O Conde Lopo (Álvares de Azevedo)

(…)

Era um fantasma

De macilento crânio enegrecido

Aqui e ali por fios de cabelos.

Tinha na fronte a reluzir – embora

O empanasse a podridão na tumba –

Um diadema d’oiro. –

Eu dizia

Que tu – outrora barregã – rainha

Caprichosa mulher de ardentes gozos,

Prostituta, sentaras-te num trono;

E davas como leito aos favoritos

Teus tálamos doirados e macios.

Hoje te apodreceu a rósea carne

Que os ossos te cobria, e eis-te aí, nua

Como nunca te viram teus amantes.

Eis-te aí, nua, prostituída ao verme…

Eis aí pois, rainha, o que eu pensava,

Ideia singular, não o confessas?

Prostituta real, o amor lascivo

De um voluptuoso rei alçou-te ao leito

E do tálamo ao trono – hoje, coitada!

Só o verme te quer quando nas covas

Não acha sânie onde perpasse os lábios

E p’ra fome iludir morde-te o fêmur!

(…)

Leia aqui o poema completo

Anúncios

Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

2 respostas para “O Conde Lopo (Álvares de Azevedo)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: