Crianças à venda. Tratar aqui (Rosa Amanda Strausz)

skeletor“(…) Intrigada com aquilo, Simara foi até a casa do padre e pediu-lhe emprestada sua lente de aumento. Já tinha visto o objeto algumas vezes depois das aulas de catecismo. Parecia mágico, com seu poder de ampliar pequenos detalhes. Quando era menor, adorava pegar a lente e observar a ponta de seu polegar, descobrindo as finas linhas que desenhavam redemoinhos em seus dedos. Mas, agora, não havia tempo para brincar. Botou a foto sob o vidro da lente e examinou-a detidamente. Nem precisou procurar muito. Bastou-lhe focalizar os olhos do irmão para encontrar a explicação de sua expressão vazia: estavam furados. No lugar das córneas, havia apenas dois buracos negros, redondos e perfeitos. Com um grito apavorado, Simara chamou o padre. O homem fez o sinal-da-cruz e prontificou-se a acompanhar a menina até a residência do casal que tinha levado Fabiojunio embora. (…)”

Compre o livro Sete ossos e uma maldição, de Rosa Amanda Strausz

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Sobre William Wilson

"Eu descendo de uma raça que se distinguiu, em todos os tempos, por um temperamento criativo e facilmente irritável; e que, desde a minha infância, provou que eu herdara por completo o caráter de minha família." Ver todos os artigos de William Wilson

3 respostas para “Crianças à venda. Tratar aqui (Rosa Amanda Strausz)

  • caroline

    eu li o livro, muinto sinistro e confuso. ate hoje fico imaginando como seria o “Seu Amor”, como é sentir o que ela sentiu ao beija-lo. rosa, me diz o que aconteceu com a garotinha dona de muriel, com o garoto do elevador, e com o “Seu Amor”, e com a menina que tinha o irmao q foi vendido, da foto dos olhos furados! por favor, nao durmo em paz depois que li aquilo, imagine! tenho só 11 anos, sou uma criança que reflete todo santo dia sobre esse livro…

  • Sheila

    Os contos da Rosa Amanda são realmente incômodos. Além do medo, coloca-nos no desconforto do desconhecido e provoca a pergunta da leitora Caroline: “como?” Este blog é um feliz achado para mim, aluna de letras da UFSC, que estou em busca de estudos sobre o medo na literatura infantil. Já sou freguesa.

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