A identidade monstruosa do negro em “A menina morta” (Luiz Eduardo S. Andrade)

“(…) Para o sistema patriarcal, a única imagem do negro que é familiar é a do seu corpo, enquanto mão-de-obra usada na lavoura de café, dentre outros afazeres. O horror da Sinhá não está no simples fato de saber da mucama sem a face, mas na memória ‘reprimida’ que vem à tona quando se procura ver aquilo que tinha sido histórico-socialmente desfamiliarizado. O rosto da negra nesse caso, representaria a identidade fraturada no olhar do branco, pois este de alguma forma se reconhece naquilo que vê na face do outro, do contrário seria impossível estabelecer as relações de estranhamento e familiarização. Luiz Nazário (1998) define o ser monstruoso como sendo naturalmente deformado, de modo que nunca estará em conformidade com o homem, a sociedade, o espaço ou o momento histórico. Representa sempre uma diferença, uma anomalia do que está social e culturalmente instituído. O fato de Cornélio Penna trazer a baila em 1954, auge do desenvolvimento industrial do país com o governo Vargas, essa narrativa ambientada no século XIX, com figuras fantasmagóricas, é uma prova de que tamanho estranhamento frente ao sujeito negro só endossa a histórica ‘dívida’ que ficou para trás quando da formação do ideal nacional. Leia-se da literatura brasileira. Corroborando o que comentamos anteriormente sobre o valor histórico que Augusto Frederico Schmidt (1958) atribui ao romance corneliano. Ao apresentar esse episódio, bem como toda a narrativa de A menina morta, Cornélio Penna dialoga com a toda a ‘história do esquecimento’ no Brasil que de alguma forma legou ao negro papéis marginais na sociedade. (…)”

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Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

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