seja tematizado em romances e contos de cunho realista e documental, as presenças, por um lado, de referências a lendas, crenças e superstições, e por outro, de uma visão de mundo profundamente negativa, contribuem para aproximar tais narrativas da tradição gótica. Se a Literatura Britânica, com autores como Ann Radcliffe, Matthew Lewis, Mary Shelley e Bram Stoker, revela os horrores do passado habitando castelos seculares, com câmaras labirínticas e claustrofóbicas, a Brasileira situa seus terrores e fantasmas nas matas selvagens, nas taperas sertanejas, nos casarões das fazendas abandonadas e à beira de estradas e pântanos, onde mortos são enterrados. Um dos autores brasileiros que se utilizou desse misticismo presente no sertão foi Coelho Neto, que, em seu livro Sertão (1897), evidencia essa tendência por meio de narrativas que exploram eventos sobrenaturais, crimes e tabus culturais, produzindo, assim, o medo como prazer estético em seus leitores. O presente trabalho, fundamentando-se nas considerações de Fred Botting, em Gothic, e de Nick Groom, em The gothic: a very short introduction, propõe, pois, uma análise, sob o viés da estética gótica, da novela “Praga”, primeiro texto do livro Sertão. Busca-se também refletir como se dá a influência exercida pela literatura gótica no ambiente sertanejo de Coelho Neto e da Literatura Brasileira.”

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Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

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