Coordenadas do medo: uma proposta de análise da ficção de horror (Pedro Sasse)

“O gênero do horror tem mostrado grande resistência à conceituação e delimitação histórica. Não há, até hoje, uma caracterização amplamente aceita, mas abordagens diversas e, muitas vezes, divergentes do que seja e de como funcione essa emoção estética. Uma teoria universal do horror artístico esbarra no fato de que o gên8c6cbb1a7ff7578bc1bd8c21b9ec31d9ero caracteriza-se por uma resposta emocional do público, que se manifesta de forma diferente e com respostas variadas não só em distintas culturas, como em diferentes momentos históricos, classes sociais e, até mesmo, idiossincraticamente. Mesmo dentro de um mesmo lugar, momento histórico e grupo social específicos, não são todas as obras que, ao suscitar medo em um leitor, virão, por isso, a ser consideradas obras de horror nem pela crítica nem pelo público (como, por exemplo, Paraíso Perdido, de John Milton). Diante de uma variedade de obras que vão do gótico setecentista ao splatterpunk, que abrangem as mais destoantes características temáticas e estéticas, muitas teorias de horror acabaram optando por focar sua análise em subgrupos, evitando, assim, uma consideração genérica mais ampla. Dessa forma, gêneros atuais – como, até mesmo, o ultrarrealismo brasileiro – que parecem não estabelecer relação nenhuma com o horror poderiam ser relidos à luz dessa conexão, revelando novos aspectos sobre a obra e sobre a própria tradição do horror artístico. Para isso, opta-se, aqui, por uma proposta de análise da ficção de horror que leve em conta dos eixos: um temático, constituído, de um lado, pelas obras sobrenaturais e, por outro, por aquelas que fazem uso do próprio homem como raiz do mal; e um estético, que se dividiria entre uma tendência ao obscuro, ao mistério, ao suspense e ao enigmático, e outra que se utilizaria da carnificina, amoralidade e repulsa para alcançar o efeito estético desejado.”

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Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

2 respostas para “Coordenadas do medo: uma proposta de análise da ficção de horror (Pedro Sasse)

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