O camarote maldito (Amândio Sobral)

“(…) O instinto de conservação, aliás, o único sentimento humano que morre meia hora depois do homem (disse-­o, muito sabiamente, não me lembro quem) fazia-­me lutar contra a invasão das fera cinzentas, até o momento de ser espatifada a ‘8118887971_cb1b883295Gaivota’, batida dos vagalhões da preamar cujo ruído abafava por vezes os guinchos dos animais.

Alucinado, uma ideia súbita ocorreu-­me então. Como recurso supremo, aproveitei-­me do morto para engodo dos ratos e alguns minutos após tê-­lo encostado à porta um guinchar infernal reboou por todo o navio. Um exército de olhos brilhantes e focinhos peludos investiu contra o vão procurando alcançar o cadáver.

Febril, lábios secos e garganta em fogo, iniciei o plano terrível para impedi-­las de penetrar no aposento. Mal um olho brilhante assomava na abertura, num gesto rápido eu vazava-­o com o prego. Era formidável guincho de dor, um espirro de líquido sangrento, um espernear confuso e uma, luta titânica contra os companheiros ferozes que o devoravam… num bater de dentes de fazer parar o sangue nas veias. (…)”

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Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

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