A podridão viva (Amândio Sobral)

“(…) No âmago de uma floresta, ao pé de uma serrania vulcânica, no meio de uma natureza convulsa, revolta, proveniente de um desses cataclismas de remotas eras, entre penedos gigantes, em que um vento gelado assobiava, ele ergueu-se… Baqueei desfalecente por terra! Jesus, que horror!… Um cheiro podre, a carne decomposta, empestou o ar tonteando os animais a centenas de metros de distância.tumblr_mm5ldrsNCh1s6my3uo1_500

Ele não possuía cabeça distinta do corpo. No meio de um colossal ovóide, completamente glabro, gelatinoso, dum roxo desmaiado de chaga rebelde, cheio de pústulas como um morfético, quatro grandes olhos amarelos – quatro ou seis? – duma fixidez e frieza de gelar o sangue, abriam-se desmesurados, perscrutando a mata.

No meio do lodo, encolhido entre as sarças de espinheiros, encharcado d’água fétida das lagoas que transpusera, pregado ao chão, incapaz de mover-me, eu vi – sim, vi com os olhos! – essa verdadeira podridão viva, esse horror dos horrores, mexer-se, firmar-se em oito – Seriam oito ou dez? – troncos roliços terminados em garras de ave de rapina, curvando as árvores como se fossem ervas. (…)”

Leia aqui o conto completo

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Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

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