O terror decadentista no romance “No hospício”, de Rocha Pombo (Pedro Puro Sasse da Silva)

malucos“(…) A obsessão pelo outro tortura de tal maneira o narrador que ele tem vontade de libertar-se do vínculo que ele mesmo criara com seu duplo. Supostamente, assim como se internara por vontade própria, por vontade própria poderia ir-se. Porém, a loucura, o grilhão que o liga a Fileto, agora também lhe prende ao hospício:

Por um momento, tive desejos de não ser doido, de ser livre outra vez, para dar a minha vida a tensão de um grande êxtase. Como eu seria feliz de poder afastar-me para além, rumo do mundo… (IBID., p. 89)

A loucura da qual ele quer se libertar é a própria condição que o une a Fileto. Ele sabia que se afastar significaria voltar ao universo vazio do qual viera, algo que ele não podia suportar. Logo, para poder ser finalmente livre, necessitaria não só ser parte de Fileto, mas sê-lo por completo, deixar de ser um duplo para ser o Eu completo. Uma vez descoberto tudo o que lhe escondia a alma de Fileto, estaria pronto para viver sua vida por completo. (…)”

Leia o ensaio completo

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Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

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